segunda-feira, 25 de março de 2013

TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE


Perpassando pela nomenclatura “Disfunção Cerebral Mínima” e “Síndrome Infantil da Hiperatividade”, hoje denominado Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), é descrito como um transtorno neurobiológico que geralmente desencadeia-se na infância e se perpetua até a idade adulta. Tem uma ocorrência 10 vezes mais no homem do que em mulher, sendo que 8% da população tem TDAH. É o transtorno mais comum entre crianças e adolescentes encaminhados a serviços de saúde especializados.
Sem ser motivado por algo específico e estático, tem como causa principalmente a hereditariedade, o uso de substâncias durante a gravidez e sofrimento fetal, sem desconsiderar as questões ambientais a que se está submetido e os fatores culturais.
Estudos mostram que quem é acometido pelo TDAH tem alterações na parte frontal do cérebro que dificulta sua conexão com o restante deste, havendo uma alteração no funcionamento dos neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina). Estas anormalidades provocam, entre outras coisas, o pensamento desorganizado.
Na infância os sintomas começam a ficar evidenciados no período escolar, já que a criança passa a ter maior convivência interpessoal e se deparar com regras de conduta, bem como, ser mais exigida. A problemática se dá principalmente sobre o aspecto de aprendizagem de conteúdos e nos relacionamentos. Os sintomas típicos do TDAH são: A falta de atenção, hiperatividade, impulsividade e comprometimento social.
A falta de atenção se estende por tudo o que venha ser feito (como comer, brincar, estudar...), fica nítida a impossibilidade de se manter por períodos prolongados em determinadas atividades, aparentando ser uma falta de paciência. Hiperatividade, em se tratando da incapacidade de ficar de ficar quieto, o lazer nunca é silencioso, a conversa é em demasia, mantém excesso de atividade, inquietude, agito. Impulsividade, no sentido de ser intrometido psicologicamente, impopular, não respeita o limite dos outros, é desobediente. E comprometimento social, pois tendem a agressividade, não são bem aceitos pelos colegas, geralmente são o centro dos conflitos familiares, os pais julgam que a criança esta fazendo “birra”, apresenta dificuldade de introjetar regras, mesmo que elas sejam repetidas continuamente.
O diagnostico se dá, comumente, entre 7 e 14 anos. Caso apresente o quadro sintomático apenas em determinadas situações ou durante algum período de mudança, não pode ser diagnosticado com TDAH. Só o é caso mais de seis sintomas se perpetuarem por, no mínimo, seis meses, em mais de dois ambientes diferentes, sem ser provocados por motivos específicos e se for de uma gravidade que resulte em prejuízo significativo. Os pais tendem a amenizar ou exacerbar os sintomas, por isso nem sempre as colocações deles ajudam no diagnóstico. A comorbidade de TDAH com alguns outros transtornos (Depressão, Ansiedade, Transtorno de Conduta, Transtorno de Oposição e desafio e Transtorno Bipolar) acontecem entre 15 e 75% dos casos.
O Tratamento é baseado em intervenções psicossociais e uso de psicofármacos, sendo que o principal fármaco utilizado continua o metilfenidato porque resulta em 70% de resposta na função dopaminérgica, deixando a criança menos agressiva.
A maior parte das crianças não tratadas se tornam adultos com problemas de atenção residual, não alcançam as expectativas esperadas por ele em sua cultura, no trabalho, nos relacionamentos amorosos e no âmbito social.          
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 23-03-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

