sexta-feira, 30 de novembro de 2012

DRAMA CONJUGAL: SEPARAR VAI ADIANTAR?


Os desvarios enxergados nas questões conjugais contemporâneas têm causado polêmica, principalmente pelo fato de que os conteúdos que antes eram permeadas por certo conservadorismo agora se repercutem sem nenhum pudor diante da sociedade. Vive-se o extremo do que foi vivido um dia. Levanta-se a indagação de até que posto isto é saudável.
Há pouca nitidez acerca do que se quer. Afinal, em um mundo tão veloz são poucas as pessoas que despendem de um tempo para se questionarem sobre seus atos. Estudiosos muito refletem e reverberam acerca deste comportamento humano de insatisfação nas relações amorosas. O resultado a que se chega é que tudo parte das questões mal resolvidas de cada um.
Hoje as pessoas trocam de companheiro como se estivessem trocando de sapato e não digo apenas nos casamentos, mas em qualquer relação de enamoramento. É a chamada era do prazer. Todo mundo vive em função de buscar incessantemente objetos, coisas, pessoas que lhe propiciem algo agradável momentaneamente, mas que são descartáveis. É simplesmente assim que os indivíduos estão começando a considerar o cônjuge: um objeto que pode ser substituído a qualquer momento por algo novo com alguma aparente vantagenzinha a mais, como é feito com um automóvel quando ele começa a apresentar defeitos (que cá entre nós, é devido á má utilização e falta de assistência) ou quando aparece um modelo mais completo no mercado. Chocante, não? Entretanto é exatamente isto que está sendo feito na área amorosa, o sujeito que outrora foi chamado de “meu amor” passa a ser o algoz em fração de segundos.
Tem gente que já está lá no seu terceiro ou quarto casamento, está pensando em se divorciar e ainda tem a capacidade de atribuir a culpa pelo término do relacionamento ao companheiro. Tem homens que dizem que não tiveram sorte com mulheres e mulheres que também afirmam não terem sorte com homens. Ou não tiveram sorte, ou construíram o seu revés, a segunda opção se mostra mais pertinente. Pensando bem não dá para atribuir a culpa a apenas um dos cônjuges, porque não tem como casar e se divorciar sozinho. É incontestável que isto é resultado do novo mundo que todos estão elaborando.
Por que tem pessoas que não conseguem fazer perdurar um relacionamento? Há algo esquisito pairando na mente das pessoas, elas estão cada vez mais procurando fora de sí algo que é extremamente intrínseco: a completude, a felicidade, a realização. Culpabilizar o outro é um movimento quase mecânico, mas não é a melhor forma de resolução de conflitos.
A incapacidade de lidar com as próprias frustrações impedem que um relacionamento seja duradouro, aí o divorcio surge como a atitude mais viável e assim se perpetua a ocorrência de casamentos fracassados. Uma questão mal revolvida que se estenderá por todos os relacionamentos posteriores se não for superada. Ir para a psicoterapia não seria mais conveniente e eficaz?
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 29-10-2011.

PODE SER PLACEBO, O IMPORTANTE É SER MEDICADO


Geralmente as pessoas procuram um hospital com o intuito de consultar, mas não apenas isso, elas vão à busca da extraordinária, poderosa, estupenda “receita médica”. E não digo apenas os hipocondríacos. Em geral, tem muita gente que adora uma pílula básica para enfeitar seu dia. Quem vai consultar sem esperar, ao menos, uma receitinha que atire o primeiro remédio!
Uma viúva sente-se triste, desatinada pela adversidade que a vida lhe impôs, vai ao psiquiatra, que em uma consulta de 20 minutos lhe receita Fluoxetina, afirmando que este medicamento vai “fazê-la mais feliz”; Um garoto vai a uma consulta semelhante a esta, queixando-se de sofrer muito por sentir ciúmes da namorada, sai receitado de Risperidona, pelo Psiquiatra que lhe afirma ser um remedinho “para tirar teu ciúme”.  Estes exemplos são casos reais, e muitos outros semelhantes a estes acontecem rotineiramente.
Quero salientar que não esta sendo posto em questão o Médico, mas sim a pessoa. Um Psiquiatra tem conhecimento (ou ao menos deve ter) para dizer que fármaco usar, em qual dosagem e os mais diversos efeitos que eles promoverão. Nestes dois casos específicos, tais profissionais apenas não foram felizes na sua colocação medíocre a respeito da atuação destes fármacos. Será que o prometido irá efetivamente ocorrer? Será que uma pílula tem poder de assegurar a felicidade, ou de deixar uma pessoa realmente segura e confiante?
É sabido que, assim como todo psicofármaco, tenha surtido lá seus possíveis efeitos, mas o dito, tem que se convir, foi um tanto fantasioso. É incerto dizer que resolveu o problema dessas duas pessoas, tendo em vista que não é uma questão fisiológica apenas, mas envolve ocorrências angustiantes na vida.  Em vez de a viúva conseguir ajuda para elaborar o luto que vive pela perda do marido, simplesmente opta pelas pílulas da suposta felicidade, ou seja, não sente tanta dor, mas o luto continua ali. No caso do menino, as inquietações dele não foram solucionadas, apenas caladas momentaneamente.
Em muitos debates acerca do tema já foi atribuído a responsabilidade aos Médicos que tanto são mantenedores desta cultura de tomar remédio para tudo, até questionado sobre os ganhos que estes teriam com isso. No entanto, isso passou a ser encarado por um novo viés: as pessoas gostam de sair de uma consulta portando receitas. Isto mesmo, as pessoas querem, desejam, almejam ser medicadas, mesmo que não haja necessidade para tal. Tem também os adeptos da profilaxia, que vivem tomando remédio porque pensam que assim evitarão futuras doenças.
Quer ver uma pessoa chateada, é quando ela sai de uma consulta em que o Médico diz que ela não tem patologia nenhuma, que é tudo de origem psicológica, depois de uma exaustiva bateria de exames. Algumas procuram outros profissionais, até que um abençoado lhe receite algo para deixá-la satisfeita.
Talvez isto seja causa da cultura, da civilização, da evolução, da tecnologia e mais lá o que for que incita as pessoas a buscarem soluções rápidas, velozes, instantâneas para todos os âmbitos de suas vidas, inclusive no quesito saúde. Pra quê trabalhar uma questão pessoal, se esta mesma questão pode ser anulada de uma forma tão ligeira? Bendito seja quem inventou o placebo!
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 22-10-2011. 

