domingo, 30 de março de 2014

NARCISISMO


O Transtorno de Personalidade Narcisista está categorizado no DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais) entre os dramáticos, imprevisíveis e irregulares. Assinalado por uma forte frieza emocional, o narcisista não empatiza gratuitamente, sempre que estabelecer relação com alguém será em prol de sí mesmo.
Cria um falso eu soberano. Convicto de ser melhor que os outros, mais especial e superior, luta consecutivamente para isso. Por se considerar superdotado, é arrogante e orgulhoso. Em tudo que executa cria uma fantasia de sucesso, de poder, como tentativa de convencer aos outros de que é melhor. Neste ponto, há semelhança com a megalomania.
Tem que ser atendido sempre pelos melhores profissionais. Não tem afeto genuíno pelos filhos, em caso de divórcio pode não fazer questão de ficar com eles ou os ver com frequência, a não ser que pretenda reatar o casamento ou obter vantagens financeiras. Ao se relacionar amorosamente faz declarações públicas de amor exageradas, idealizam o parceiro como se fosse o melhor do mundo. No trabalho é comum tratar os colegas como inferior, a não ser que queira tirar proveito, ai sim pode os bajular. Se adquire algum bem, faz questão de ostentar. Fica frustradíssimo se não glorificam seus méritos, ai sim pode manifestar sofrimento e dramatizar.
É normal menosprezar, desdenhar, criticar, depreciar pessoas que são mais bem sucedidas que ele, como uma tentativa de se sobressair, de tentar convencer a sí mesmo de que não está ‘por baixo’. Se a colega de trabalho foi promovida e ele não, pode alegar que ela esta saindo com o chefe. Se o amigo tem mais poder aquisitivo que ele, pode insinuar que ele está fazendo algo ilegal. Se a amiga é mais bonita, pode dizer que parece um travesti. E assim por diante. Sempre tentando ofuscar a luz alheia para se sentir iluminado. Inveja quem se sobressai e alega que são os outros que o invejam.
Narcisistas são pessoas fissuradas por popularidade, exploradoras, tem poder de persuasão, ludibriam com facilidade, usam os outros e buscam conquistar o que desejam a todo custo. Gostam de ser reconhecidos e admirados. Característica semelhante aos sociopatas.
Pessoas acometidas pelo Transtorno de Personalidade Narcisista só amam a sí mesmas, são incapazes de amar o outro, mas exigem amor. Se acreditam amar alguém é porque este lhe proporciona comodidade, segurança ou alguma outra vantagem. Se considerar que não compensa permanecer em um relacionamento, não hesita em largar o companheiro. Preferem se casar com pessoas submissas, pois assim o relacionamento perdura, talvez a vida toda, independente do que fizer (trair, enganar, maltratar…).
É raro perceber que feriu alguém, mais raro ainda se importar em saber do sofrimento alheio e, às vezes, pode ferir intencionalmente. Se preocupa apenas em amenizar o desprazer que sente e correr atrás do prazer subjetivo, seja ele qual for. Quem mais sofre são os familiares e pessoas que convivem com ele. Dificilmente um Narcisista procura ajuda psicoterápica, pois nunca se consideram doentes. Nos casos em que procura é porque o cônjuge colocou como condição para permanecer junto, ou porque visa obter alguma vantagem externa que não é a cura.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 29-03-2014
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

domingo, 16 de março de 2014

INSATISFAÇÃO CONJUGAL


Todo casamento começa com um projeto de ideal e após algum tempo de relação ocorre uma espécie de decepção por a fantasia não ser condizente com a realidade. Se quebra a imagem fictícia de perfeição e vive-se o luto disso, concomitante ao sentimento de afeto que se mantém por essa pessoa ‘imperfeita’. Há uma dualidade: o amor pelo outro e o sentimento de frustração por ele não corresponder às expectativas da imagem idealizada. Há níveis de frustração e cada pessoa tem uma forma subjetiva de lidar com ela. Alguns perpassam por essa fase sem muito alvoroço, todavia há quem enfrente grandes dissabores e ainda, quem chegue ao divórcio.
Quando uma pessoa tem dificuldades de conviver com as peculiaridades do parceiro, não consegue o aceitar como ele é em essência, há uma forte tendência a tentar mudá-lo, transformá-lo em uma pessoa que ele não é. Algumas destas manipulações são sutís. Podem surtir efeitos positivos quando o desejo pela mudança parte dos dois, mas também podem formatar falsas mudanças, aparências que com o tempo se desmancharão. Quando as estratégias para mudar o outro são muito agressivas, imponentes ou exigem padrões muito opostos a o que ele realmente é ou acredita, o relacionamento entra em conflito.
É comum ocorrerem embates quando um dos cônjuges é insaciável, espera mais e mais do outro e mesmo que este lhe faça inúmeros agrados, nunca será o suficiente. Aqui existe um sentimento de menos valia, pensa que o outro não o valoriza, pensa que o outro poderia fazer mais, cobra muito porque acredita que é dever do outro se esforçar para lhe agradar. Só consegue mensurar o amor do outro pelo tanto que ele cede e lhe serve. Na verdade, tem falta de amor próprio e confere ao outro a obrigação de suprir isso.
No outro lado se encontra um que faz de tudo para agradar, e como nunca consegue se sente incapaz, impotente. Se vê desvalorizado, pois o outro nunca reconhece seu esforço. Por mais que faça o máximo que pode, o esposo (a) sempre considera o mínimo. Fica acuado, desmotivado, infeliz por não ser capaz de fazer feliz o outro. Ai a autoestima decai e olhar para uma terceira pessoa acaba por se tornando uma alternativa. Aqui é uma grande brecha para os relacionamentos extraconjugais.
O insaciável também é tendente a procurar outros amores, mas se isto acontecer a história se repetirá. Pois nenhuma pessoa será capaz de suprir seu vazio existencial. Por mais que acredite que um grande amor resolverá, isso nunca vai acontecer. Essa procura, esta falta não está no outro, não está em nenhuma pessoa ou coisa exterior a sí.
Quando as pessoas estão insatisfeitas consigo mesmas fazem, inconscientemente, uma projeção no outro. Passam a acreditar que o marido/mulher é culpado pelos seus desgostos. Os atos alheios são percebidos como exacerbadamente errados, incorretos, irritantes e não consegue enxergar nada além do que a própria verdade. Se algo em seu companheiro te irrita profundamente é porque esta revelando algo sobre você. Caso não consiga enxergar é hora de procurar ajuda externa. 

Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170

Publicado no Jornal de Notícias A Folha de Saltinho dia 15-03-2014
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

segunda-feira, 10 de março de 2014

PRINCIPAIS TEORIAS: III. PSICANÁLISE


Psicanálise é a abordagem mais notável em Psicologia, tendo em vista que seu fundador, o Neurologista Sigmund Freud, produziu ao longo de sua vida excepcional obra, tanto que o dito ‘Freud explica” se popularizou por conta de seus estudos valorosos e valiosos sobre a mente e comportamento humano. Formado em Medicina em 1882, se dedicou assiduamente em encontrar tratamento eficaz para pacientes neuróticos e histéricos, o que lhe rendeu a criação da Psicanálise.
Psicanálise é um método de investigação do funcionamento da mente, um sistema teórico sobre o comportamento humano e de tratamento para desordens psíquicas. Inúmeras abordagens derivaram da Psicanálise, rapinaram partes de seu saber para constituirem-se ou, pelo menos, foram nitidamente influenciadas pela tradição Psicanalítica.
O marco para a fundamentação da Psicanálise foi a descoberta do Inconsciente. Freud assim nomeou ao espaço mental onde fica encoberto a maior parte de nossos conteúdos, as coisas que ‘esquecemos’, ou deixamos de lembrar, enfim, a esfera mais profunda da mente. Como um iceberg que esconde sua maior proporção nas profundezas e só deixa a vista (Consciente) uma pequena parte, assim é o Inconsciente que armazena exatamente tudo que se sente, pensa, vive e se interpreta disso tudo e, o mantém guardado. O Inconsciente foi descoberto através dos estudos de atos falhos, lapsos e sonhos, pois são nestes que ele se manifesta.
A Psicanálise explicou sobre a sexualidade infantil, que é o registro psíquico do prazer na infância. Enfatizo que sexualidade não se remete ao ato sexual em si, mas a tudo que proporcione prazer, independente do órgão. Existem fases que a libido perpassa (oral, anal, fálica e de latência, consecutivamente) até se constituir adulto, que é genital.
O aparelho psíquico de cada pessoa é composto por três instâncias que regem a sobrevivência: Id que é instintual, impulsivo, imediatista, funciona a partir do princípio do prazer, busca satisfazer os desejos a todo custo; O Superego que é a moralidade, censura, é a consciência moral, dita o que pode e o que não pode fazer, pensar, falar, é a lei; Já o Ego vai fazer a mediação entre estes, tenta satisfazer os desejos do Id concomitante as exigências do superego, quando falha nessa harmonização ocorrem os problemas psíquicos.
O papel do Psicanalista consiste em captar além daquilo que o paciente diz conscientemente, captar as entrelinhas, não se atentar apenas a conteúdos especifico, mas abranger o todo para identificar o conflito, a demanda e interpretar. O objetivo da Psicanálise é o aclaramento progressivo da dinâmica inconsciente. O método usado na clínica se chama associação livre, no qual o paciente é incentivado a falar livremente as coisas que lhe vierem a mente, sem restrições para que emerjam os conteúdos os inconscientes e seja trabalhado neles.
Na Psicanálise não se atua apenas para a eliminação do sintoma, por esse motivo é um processo longo, de anos, pois eliminar um sintoma não significa curar a pessoa. Se um terapeuta apenas tira o sintoma (o que é possível em alguns meses) sem curar, surgirão outros e outros, pois não foi resolvido verdadeiramente o  conflito. Isso torna a Psicanálise o tratamento mais completo e eficaz em saúde mental.

Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 01-03-2014
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)