terça-feira, 29 de abril de 2014

AMOR AGIOTA: PESSOAS QUE ESQUECEM QUE AMOR É DOAÇÃO


Amor é algo que não se exige de ninguém, nem de filho, nem de marido, nem da esposa, nem dos pais, nem dos irmãos. A única coisa que se pode fazer é dar motivos para ser amado. A partir do momento que o vínculo afetivo só se mantém por obrigação moral, não existe amor.
A palavra amor significa doação, caridade, afeição, benevolência, ligação espiritual, ou seja, algo que se oferece sem esperar nada em troca. Quem faz algo pelo outro gratuitamente, sem esperar retorno ou vantagem, o faz por amor. Podemos perceber o amor genuíno observando uma gatinha cuidando e protegendo seus filhotes, sem nada requerer.
Quem faz algo por outra pessoa com amor genuíno em hipótese alguma o faz contando com o que receberá em troca. Quem um dia ajudou alguém (filho, cônjuge, pais…) e cobra a retribuição é porque não ajudou de coração, fez o ato como em um investimento financeiro, já que espera a “retirada” com juros e correção monetária. Não é o caso de negócios como empréstimos e afins, pois aqui é um acordo estipulado. Falo de gente que ajuda o outro fazendo uma boa ação seja de tempo, de atenção, de favores, de esforço ou de abdicar da própria vontade em prol da necessidade alheia e, algum tempo depois, usa isso em manipulações. Quem usa o amor para escravizar as pessoas a seu redor, não ama.
Ninguém que exige amor do outro ou cobra pelo amor que doou será amado, pois as pessoas percebem quando estão sendo barganhadas sutilmente, e isso causa revolta ao invés de afeto positivo. Pessoas que não fazem atos com amorosidade, por mais que briguem e cobrem amor, não o receberão verdadeiramente, o outro pode até fornecer alguma retribuição por se sentir na obrigação, na dívida, ou porque caiu na chantagem emocional. Tem gente que fez algo para ajudar alguém próximo e fica por toda a eternidade cobrando com frases como “depois de tudo que eu fiz por você” e outras parecidas, comum em quem não fez o ato de amor com amor de verdade.
O “jogar na cara” é muito comum em pessoa de amor agiota. Tem homem que deixou de fazer um curso para levar a esposa a escola e tempos depois “joga na cara” seu esforço. Tem mãe que parou de trabalhar quando o filho nasceu e por isso qualquer coisa que ele a desagrade já é motivo para “jogar na cara” a renúncia de anos atrás. Tem pai que ajudou o filho a conquistar algo e depois “joga na cara” o resto da vida. E tem outros milhares de exemplos de pessoas que fazem atos ou renúncias afirmando o fazer por amor, mas que estão esperando um retorno.
Acolher, ensinar algo, aconselhar, estar presente em ocasiões, ou abrir mão de algo por alguém é uma atitude de amor fraternal, comum entre familiares, é extremamente imoral usar esse tipo de coisa para chantagens emocionais no futuro. Quem faz algo verdadeiramente por amor, jamais “joga na cara” ou cobra. Se cobra, fez por amor próprio, não por amor ao outro. Amor é uma doação, não uma moeda de compra e venda.
Quando sementes de amor puro são plantadas, é amor puro que se colherá. Quando se planta amor agiota, a colheita certamente não será agradável. Se você está insatisfeito com o amor que vem recebendo, comece a prestar atenção na forma de amor que você oferece.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 25-04-2014
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)
 

sábado, 12 de abril de 2014

FANATISMO RELIGIOSO: A MARCA DA INVOLUÇÃO

Todos os livros sagrados e históricos tem em comum o postulado de que uma pessoa que está em comunhão com Deus, com o Todo, com a Natureza, ou seja lá como denominam a divindade, são abençoadas.  Fato que deixa evidenciado que a vida de cada pessoa fala por si e é pelos resultados explícitos na sua existência que se mensura a proximidade com o “Supremo”.
Há quase dez anos pesquiso sobre religiões cultuadas no Brasil, sendo que em algumas cheguei a participar, fato que me propiciou ainda mais dados do que os angariados via pesquisa bibliográfica e pelo período que cursei Teologia. O mais estarrecedor entre os resultados desta coleta de dados foi a constatação de que as pessoas mais religiosas, doutrinadas, fervorosas, enfim, os membros mais fanáticos de uma religião (independente de qual seja ela), são as pessoas que menos colocam em prática seus ensinamentos e consequentemente, as que possuem menos resultados positivos na própria vida.
Comecei a correlacionar teorias religiosas com a intenção de analisar as divergências entre elas. Todavia, ficou esclarecido que poucas divergências há entre as religiões. A maioria das inconsonâncias são vindas da interpretação pessoal do líder de cada uma, e pouca desarmonia há entre doutrinas opostas, sendo que mesmas coisas são nomeadas diferentemente.
Cresce consideravelmente o número de seitas religiosas, deixando claro que cada líder estabelece uma doutrina conforme melhor lhe apraz e tenta convencer o mundo de que esta é a “única” certa. Há um demasiado empenho de fiéis fanáticos em querer menosprezar as crenças alheias e querer ser melhor, mais santo, evoluído, iluminado, enfim, superior espiritualmente que os outros, inclusive aos “irmãos” que comungam da mesma seita.
Os escritos sagrados mais conhecidos no Brasil são os que compõe a Bíblia, dão base a muitas religiões e tem como princípio básico o amor pelos outros como por sí mesmo. Todavia, é o menos evidenciado por muitos dos seguidores. Fala-se bonito, mas o interesse está mais direcionado no julgar o outro e faturar fortuna com fiéis inocentes e ignorantes, do que viver os ensinamentos. Muitas dos que entronizam a natureza fazem o mesmo, pregam uma coisa, mas estão demasiado preocupados em parecer mais zen, iluminados e sábios que os outros.
Os mais fanáticos religiosos são os que mais se contradizem em sua conduta, pois não fazem “milagres” na própria vida, alguns vivem doentes e passando necessidade, e teimam em ficar discutindo religião em vez de procurar evoluir. Cristina Cairo diz que “se a pessoa não consegue tirar a própria dor de cabeça em menos de um minuto, ela não entende nada de Deus”. Quem está em comunhão com o Supremo faz transformações positivas na própria vida, e na dos outros, em vez de perder seu tempo sagrado massageando o próprio ego.
Os grandes avatares da humanidade (Jesus Cristo, Buda, Krishna, Maomé…) nunca discutiram por doutrinas fúteis. Todos deixaram ensinamentos sobre compaixão, amor, de ajudar o próximo e de como ter uma vida abundante, saudável e equilibrada. O ser humano que não atingiu esse patamar e prega religiosidade, só é mais um fanático involuído. 

Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 12-04-2014
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)