DEPRESSÃO À VISTA: O QUE PENSAR?


Quando se fala em depressão a primeira coisa que vem a mente é a ideia de alguém muito triste, que não come nem dorme direito, só chora e/ou adota comportamentos de gênero, pensa-se em uma infelicidade tremenda por algo que tenha acontecido ou até mesmo sem algum motivo concreto. Este conhecimento de senso comum leva a pensar que o depressivo é um inconformado com a vida, infortunado que só sabe reclamar e vivenciou muitas desgraças, só que não é necessariamente isso. Depressão é uma patologia clínica, está entre os distúrbios do humor e implica sim e muito sofrimento psíquico.
A palavra “depressão” é oriunda do grego deprimere, o de” tem a significação de baixar e “premere” corresponde a pressionar, significando assim pressão baixa. É um termo relativamente recente, que foi introduzido no debate sobre melancolia em contextos médicos apenas no século XVIII.  É categorizada como um transtorno afetivo, sendo estes marcados pela perda do senso de controle e demandas de intenso sofrimento subjetivo.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) a depressão é mais comum em pessoas do sexo feminino, um décimo da população mundial já foi acometido por depressão, e ainda faz uma previsão de que esta será o maior problema de saúde até o ano de 2030, isso no mundo todo.
A emergência da depressão não é exclusivamente de fatores externos, estes podem até desencadeá-la, mas o motivo de sua ocorrência parte de motivos biológicos. A ciência afirma que a depressão é fundamentalmente originária de um desequilíbrio bioquímico do cérebro. Há a disfunção cerebral, ou seja, a liberação de alguns neurotransmissores, como a serotonina e a noradrenalina, são limitados, escassas, insuficientes, o que promove certo rebaixamento no humor. Isto tudo associado ao estilo de vida, eventualidades de situações desgastantes ou traumáticas, alimentação, tudo que possa implicar em demasiado sofrimento psíquico contribui para o desencadeamento do quadro de depressivo.
Por ser um distúrbio desabilitante promove um declínio na vida ocupacional da pessoa e isto progressivamente. Este declínio se mostra através de sintomas físicos e emocionais como isolamento social, apatia, desânimo intenso, anedonia e falta de interesse de executar qualquer atividade, além de apresentar uma modificação no quesito sono e peso (engordar, emagrecer, insônia, sono excessivo). Se não for tratada adequadamente pode levar a casos extremos como o suicídio.
O depressivo não tem um panorama do depois, ele não consegue construir uma possibilidade boa para o pós-crise, fantasia pela perpetuação de seu sofrimento, como diz Jean Laplanche “O deprimido vive num tempo que não passa”, e por achar que aquele momento terrível vai se perpetuar para o todo sempre, chega a conceber a morte como uma alternativa.
Ninguém sai do estado depressivo sozinho. O tratamento aderido diante da depressão parte essencialmente de via medicamentosa e psicoterápica. Deve-se salientar que ambas devem ser utilizadas em conjunto, pois são complementares. A utilização do medicamento não substitui a terapia bem como vice versa.
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 15-10-2011.



DOR: UM BICHO DE SETE CABEÇAS


Sendo um fenômeno subjetivo de sensação ruim, a dor pode ser expressa como uma experiência desagradável, tanto sensorialmente quanto emocionalmente, que decorre de uma lesão real ou potencial dos tecidos do organismo. É parte integrante da vida, pois está presente desde o nascimento até a morte, sendo essencial para a sobrevivência pela função que tem de proteger o organismo.
Por um longo período, a dor foi entendida a partir de ideias místicas como intrusão de fluidos mágicos, desequilíbrio de energia, paixão da alma, forma de iluminação. Dependendo da cultura, nos tempos mais primórdios, o sentir dor podia variar entre ser considerado um mérito, como forma de mártir, ou castigo divino. Por mais que pareça retrógrado este pensamento, ainda hoje é a cultura que determina o significado do sofrimento das pessoas, e esta questão de castigo está muito arraigada.
Os gregos antigos classificavam a dor como sendo uma emoção. A primeira grande contribuição ao estudo da dor foi feita por René Descartes no ano de 1664 que descreveu a dor como sendo uma sensação percebida no cérebro, oriunda da estimulação dos nervos sensoriais.
O fenômeno dor se inicia nos receptores especiais da dor que se localizam por todo o corpo, chamados “nociceptores”, sendo uma justaposição da palavra “nocivo”. Por via de um impulso elétrico a informação da dor é direcionada a medula espinhal e posteriormente chega ao cérebro onde é interpretada esta dor e a pessoa passa a dar conta dela, isto se chama percepção da dor. Em seguida há a reação da dor, que é uma resposta do individuo diante da sensação desagradável.
Existe a dor aguda, que se apresenta por lesões nos órgãos e permanece por um período relativamente pequeno (a dor do parto); A dor crônica, que dura um longo período por estar associada á uma doença (dor de uma patologia crônica) e; A dor recorrente, que ocorre intermitentemente, dói, para e retorna, mantendo este círculo por toda a vida do sujeito (a dor da enxaqueca).
O sentir dor é uma experiência subjetiva, pois engloba características fisiológicas concomitante às características individuais do sujeito, como histórico de vida e o contexto em que ela está sendo percebida e as implicações culturais. É desencadeada a partir de uma agressão feita ao organismo.
A dor pode variar para mesma pessoa a cada situação dolorosa e envolve o local onde a dor é manifesta, a qualidade e intensidade da dor, a freqüência, a natureza, a etiologia e a duração. A experiência dolorosa é resultante da interconexão entre a interpretação do sensorial com os integrantes afetivos, cognitivos, comportamentais com as reações fisiológicas do estimulo ou agressão do sistema nociceptivo. Tem uma característica singular sendo que o sujeito que a sente lhe atribui significados idiossincráticos ao fenômeno sensorial que ela representa.
Quem manifestou um pensamento bem congruente sobre a dor foi Lance Armstrong afirmando que “A dor é temporária. Ela pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas finalmente ela acabará e alguma outra coisa tomará seu lugar. Se eu paro, no entanto, ela dura para sempre".
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 08-10-2011. 