terça-feira, 19 de março de 2013

VÍTIMAS DA FALTA DE ÉTICA PROFISSIONAL


O meio intelectual é muito infiltrado por pessoas que não pertencem a ele na realidade, ou melhor, que pertencem por simples autoimposição. Pessoas que trabalham com o que não é de sua área de atuação, que dão cursos sobre coisas a qual não tem formação, que são chamadas por títulos que não possuem, que utilizam métodos que não são cabíveis, que misturam ciência com fé, etc; fazem parte do cenário da profanação da intelectualidade, comportamentos extremamente imorais e antiéticos estão sendo tolerados sem que percebamos.
A falta de respeito em relação às pessoas no quesito prestação de serviços está tão ridicularizada que os bons profissionais, éticos e moralmente corretos, são desvalorizados em meio a esta libertinagem. Vejo profissionais oferecendo serviços de saúde (das várias áreas) sem ter feito se quer uma formação superior para tanto. E o pior é que as pessoas desinformadas estão recorrendo a estes profissionais e até os chamando de Doutor. Eu, por exemplo, fui uma que quase investi num curso com uma pessoa que tem menos formação que eu. Quando me contaram lógico que fiquei revoltada, mas ao mesmo tempo feliz por ter sido antes de fazer a inscrição. Mas, e estas pessoas que não descobrem a tempo?
Bem... Não sei como funciona e se existe como solicitar o dinheiro de volta ou fazer algum tipo de denúncia. Inclusive li no site http://www.fraudes.org/clipread.asp?CdClip=1981 o caso de um suposto profissional que já foi preso como estelionatário e agora solto, com o sobrenome mudado e em cidade nova, torna a ludibriar pessoas inocentes que precisam de atendimentos de saúde de verdade. E o pior: vende cursos sobre uma determinada técnica (hipnose) para leigos e estudiosos se aperfeiçoarem! Está estarrecido ao ler isto? Pois é. Eu também estou. Por isso, se informe antes de contratar qualquer serviço (não confie na simpatia e conversa de quem presta serviço, investigue!). Uns cursinhos aqui outros acolá não torna uma pessoa apta a dar cursos a outras, quem faz isso é antiético e imoral.A palavra ética é derivada do grego “éthos”, significando, propriedade do caráter. No dicionário Aurélio está posta como “aquilo que concerne aos princípios da moral”. E, ainda, segundo o dicionário Michaelis tem como descrição normas a que devem ajustar-se as relações entre os diversos membros da sociedade”. Colocando numa linguagem mais acessível, ética faz referência a uma maneira de se comportar pautada na moralidade. Uma pessoa ética se manifestará de acordo com as normas de conduta morais (que é constituída socialmente) pelo simples fato de ter caráter para segui-las,. Independente de estar sendo visto ou não, procederá de acordo com o que é correto. Já o antiético é o oposto, frente às leis da moralidade pode até ser moral, mas assim que tiver uma possibilidade de burlá-las em proveito próprio, o fará.
O conselho de algumas profissões (farmácia, engenharia, contabilidade...) é bem organizado e constituiu o legado de atuar em sua área apenas quem é qualificado, protegendo assim pessoas de serem enganada por impostores (o que não significa que um ou outro ainda não usurpe suas funções). Infelizmente em se tratando da Psicologia, o conselho é muito falho, por isso ainda não estabeleceu a restrição do atendimento psicológico somente a profissionais qualificados. Motivo pelo qual muita gente, sem formação nenhuma, se aproveita da brecha enganando pessoas ao prestar esses atendimentos. É claro que nem sempre chamam por esse nome, alguns vem à título de hipnose, “aconselhamento”, grupos de apoio, terapias etc.
Considerando isso, indago: Será que a saúde mental é menos importante que outras problemáticas? É justo uma pessoa com problemas mentais/emocionais/afetivos pagar para se tratar com uma pessoa qualquer? Ela não correria riscos se colocar na mão de alguém que é uma farsa? Sem falar a questão do sigilo, vi muita gente desrespeitosa expor a sessão no facebook.
Enquanto está faltando ética profissional, está sobrando pessoas de mau caráter simulando serem profissionais e, assim, nos enganando. Antes de fazer um curso ou procurar os serviços de um profissional, seja ele de que área for, mas principalmente da área da saúde, investigue quem é essa pessoa, seus antecedentes, sua formação acadêmica, averigue se pelo menos ela possui uma. Você não gostaria de tratar seu problema cardíaco com um médico veterinário, gostaria? Eu não.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 16-03-1013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