EXIBICIONISMO: NOS BASTIDORES DA CULTUAÇÃO AO EU


Após o surgimento da Psicanálise ficou evidente que o ser humano é extremamente narcísico. Sigmund Freud em 1914 fez uma introdução ao estudo do narcisismo, dizendo que este movimento de autoerotismo eclode nos primeiros momentos de vida, concentrando toda a energia libidinal no ego e isto servia como uma proteção que sustenta as fantasias megalomaníacas infantis.  No decorrer do desenvolvimento a pessoa começa a se dar conta da existência do outro, que é exterior a ela, e com isto desloca a energia de si mesmo para o externo, que passa a ser seu objeto de desejo e satisfação. Percebe que não adquire prazer apenas consigo mesmo, mas também com algo que não lhe é pertencente.
Isto posto, percebe-se na contemporaneidade o narcisismo manifesto no mostrar-se, isto tem ocorrido como um fenômeno de massa. As pessoas estão investindo demasiada carga libidinal no seu eu, estão ensimesmadas, abstraídas. Nunca ouve tanta exposição do eu como agora e, nunca houve tantos meios para a exibição. O exibicionismo está se tornando a principal forma de obtenção de prazer.
A internet tem propiciado um terreno fértil para o exibicionismo, é epidêmico o número de redes sociais que tem rebentado na atualidade. A criação de imagens (duvidosas) acerca de quem são aparenta significar muita satisfação. Mas o que revelam diz respeito acerca de quem são realmente, ou criam uma fantasia como na primeira fase do desenvolvimento?
Vive-se uma ilusão social, algo que não corresponde com a realidade, ou melhor, uma mentira. As pessoas se pintam da maneira como julgam necessário. Constroem-se e isto provoca certa confusão acerca de quem se é. Pode-se dizer que é um mecanismo infantil, uma fixação no primeiro período da infância. Fica a dúvida entre ser um fenômeno patológico ou social, porque apesar de representar uma forma de obtenção de prazer (o que é natural no ser humano) representa também uma fuga da realidade, mas que muito é incentivada socialmente. Homossexualidade também um dia foi considerada patologia e hoje não mais.
Vive-se uma ditadura da exibição mascarada pela espontaneidade. Todo mundo quer parecer feliz, popular, inteligente, satisfeito, saudável, independentemente disto que está sendo exposto ser verídico ou não. Há uma exposição de naturalidade de uma maneira extremamente artificial, a suposta segurança apresentada esconde a extrema insegurança por detrás do fenômeno imprimido.
Hoje não é mais a pessoa que escolhe ser quem ela é. Hoje é a cultura quem diz. Hoje as pessoas não mais recebem elogios, elas mesmas se elogiam. Quem tem interesse demasiado de expressar ser o máximo certamente está tentando esconder o fato de se sentir o mínimo.
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 01-10-2011.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

SOCIEDADE PROFANADA: DE QUEM É A CULPA?


É notória a discrepância da forma em que vivemos em relação a nossos antepassados. Os comentários inferidos por pessoas que foram jovens no século XX deixam bem claro que a qualidade de vida passada era em demasia superior a atual, exceto em termos de tecnologia, é claro. Nunca o mundo foi tão fraudulento e perigoso como esta se tornando e isso progressivamente.
E como não falar em profanação do mundo se a cada segundo nos deparamos com situações que passam do ridículo, mas que nossa percepção poluída já analisa como normal? Como incentivar os jovens, denominados futuro da nação, a lutarem, estudarem, se prepararem para ser alguém na vida se e mídia ensina que existem formas bem mais fáceis (mesmo que corruptas) de se dar bem? Como querem que nossos filhos sejam bem educados se estupramos sua mentalidade lhes inferindo programas impróprios? Como acabar com a pobreza do mundo se incentivamos o ato de mendigar através destes benefícios fajutos que o governo tem propiciado?
Reclamações da qualidade de vida que se tem fazem parte do diálogo constante das pessoas. Umas reclamam do emprego, outras do preço dos alimentos, algumas da escola do filho, do marido, do vizinho... Mas não passam de reclamação e, o indignante é que estes mesmos seres reclamantes não se dão conta é que eles mesmos são provedores das desgraças que lhe sobrevém.
O Brasil é um país onde se tem maior liberdade de expressão do que a maioria dos outros e ainda assim as pessoas demonstram certa “aceitação muda” das próprias mazelas, como se fossem impossibilitadas de se manifestarem ou visualizando as situações com normalidade.  Atuam passivamente atribuindo seu conformismo e falta de atutude a sociedade injusta à qual pertencem.
Quem é injusto? Nós que poluímos nossas famílias com finais de semanas inteiros enfornados na frente de uma televisão assistindo programações débeis ou um país (que afinal, é moldado por seus cidadãos)? Em qualquer uma das opções acabamos por nos condenar. Vivemos as desgraças que criamos e ainda temos a capacidade de nos mascarar de vítimas indefesas. Estudos de Psicologia apontam que as três instituições mais fortes da humanidade estão atualmente falidas, são elas: a igreja, o casamento e a família. E... De quem é a culpa?
É muito intrigante as situações que permeiam nossas vidas porque não queremos que roubem nosso carro, mas pagamos um salário miserável a nossos funcionários. Não queremos pagar juros de cartão de credito, mas um imposto de 40% é pago sem hesitações. Não queremos divórcio, mas traímos nosso companheiro. Não queremos violência, mas batemos em nosso filho com o pretexto de educá-lo. Não queremos destruição da família, mas nós mesmos a destruímos. Como diz um Provérbio “aquilo que o homem semear, isso também ceifará”. Viva nossa plantação.
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 24-09-2011. 

ADOLESCENTE: UMA VIDA EM METAMORFOSE


Indagar sobre adolescência, de alguma maneira simboliza abeirar paradoxos, implica em permear aquilo que é alheio, concomitante á aquilo que é íntimo. Há uma quebra dos padrões antigos, um desequilíbrio, uma instabilidade. O que outrora foi bem estabelecido não mais são se faz pertinente e sensato.
Adolescer é a conclusão do processo de desprendimento que se inicia ao nascer. Tanto as mudanças físicas quanto as psíquicas fazem com que ele mude a maneira de se relacionar com o mundo, experimenta-se a flutuação entre dependência e independência.
A palavra adolescente é oriunda de adolescere, um verbo latino que comporta juntamente duas significações: Amadurecer, no sentido de crescer, desabrochar, que ocorre no corpo biológico e; Adoecer porque se refere a uma época de crise psicossocial que faz com que o sujeito vivencie uma etapa de adoecimento enquanto ser existente.
A problemática do adolescente se dá sob influência da família, da sociedade, da cultura e principalmente do contexto histórico em que se está inserido. Experimenta-se nesta fase uma condição de vulnerabilidade, por estar com o emocional abalado, pelas incertezas, pelas perdas e aquisições exuberantes e por tudo mais que é novo neste período batráquio.
Há uma sobrecarga energética que fica contida pelo fato de não se saber deslocá-la, por ser tudo novidade. O adolescente é uma pessoa “crua”, inexperiente, pouco provada, não vivida que tem a ânsia de se conhecer e reconhecer seus papéis diante da sociedade. Vive em crise por não ter consistência reflexiva acerca de quem se é. É considerado adulto para ajudar nos afazeres domésticos, mas criança demais para sair sozinho, já é grande demais para brincar, mas muito pequeno para namorar, entre outras desconcordâncias. Ele não consegue se localizar como ser no mundo e isto provoca uma bagunça na sua identidade.
Muitas vezes considerado pela sociedade como um anarquista, problemático, irreverente, o adolescente vivencia um período mais conflituoso para ele próprio do que para qualquer outra pessoa. Vê se desmanchar tudo o que ele era e renascer uma vida diferente, e isto é frustrante para qualquer pessoa. O que bem expressa isso são os postulados de Donald Woods Winnicott que retrata o adolescente como um ser que procura, por várias vias, usando de violência ou gentileza, mostrar ao mundo seu débito, ou tenta fazer o mundo “reconstruir a moldura que [um dia] foi quebrada”. Adolescer quer dizer passar por um período de revolução e construção da subjetividade.
O adolescente tem o imaginário muito aflorado, tem uma consciência reflexiva muito ativa, tem força, coragem para lutar pelo que acredita, começa a construir seus ideais e os vive intensamente. É uma época de muitas instabilidades, no entanto, necessárias para que o individuo estabeleça seu espaço no mundo e se aproprie das suas verdades singulares. Este impasse de identidade que ele vivencia é natural, já que não é mais criança e nem é, ainda, um adulto.
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 17-09-2011.

AFETOS: A QUE SE DESTINAM



Tem um ditado que se tornou bem popular, da autoria de Blaise Pacal que diz que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Isto é repedido no senso comum sempre que se fala em questões de afetividade. Mas a que se referem estas razões desconhecidas pela própria razão?
O fato de o comportamento sofrer influência de fatores internos já é configurado cientificamente. São os afetos que proporcionam um colorido especial na vida das pessoas. Expressos nas volições, desejos, sonhos, fantasias, esperanças e principalmente nas ações, englobam desde pensamentos até comportamentos, ou seja, são eles que demonstram a condição de estar vivo no mundo. Derivando do latim “affectus”, a palavra afeto tem como significado atingir, abalar, afligir.
Toda a ação das pessoas é acompanhada de reações afetivas, aquilo que é sentido incita, norteia, direciona o coportar-se, abarcando as dimensões de prazer e desprazer em seus diferentes aspectos. Os afetos podem ser manifestos via emoções ou sentimentos.
A emoção é uma expressão afetiva imediatista, representada por manifestações intensas e breves em resposta a alguma eventualidade e é uma vivencia transitória. Palavra oriunda do latim “emovere” significa movimentar, agitar, animar. Toda emoção deixa explícito o afeto nela contido pela expressão corporal (choro, riso, susto, tremor, enfim, toda gesticulação). Quando se depara com emoções, ou até mesmo pelo fato de pensar em determinadas situações, já faz com que os músculos faciais se movimentem involuntariamente e demonstrem o afeto que aquilo representou.  A ira, a alegria, o êxtase, nojo, vergonha, desprezo, medo, atração física, são exemplos de emoções.
Já os sentimentos são antagonistas às emoções, são um estado relativamente estável como gratidão, lealdade, carinho, não produz excitações exacerbadas e com isto interferem menos nas ações imediatas. Correspondem aos afetos básicos de amor e o ódio. É uma ocorrência atenuada e durável, não são acompanhados de reações orgânicas explosivas como ocorre nas emoções. Vertendo do latim “sentimentum” designada como opinião, afeição, é algo privado que categoriza o tipo de energia psíquica que se emprega a cada objeto.  
A emoção é um sentimento precedente ao sentimento. Uma emoção de atração pode se tornar em um sentimento de amor, bem como uma emoção de raiva pode se transformar ódio. Emoções e sentimentos estão constantemente presentes na vida das pessoas, pois os estímulos externos são captados, percebidos a todo o momento.
Primeiramente uma situação é percebida e com isso há uma emoção emergente desta, juntamente com a emoção é feita uma avaliação do que é sentido e posteriormente esta emoção dá origem a um sentimento. O ditado do inicio faria mais sentido se fosse “a emoção tem razões que a própria razão desconhece”.
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 10-09-2011. 