sexta-feira, 8 de março de 2013

NEM FEMINISTA, NEM MACHISTA. SIMPLESMENTE MULHER


Percebo certa obrigação em encaixar mulheres entre as categorias machista ou feminista. Quando lutam contra a violência direcionada à mulher chamam de feminista, mas quando querem ser recatadas já tacham de alienada pelo machismo. Entretanto, é impossível sustentar um extremismo sem imperfeições. Todo radicalismo impede a liberdade subjetiva, sendo prejudicial tanto para o homem quanto para mulher.
A ideia primordial do feminismo era que a mulher fosse liberta dos padrões opressores, pudesse ter voz ativa tato quanto ao homem, tivesse direitos equânimes a eles, ficassem livres para manifestar suas vontades e poder realizá-las, ou seja, queriam liberdade a qual é conquistada a cada dia. E conseguiu, como disse Simone de Beauvoir “é pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem”. Porém, nem todos os membros do feminismo de hoje se embasam nisso quando se manifestam, alguns confundem liberdade com libertinagem. Não sei se isto partiu das feministas mesmo, ou se outras se aproveitaram do movimento para ganharem aval da sociedade para imoralidade.
O que é imoral, o é e ponto! Independente se partir de um homem ou de uma mulher. Pra defender a classe a que eu pertenço não se faz necessário profaná-la. Eu não preciso me imoralizar, desrespeitar meu corpo, depredar meu ser, desvirtuar minhas crenças, para conquistar a igualdade. Isso é alienação tanto quanto a guia de conduta imposta às mulheres antigamente.
Camille Paglia, pensadora e ativista no feminismo desde o final da segunda onda deste, hoje com 65 anos, se posiciona com a percepção de que o movimento feminista está se transformando numa ditadura que enclausura a mulher em como ela deve ser, ou seja, a mesma coisa que o adestramento da mulher feito no passado pela sociedade machista, mas agora para o lado contrário. Assim, tirando a autonomia da mulher de ser ela mesma, e afirma: "Para mim, feminismo é a luta por oportunidades iguais para as mulheres. Ou seja: remover qualquer barreira que atrapalhe o avanço na educação superior e no mercado de trabalho. O feminismo deveria encorajar escolhas e ser aberto a decisões individuais”. Mas infelizmente não é o que vem acontecendo, o novo feminismo não liberta a mulher para ter suas opções pessoais, muito ao contrário, dita o que pode ser aceito e o que não, e isso não é liberdade.
Eu sou mulher, tenho o direito de ter as mesmas possibilidades que o homem tem, e enquanto isso não se fizer absolutamente concreto continuarei militando ao lado de outras mulheres para angariar igualdade de direitos em sua plenitude. Todavia, pra isso, não preciso negar minhas características femininas. Temos que nos orgulhar por ser quem somos, nos sentir bem conosco mesmas. Não é vergonhoso ser mulher. Não vejo utilidade em bater o pé dizendo que sou idêntica hormonalmente a um homem. Somos diferentes, nem inferior nem superior, apenas diferentes.
A diversidade existe, não tem como negá-la, isso não torna ninguém melhor ou pior que ninguém. Igualdade não significa ser todo mundo idêntico seguindo um padrão, implica em sermos respeitado em nossas diferenças. Homens e mulheres nunca serão iguais, geneticamente falando, entretanto ambos são dignos da igualdade de direitos. Tentar transformar uma mulher em um homenzinho, numa machona, não é a melhor forma de pedir igualdade.
Mulher também sofre preconceito por outras mulheres. O fato de uma mulher se cuidar, se arrumar, fazer coisas que ela julgue como certo, escolher por ago que seja delicado, se desenquadrar dos padrões enaltecidos pelo feminismo, já é vítima de preconceito. Que liberdade é essa? Eu, por exemplo, particularmente usufruo de todos os direitos que as primeiras feministas fizeram possível que enquanto mulher desfrutasse: jamais aceito imposição de vontades alheias, faço uso da liberdade de expressão, sou ativa politicamente, atuo em uma área intelectual, nada me impede de fazer o que eu quero, não tolero violência nenhuma contra mulher, uso roupas as quais eu tenha vontade de usar, trabalho com o que eu gosto, nunca aprendi cozinhar porque não gosto, enfim, nestes aspectos ajo como feminista; por outro lado gosto de ser feminina, fazer atividades delicadas mais comuns entre mulheres, me arrumar, acho interessante curso de etiqueta etc. e não me sinto uma mulher objetificada por gostar de ser mulher, muito menos machista. Não sei existe uma nomenclatura pra quem tem essa visão de mundo, talvez subjetivista.
A mulher deve ter todos os direitos que os homens possuem, o que não significa que precisam se descaracterizar para tanto. Devemos existir como realmente somos, nos posicionar a partir de vontade própria, pelo que acreditamos particularmente ser o melhor para nós (desde que não seja em detrimento ao direito do outro), nos desencaixar de estereótipos, romper com a alienação seja lá por qual movimento ela vier, só assim é possível uma liberdade plena. Deus me livre do feminismo atual!
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 09-03-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

sexta-feira, 1 de março de 2013

INTERESSEIROS OU SELETIVOS?