A DILAPIDAÇÃO DO SUJEITO NA ADOLESCENCIA


O adolescente nem sempre foi foco de interesse científico, isso porque é uma nomenclatura muito recente em termos de estudo, até algum tempo atrás a etapa hoje denominada adolescência era percebida com certo desdém. Falava-se em criança e em adulto e a evolução entre estas fases ficava esquecida, omitida, deixada de lado.
A palavra adolescente deriva do verbo latino “adolescere” que tem dois significados juntamente: amadurecer e adoecer. Amadurecer no sentido de crescer, desabrochar, que ocorre no corpo biológico. Adoecer porque alude a uma época de crise psicossocial que faz com que o sujeito experimente um período de adoecimento enquanto ser existente. Refletir sobre adolescência sempre vai significar abeirar ambivalências.
A adolescência se inicia com o processo de mudanças corporais, evidenciando a sexualidade enquanto sensações e promovendo contradições que muito afligem. Além de carregar um novo corpo, carrega-se um novo mundo e isto é extremamente angustiante para o adolescente, por isso ela cria uma realidade paralela, fantasia muito na tentativa de evitar o desprazer, de lidar com o insuportável.
O adolescente tem um prejuízo na questão de referencial, vivencia um paradoxo, ao mesmo tempo em que é grande demais para ser criança é pequeno demais para ser adulto. Há muitas perdas nesta fase, ele perde a menção de tudo que ele conhecia até então, é uma etapa de lutos constantes. Luto pela perda do corpo infantil, pela perda dos pais da infância, perda de como era tratado pelas pessoas, perda dos papéis que desempenhava e das atribuições que tinha. Ele tem que abrir mão de quem era e se reconstruir novamente. Remete ao pensamento de morte, morrer quem era e renascer um novo ser, sendo assim um processo de metamorfose.
O principal ponto desta etapa do existir é a separação da família. Se antes mantinha uma posição de dependência afetiva, social e econômica da família, agora tenta se desvincular. Começa a construir sua independência, escolher socialmente, participar de grupos sociais, a maior parte de suas atividades não é mais em companhia da família, ou seja, percebe que o seu querer é diferente do querer dos seus progenitores. Isto por vezes provoca insegurança e susto nos pais, mas é um movimento saudável e indispensável para elaboração da subjetividade do adolescente, isto rompe com a alienação da infância e possibilita que o sujeito se perceba e se construa.
São nítidas as instabilidades que eclodem na adolescência, por vezes, as peripécias do adolescente fazem com que ele seja incompreendido e estigmatizado, sendo descrito como uma pessoa intolerante e conflituosa. Tal comportamento revela um sujeito indefinido, que aspira encontrar seu lugar no mundo. Por mais que suas anarquias aparentam ser importunas, são extremamente necessárias para que o sujeito se estabeleça no seu espaço e se delineie enquanto sujeito. Foucault expressa bem o pensamento adolescente quando aborda a inconstância do existir: “Não me pergunte quem sou e não espere que eu continue o mesmo”.
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no jornal de Notícias impresso “O Paraná” no dia 19-08-2011. Também disponível nos sites www.saltinhoweb.com e www.afsaltinho.com.br

LIBERDADE NÃO É LIBERTINAGEM


A ânsia por se sentir dono de sí é um desejo pertencente a todas as pessoas. Ser autosuficiente e se colocar no domínio da própria vida promove certa sensação de segurança, mantém a autoestima mais elevada e é sim saudável. Este desejo de estar no controle, de nivelar e dominar os próprios caminhos incita as pessoas a adotarem posturas que a reafirmem como sujeitos livres. Mas o que seria realmente esta tal de liberdade?
É estarrecedor a forma como as pessoas confundem a palavra liberdade com libertinagem, sendo que a diferença entre ambas é discrepante. Enquanto a liberdade diz respeito ao direito do sujeito de se posicionar conforme ele desejar, desde que não se oponha ao direito do outro a libertinagem é totalmente o oposto, faz referência a devassidão, a falta de limites, tanto com o outro, quanto consigo mesmo. “Ser-se livre não é fazermos aquilo que queremos, mas querer-se aquilo que se pode”, esta afirmação de Jean-Paul Sartre esclarece nossa circunstância de ser livre.
A liberdade é inerente ao ser humano, é uma condição, cada um é livre e pronto! Mas o que fazer com esta liberdade compreende um campo bem mais complexo. A palavra liberdade traz ao pensamento a ideia de infinito, mas engana, porque ela é limitada. A liberdade de cada um vai de encontro com a liberdade que o outro também tem e aí depara-se com o limite.
O ser que se apropria da sua liberdade é aquele que escolhe para si, sabe o que quer e faz um planejamento para conseguir o que deseja, não dissimula seus valores e nem se utiliza das pessoas ao seu redor como bode expiatório. Só que às vezes, a pessoa aspira tanto não ser alienada que, quando tenta assumir sua condição de livre adota expressões não muito pertinentes e sensatas, transformando, desta forma, sua vida livre em libertina. O que não percebem é que a libertinagem contém em si própria a alienação.
Sim, porque o libertino não faz o que ele quer, ele faz coisas para mostrar para o outro sua (suposta) potência, intenciona evidenciar que faz o que tiver vontade, que se manda, mesmo que lá no fundo ele não queira realmente fazer o que está fazendo, mas atua em função de quem e para quem o enxerga, um tanto exibicionista. É o caso daquelas pessoas que são “do contra” ou daquelas que fazem qualquer coisa pra se enturmar, mesmo que as peripécias que tenha que cumprir vá contra seus valores pessoais. Desempenham um papel muitas vezes prejudicial a si mesmo para se afirmar perante o outro, pensando que a liberdade é ilimitada.
Enquanto a liberdade proporciona ao sujeito a autenticidade, a libertinagem leva a reprodução inautêntica de comportamentos alheios e incongruências. Isto posto, fica a pergunta: Será que viver em função de se reafirmar como sujeito dotado de poder é ser livre ou, será que é ter pouco domínio e clareza sobre quem se realmente é?
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 03-09-2011. 

A VERDADE SOBRE O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)


O Sistema Único de Saúde (SUS) foi designado como um sistema ideal. No projeto está estabelecido como um modelo perfeito, tanto que foi até copiado por muitos outros países. Porém esta perfeição encontra-se apenas nos papéis, o que ocorre realmente no cotidiano da saúde pública não tem nada a ver com o que está estabelecido por lei.
            A Lei 8.080 instituída em setembro de 1990 assegura a todos os cidadãos brasileiros, em todo o território nacional, o direito indeterminado de usufruir de ações e serviços de saúde, sendo que é dever do Estado fornecê-los por completo. Ou seja, todas as pessoas (absolutamente todas!) tem direito a serem atendidas, bem como ter acesso a tratamento das mais diversas complexidades, conforme se fizerem apropriados.
Os princípios do SUS englobam: universalidade, equidade e integralidade. Significa que deve prestar atendimento a qualquer pessoa, sem distinções ou restrições, independente da raça, sexo, idade, posição social, religião etc., oferecendo a atenção que for necessária a todos, bem como ser imparcial, sem privilégios oferecer serviços e recursos de acordo com a necessidade subjetiva de cada um e ter profissionais de saúde especialistas para todas as mais diversificadas áreas de atuação em saúde, fornecendo assim tratamentos por completo. Cumprir com isso é um encargo, um dever, uma obrigação do SUS.
Frequentemente a ideia de atendimento pelo SUS está associada a pessoas menos favorecidas ou que não tenham condições financeiras de arcar com atendimento particular, mas isto é um equívoco porque é um direito de todos os cidadãos, desde o com menor poder aquisitivo até o com maior. Não poderia nem existir plano de saúde porque como o nome já diz, o SUS é o sistema “único”. 
O ato de conseguir atendimento em saúde pública muitas vezes é visto como questão de sorte (é atendido quem não morre na fila), mas jamais deveria ser concebido assim, é um direito, tendo em vista que é uma entidade mantida pelos orçamentos da seguridade social, todas as pessoas contribuem, direta ou indiretamente, para a sustentação do SUS. Quem paga plano de saúde ou atendimentos médicos particulares, paga duplamente, já que o SUS é mantido pelos impostos da população, que por sinal são exorbitantes. Pelo tanto que pagamos de impostos poderíamos exigir saúde pública até para nossos animais de estimação.
Tem um versículo Bíblico que diz que “o povo perece por falta de conhecimento”. E é exatamente isto que está acontecendo. As pessoas têm pouca clareza dos seus direitos por isso permanecem no conformismo. Se você não está recebendo atendimento conforme consta na Lei tem toda razão, direito e até dever de “bater o pé” e exigir. Agora você já tem o conhecimento, é só reivindicar por seus direitos!
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 27-08-2011. 

AUTOESTIMA EM FOCO: APREÇO A QUEM SE É


No âmago da existência humana se encontra a questão de indagar sobre quem se é, e que valor é atribuído a o que se é. Essa imagem que cada um formula a respeito de seu ser é estruturada através de julgamentos que partem da expressão do social e que, no entanto, é introjetado e constitui a personalidade. De todos os julgamentos que se faz, nenhum é tão importante como o que se faz sobre si mesmo.
Partindo do autoconceito sendo este uma estrutura cognitiva, uma crença em relação a quem se é a autoestima, em contrapartida, é uma reação afetiva, uma avaliação referente a esta crença estipulada. Entendida como o valor que o sujeito atribui a sua subjetividade e o perpetua através das relações vivenciadas, a autoestima faz alusão à forma como o indivíduo elenca suas metas, aceita a si mesmo e a imagem que representa, valoriza suas características singulares e projeta suas expectativas. É um sentimento integrado ao longo da vida por meio das contingências oriunda das relações interpessoais, ou seja, uma construção de aprovação ou desaprovação autoimputada.
   Representa forte influência sobre a qualidade de vida, sendo uma necessidade básica do ser humano diante das vicissitudes da vida. Propicia uma adaptação saudável ao meio e integração do sujeito como pessoa e, seu nível repercutirá nas relações no trabalho, família, como lidar com as pessoas, como reagir, podendo até mesmo prever um prognóstico da realização pessoal.
Há quem diga que a autoestima é fomentada por situações apetecíveis em algumas áreas da vida, como poder aquisitivo, engajamento social, erudição, beleza física, sexo, ocorrência de algum marco como casamento, nascimento dos filhos, aquisição de bens ou qualquer outro evento que seja considerado desejável. Não tem como negar que certos atributos proporcionam alguma vantagem pelo fato de fazerem as pessoas se sentirem melhor no momento em que os provam e/ou mais seguras frente a determinadas situações. Todavia seria um equivoco afirmar que a autoestima parte da questão do conforto de que se desfruta. Ela não é uma condição humana e sim um eterno vir-a-ser.
Ter autoestima elevada significa se perceber, ter clareza dos próprios limites, se responsabilizar pela vida que leva, agir ativamente no próprio destino, confiar em si mesmo e não viver em função dos outros. Autoestima é algo extremamente particular.
“Todas as maravilhas de que precisas estão dentro de ti” disse Sir Thomas Browne.
Uma auto-estima adequada proporcionará uma reposta adaptativa diante dessas dificuldades e aumento da capacidade de reagir a eventos externos. Quanto maior contato consigo mesmo e com o meio circundante, melhor as respostas de adaptação, mais se desenvolverão as potencialidades. Para se ter uma autoestima saudável se faz necessário primeiramente que se conheça bem, que experiencie continuamente coisas novas, que passe a se enxergar como um ser com limitações e também com possibilidades, que é livre para criar a própria realidade.
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 20-08-2011. 

TRISTEZA E DEPRESSÃO: SEMELHANTES, MAS NÃO SINÔNIMOS.