Vejo como as pessoas estão habituadas a denominar de maneira insultuosa os outros de "interesseiros". Se uma pessoa tem um relacionamento amoroso com alguém que se destaque de alguma maneira, principalmente financeira, já é motivo de ser chamada de interesseira. Mas será que o é?
O adjetivo “interesseiro” tem como definição: pessoa que somente se relaciona com algum interesse pessoal; que não considera as qualidades subjetivas de um pretendente, apenas o benefício que terá ao se relacionar com ele; que só se entrega amorosamente se obtiver vantagens com isso e com pessoas notavelmente superiores a sí; e que em hipótese alguma fica com alguém sem obter ganhos.
Entretanto, nem todas as pessoas que elegem parceiros bem sucedidos são interesseiras, algumas são simplesmente seletivas. Pessoas de um bom nível (social, intelectual, financeiro, profissional ou outro), por terem consciência disso, jamais se submeteriam a um relacionamento com uma pessoa mediana. Interesseiro é quem se coloca em relacionamentos desiguais em que é discrepantemente inferior ao companheiro, enquanto o seletivo se relaciona apenas com pessoas num grau de evolução semelhante ao próprio. Eis a diferença.
Uma pessoa inteligente (que NÃO é sinônimo de ter uma formação superior, pois isto é muito acessível hoje em dia), que se destaca em algum ramo de atividade, batalha pelas coisas que acredita ou gosta, é conhecida e reconhecida por suas conquistas, alcançou sucesso em algum âmbito da vida, cuida da aparência física e da saúde, está sempre aprendendo novos ofícios, idiomas, conhecendo lugares, se lançando a novas possibilidades, enfim, sempre evoluindo, dificilmente se submeterá a um relacionamento com uma pessoa que exala fracasso, a não ser que tenha sérios problemas de autoestima ou não tenha consciência de si. Sempre digo que as pessoas andam com quem elas se parecem, e a cada dia tenho mais convicção desta tese. Se alguém que julgamos invejável se relaciona com alguém de pouco mérito, é porque ela mesma se considera como tal.
Assisti na internet uma cena do programa "Mulheres Ricas", que passou não sei quando e não sei em que emissora de televisão, no qual um dos participantes dizia “Quem gosta de velho é a Val (Marchiori)”, a zombando por ser casada com um homem mais velho, e esta respondia “Eu gosto de homem inteligente e bem sucedido”. Foram demasiado congruentes as palavras que ela usou como resposta. Como que uma empresária bem sucedida vai se envolver amorosamente com um homem inferior a ela. Isto a rebaixaria. Não importa se a pessoa é mais velha ou mais nova, mais feia ou mais bonita, mais alta ou mais baixa, o importante é que esteja num mesmo patamar que o outro. Uma pessoa bem sucedida desce de nível ao se envolver com pessoas mal sucedidas (não me refiro apenas à posição socioeconômica, mas principalmente à intelectual). Agora, se ela fosse uma pessoa pobre de conquistas, ou desempregada, ou sem atividade alguma, que vivesse como sombra deste homem, o título de interesseira seria congruente.
Há pouco tempo conheci uma mulher, que na minha ótica aparentava ser uma pessoa instruída, bem sucedida e realmente muito bonita. Ela relatava com desânimo sobre o seu insucesso amoroso quanto mencionava seu relacionamento atual, com uma pessoa nitidamente inferior a ela, e de todos os outros relacionamentos passados que sempre tinham o mesmo perfil. O que mais me chamou atenção foi que enquanto justificava que merecia relacionamentos melhores por ser uma pessoa com várias qualidades que citou (as quais concordei com todas), fez uma referência que me deixou intrigada: mencionou a amiga “interesseira, que nem era tão bonita” que sempre se dava bem, sempre ficava com “os melhores homens” e que estes faziam de tudo pra ficar com ela, expressando repudio por esta amiga, falando hostilmente sobre ela, usando adjetivos muito pesados. Fiquei em alerta, percebi o quanto ela queria esta no lugar desta amiga, quanto a invejava, e aquele frase Freudiana “quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo” fez sentido.
As pessoas sempre elegem parceiros que julgam como semelhante. Assim, quem tem autoestima abalada só se permite escolher parceiros medíocres (sendo que inconscientemente se acha pouca coisa), e vai mantendo um círculo vicioso que destrói cada vez mais sua autoimagem. E por isso sente a necessidade de denegrir quem conquista coisas que ela mesma se julga incapaz de conseguir. Se existia um interesseiro na história de vida desta mulher eram os homens com os quais ela se relacionava, pois a amiga era apenas uma mulher seletiva.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 02-03-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)