É muito comum nas clínicas de Psicologia pacientes chegarem com o discurso de que estão com depressão, criam seu próprio diagnóstico pautando-se no senso comum onde denominam depressão algum sentimento melancólico que lhes causa tristeza, desânimo ou infelicidade. Por não saberem lidar com suas angústias, como suportá-las, buscam na Psicologia e na Medicina formas para conviverem com seus sofrimentos que, são sim dolorosos, mas nem sempre podem ser considerados patológico.
A tristeza, assim como os outros sentimentos, faz parte da vida psicológica normal, é um estado de humor que eventualmente são provados nas vivências cotidianas. Todas as pessoas passam por ocasiões, dias ou momentos do dia com um nível de alegria abaixo do que consideram o normal. A tristeza é uma ocorrência, pode se dizer, passageira e está relacionada a eventos cotidianos desagradáveis que tem a faculdade de deprimir, causar desconforto, angústia, mas não pode ser confundida com depressão, que é uma patologia psiquiátrica.
Partindo de fatores biológicos associado à situacionais, o desencadear da depressão implica em sofrimento significativo na vida ocupacional de quem a vivencia. Frequentemente o deprimido é descrito como um enlutado com a vida, aflito por perdas não muito nítidas, mas que significam um vazio na sua existência, assinalando uma dimensão de desamparo constante.
Somente é diagnosticado depressão quando a sintomatologia apresentada fecha um quadro clínico, ou seja, há além de sentimento de tristeza, a presença de outros sintomas clinicamente relevantes como anedonia, distúrbios de sono, de memória, isolamento social, fadiga, pensamentos de suicídio ou de morte, apatia, problemas psicomotores e cognitivos, ganha ou perda de peso concomitante a episódios depressivos recorrentes que estejam emergindo há pelo menos duas semanas.
As pessoas estão habituadas a querer denominar como doença tudo o que vivenciam que lhes provoca desconforto, mas viver com frustrações faz parte da natureza humana. Ficar triste e estar acometido por depressão são fenômenos dissonantes. O depressivo tem razão quando diz que sente tristeza, porque ele vivencia muito isso, mas o triste comete um equivoco em afirmar ser depressivo, pois nem toda tristeza é patológica. Como diz Ivan Teorilang “Acredite, como tudo na vida acontece por uma questão de hábito, com a tristeza não é diferente, se insistires em cultuá-la, estarás escancarando as portas para ela”.

Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 13-08-2011. 

CRIANDO GENTE: O PODER DA AÇÃO DOS PAIS


Num estudo da evolução da personalidade é impossível ignorar as ocorrências dos primeiros dias e horas da vida de uma pessoa, bem como a responsabilidade que o cuidador exerce sobre este primeiro momento. Certamente a mãe é a pessoa mais qualificada para desempenhar um papel protetivo em relação ao filho no decorrer desta fase de vulnerabilidade e dependência, que é a primeira infância, e propiciar um ambiente adequado para que se desenvolvam as potencialidades deste.
Os pais, ou quem desempenha esta função, têm uma inestimável contribuição na formação da identidade da criança. Esta se constitui sobre dois aspectos: o temperamento, sendo a instância herdada geneticamente, é a forma de manifestação dos afetos e; o caráter, que engloba as características que são aprendidas na infância, vem significar noções de certo e errado, bem e mal, ou seja, é a construção da ética e da moral, é algo subjetivo, mas que foi ensinado por alguém.  
São muitos os fatores que influenciam o desenvolvimento humano (hereditariedade, crescimento orgânico, maturação neurofisiológica), no entanto tem um fator que representa maior repercussão na estruturação da personalidade, é o meio em que se está inserido. Em se tratando do mundo psicológico sabe-se que há uma tendência inata ao crescimento que impulsiona o desenvolvimento físico e mental. Entretanto este desenvolvimento não ocorrerá de forma adequada e plena se não existirem condições suficientemente apropriadas para tanto.
A criança nasce com nenhum registro e vai se constituindo como pessoa através do outro. Não especificamente o outro de carne e osso, mas o outro de representação. O imaginário é estruturado através do que os pais dizem dela. O que foi esperado deste filho desde a gestação, as expectativas, o que é verbalizado a ele, são fatores extremamente importantes porque a criança constrói em cima disto o ideal do eu, aquilo que ela vai buscar ser no mundo quando crescer.
Os pais são o primeiro modelo que se contata e a pessoa toma este como premissa na sua constituição. Um dos grandes fracassos na criação de um filho é esperar que ele tenha características boas sem fazer nada para isto acontecer, ou pior, fazendo exatamente o oposto. Se uma criança cresce em um ambiente onde é depreciada, não tendo espaço para se expressar, ouvindo adjetivos ruins sobre quem ela é (ex. você é feio, não sei a quem puxou, é desobediente), é improvável que ela se torne sadia. É impossível ser uma pessoa centrada sendo criada entre desvarios.
Os pais pensam que filho é algo pronto, que nasceu já terminado, mas não é, é uma construção cotidiana. Por ser uma construção é de inteira responsabilidade dos pais a “criatura” que os filhos se tornaram. Cuidado com o que é dito a uma criança, a chance de ela tomar como verdade isto é exorbitante.
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 06-08-2011. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

CASAMENTO: UMA INSTITUIÇÃO EM CRISE


As pessoas casam, mas se separam também. As pessoas veem tanta separação que tem até medo de se casar. Alguns se casam pensando na possibilidade de rompimento e já esquematizam um “plano B” caso a relação não dê certo. No Brasil a cada quatro casamentos há um divórcio, sendo 71% deles requeridos pelas mulheres.
Um dos principais motivadores ao casamento é que as pessoas querem sentir-se acompanhadas por alguém, para fugir da solidão. Acreditam que o casamento vai fazê-las mais feliz. Pensam que sendo casadas terão mais status, segurança, terá com quem compartilhar experiências e dividir problemas além de ser mais bem aceito perante a sociedade que entroniza o matrimônio.
A visão construída socialmente quanto ao relacionamento conjugal para homens e mulheres é diferenciada. Enquanto para a mulher o casamento tem significado de amor, companheirismo, romantismo, para o homem significa constituir família, ter um lar, dar continuidade a linhagem. A mulher dá muita importância ao casamento, tanto que ela não suporta viver um casamento ruim, prefere separar-se a isso. Daí o grande índice de divórcios solicitados por elas.
O desejo de sentir-se amado é uma necessidade básica do ser humano, está no âmago da existência. O importante não é ser amado e sim se sentir amado. Por amor enfrenta-se todo tipo de obstáculo e sem amor tudo parece difícil. O casamento foi idealizado para suprir esta necessidade, porém no mundo real do casamento muitas coisas podem ser dolorosas.
O primeiro equívoco é idealizar um “feliz para sempre”, porque isso definitivamente não existe, felicidade são momentos e não um estado permanente. Muitos casais vão para o casamento apaixonados e crendo que vão viver aquilo para o resto da vida, mas paixão não dura pra sempre, ela termina um dia e surge então a possibilidade de dar espaço ao sentimento chamado amor.
O que acontece depois do casamento? Tem gente que se casa com o pensamento de que o companheiro vai fazê-la plena, completa, inteira e é aí que surgem os problemas. Esperam tanto do outro (que nunca consegue satisfazê-la completamente até porque ninguém tem este poder) e ao depara-se com a impossibilidade deste de lhe fornecer a plenitude simplesmente opta por acreditar que isto é o fim do amor.
É óbvio que com a convivência tende a se acarretar dificuldades, como em todo relacionamento interpessoal, surgem problemas a serem resolvidos e, se não há maturidade para isto começa o desgaste na relação. Quando casa a relação sofre modificações. Ninguém vai casar com a mesma pessoa para sempre, porque as pessoas mudam e os relacionamentos também.
Não existe uma pessoa capaz de suprir todas as necessidades de outra. Não se deve esperar perfeição, porque perfeição é utopia. Se cada um fizer uma autoanálise perceberá que nem de si mesmo deve-se esperar isto. Cada um é responsável pela própria felicidade, o cônjuge é apenas um complemento.
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 30-07-2011. 

MOVIMENTOS SOCIAIS NA CONTEMPORANEIDADE



Movimentos sociais são descritos como grupos formados com algum objetivo em comum que visam à melhoria de questões sociais de interesse mútuo de seus constituintes, sendo assim uma reivindicação social. Tendo suas raízes nos movimentos históricos mais primitivos, todo o contexto de socialização é responsável pelos grandes progressos do homem, uma vez que, é através dos movimentos grupais que se criam condições mais benfeitoras no quesito qualidade de vida.
Na contemporaneidade a emergência de grupos tem crescido concomitante ao desenvolvimento populacional, tendo em vista que surgem cada vez mais novos interesses e ideias de aprimoramentos comunitários. Eles surgem como uma proposta de mudança e por isso podem ser considerados como ameaça às classes dominantes e com freqüência sofrem afronta e repressão.
Deve-se salientar que só existe um grupo quando há um objetivo em comum, a meta a ser atingida faz com que todos se dediquem em prol do que necessitam e geralmente quando se atingem os objetivos desejados os integrantes tendem a se desagrupar. Apenas é mantido enquanto se tem algo a ser alcançado.
Na sociedade brasileira atual, inúmeras pessoas têm seus direitos negligenciados constantemente, principalmente àquelas com menor poder aquisitivo ou com algum diferencial em relação à população em geral. Os movimentos sociais se posicionam então como uma forma de tentativa de libertação e luta contra a violação dos direitos de uma suposta minoria. Diz-se “suposta” pelo fato de que apesar de serem chamados de minoria estes grupos de pessoas não mais o são, pois tem atingido proporções gigantescas como é o caso dos movimentos sem terra e de tribos de adolescentes.
A formação dos grupos se dá através dos objetivos em comum e quanto maior o número de pessoas que lutam por um ideal, maior será o impacto do movimento na sociedade. Nem todos os grupos sociais visam apenas à garantia de direitos e inclusão social, alguns surgem como contracultura e tem uma postura a lutar em oposição aos grupos que querem liberdade social. Um exemplo disto é o caso dos skinheads em contestação aos homossexuais.
Os grupos sociais são de grande importância para a consolidação dos direitos populacionais, sem eles não haveria progresso. Lógico que alguns podem se apresentar de forma nociva já que além de exigirem seus direitos querem interferir no dos outros e, com isso, em vez de possibilitar desenvolvimento acarreta ainda mais contendas e dissabores no meio social.
É muito bonito ver a forma como um grupo se organiza sendo que demanda criatividade, empenho, trabalho, coragem para sua projeção e execução. Mais bonito ainda é quanto os objetivos visados pelo grupo não promove nenhum dano, não anula, não prejudica a integridade dos grupos circundantes.
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 23-07-2011. 

ESTRESSE: CAUSAS, CONSEQUÊNCIAS E COMO COMBATÊ-LO


Concebido como o conjunto de reações orgânicas como resposta a um estímulo que representa perigo, o estresse é considerado como parte do processo adaptativo do homem a seu meio, é um sinônimo de sobrevivência, no entanto, se ocorrer de maneira exacerbada implica em sofrimento em vários âmbitos da vida do individuo que o vivencia.
Experimentado por todas as pessoas, desde um nível leve, quase imperceptível podendo se tornar patológico com a acentuação de sua intensidade, ativa um processo hormonal e nervoso provocando reação de alerta caracterizada pela inquietação, uma reação do organismo frente a situações demasiadamente dificultosas. Considera-se que o sujeito está estressado quando seu comportamento é influenciado por fatores físicos, psíquicos e emocionais.
Desencadeia-se o estresse por um evento ou uma cadeia de eventos estressores. Entre as causas do estresse podem-se enfatizar as responsabilidades, trabalhos excessivos ou qualquer atividade que deixe o sujeito sobrecarregado, choques emocionais, problemas sociais, familiares e econômicos além dos problemas de saúde.
Independente de desenvolver-se sob esfera física ou mental é um agente que causa desarmonia no equilíbrio funcional do corpo humano. Faz com que os órgãos do corpo passem a trabalhar de um ritmo diferente do de costume e também em inconformidade com os outros, afetando assim todo o organismo.
Provoca três primordiais dimensões de desgaste físico e emocional: exaustão, as pessoas sentem-se incapazes de relaxar e se recuperar; ceticismos, ao se sentirem descrentes adotam uma postura distante e fria em relação às pessoas ao redor como forma de se proteger e; ineficiência, ao se perceberem como incapazes de progredir aumenta a relação de inadequação com o meio.
Existem meios de ser tratado o estresse que são a utilização de fármacos, psicoterapia e técnicas de relaxamento com a finalidade de amenizar a tensão. No entanto, o método preventivo implica em menos sofrimento. Manter um hábito de vida saudável com alimentação adequada, práticas regulares de atividades físicas, respeitar os limites do próprio corpo e despender de algum tempo para entretenimento são uma forma de se manter distante do estresse e ter uma melhor qualidade de vida.
 Katree Zuanazzi
Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 09-07-2011.