domingo, 5 de outubro de 2014

LIVRO: FORTUNA - A SAGA DA RIQUEZA


O contato com o livro “Fortuna: A saga da riqueza”, bem como, conhecer a maravilhosa escritora Cassia Cassitas foram presentes do Universo para mim este ano. Os mestres aparecem quando menos esperamos! Comecei a ler o livro cheia de expectativas, pois estava convicta de que muita sabedoria me seria acrescentada. E minha intuição é certeira! 
A empatia com Carolina foi imediata. Mulher apaixonada, equilibrada, dedicada e sonhadora, se esforçando para realizar seus projetos de vida. Com ela aprendi que a força está na sutileza, na delicadeza e até na falsa aparência de fraqueza. Casada com Ricardo, um homem enérgico e poderoso, usa sua flexibilidade e mansidão para ser o porto seguro do marido. Em meio a crises, é ela que se mantém firme e serena.
Em paralelo é relatada as vivencias de seus ancestrais, abordando a imigração dos italianos ao Brasil. Trecho particularmente especial, pois remeteu a o que meus antepassados possivelmente experimentaram. Me senti vivento, principalmente, o que Ana viveu. Ana é uma legítima matrona, mulher de personalidade forte, de garra, destemida, batalhadora, que não mede esforços para fazer o que considera ser o correto, faz tudo por aqueles que ama. Ana é a personificação do amor. Com ela aprendi que abrir mão de uma paixão pode ser preciso, e também aprendi que doação é a melhor forma de possuirmos algo. Ela tanto se doou, que automaticamente foi coroada como o centro da família.
Além das personalidades impactantes presentes no livro, o que me chamou a atenção foi a riqueza da explanação sobre os fatos históricos. O cuidado que a autora teve de colocar cada detalhe em evidência foi o impulso para nos transportar ao contexto em que a trama se dá, e nos fixar lá.
Mas a questão central é a relação entre felicidade e dinheiro. O bacana do livro é que ele não apresenta uma resposta nem tenta convencer de algo, ele apenas apresenta diferentes maneiras de pessoas se relacionarem com o financeiro. Fica subentendido que a fortuna é uma questão subjetiva, e que a riqueza não precisa ser, necessariamente, de dinheiro. Cada pessoa luta dia após dia de uma maneira singular angariar seu ideal de fortuna.
“As características de cada pessoa, sua saúde, disposição e principalmente motivação, determinam até onde ir”. Sábias palavras que levarei sempre comigo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

HOMEM QUE BATE EM MULHER

“Homem que bate em mulher é covarde”, afirma o axioma popular. Mas isso não compreende totalmente o significado de agressor. O agressor é o lobo em pele de ovelha, é o algoz se fazendo de vítima, o salteador se pondo como injustiçado, o traidor, o tirano, o imoral, o opressor, o desprezível. O agressor é, simplesmente, o que ele revela em seus atos.
Homens agridem “suas” mulheres (namoradas, esposas e filhas) e assim a violência vai reproduzindo-se de geração em geração. A cultura de submissão que mulheres são condicionadas desde a infância é responsável pelo alto índice de violência direcionada a elas. Aceitar calada, consternada, inerte, sendo culpada pela própria agressão que sofreu, ou até mesmo conceber a violência como algo normal é o que se ensina a maioria das mulheres, seja de maneira direta ou sutil, principalmente pelo modelo de seus pais.
Tudo começa com uma cara feia, uma ofensa, um grito, um empurrão, e gradativamente vai evoluindo para um puxão de cabelo, um tapa, um soco, um espancamento, podendo chegar até ao assassinato. E ainda que não chegue a esse extremo, continua sendo violência! Violência diz respeito a todo e qualquer agressão que se direcione a uma pessoa, seja sexual, física e psicológica, o que envolve ameaças, humilhação, coação, injuria e assédio moral. Xingamento não é menos violência que um tapa.
Quanto mais indulgente a mulher for, mais intensos serão atos direcionados a ela. Nenhum homem chega espancando uma mulher sem ter manifesto anteriormente outras formas de violência mais sutis. Os atos mais severos só ocorrem após uma cadeia de atos violentos mais brandos em que a mulher se mostrou permissiva.
O perfil básico do homem agressor é: se acha o dono da verdade, sempre cheio de razão, que acredita estar certo pelos atos que tomou (tem lá suas origens nas vivencias que teve, mas não vem ao caso no momento), se posicionar como vítima e há casos em que culpa a vítima. É comum depois do ato se mostrar arrependido, jurar que nunca se repetirá e afins. Porém nunca cumpre a promessa.
Quem tem coragem de fazer uma vez, tem coragem para repetir. Quem tem comportamento agressivo e encontra terreno fértil pra proliferar essa agressividade, a manifestará. Cabe a vítima escolher dar um basta nisso, pois as pessoas só fazem conosco o que permitimos que elas façam.
O homem pode ser o agressor, mas somente a mulher é responsável por manter esse círculo vicioso de agressão. Enquanto ela permite, apanhará. A partir do momento que colocar um basta e decidir se defender, a situação mudará drasticamente. Só existem carrascos, enquanto pessoas aceitam ser vítimas. Denuncie! Hoje a justiça está muito acessível e favorável à mulheres vítimas de violência. Homem que bate em mulher merece cadeia, no mínimo!
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070

quarta-feira, 9 de julho de 2014

GUERRA OCULTA DE CASAIS CONFLITUOSOS

O casal em guerra oculta é entendido como aquele que estabeleceu uma relação de poder onde foi outorgado o papel de dominador a um e de dominado a outro sem aprovação mútua, porém acordado, seja por simples imposição, aceitação passiva ou temor. Quem fica em posição de obediência sem o desejar, por trás da atuação de servo fiel, ou melhor, de companheiro exemplar, vai alimentando mágoas pelo que dita as regras.
Enquanto um manda, decide, se impõe, determina, estabelece, ordena, comanda a relação, muitas vezes usando até a agressividade, o outro obedece, acata, sujeita-se, cede, consente com as atitudes do outro. O papel desempenhado de carrasco é igualmente simétrico ao de vítima. Entretanto, não existe vítima nessa relação. O submisso apenas desempenha esse papel, mas não o é. Como há permissividade, há um acordo, independente de ambos gostarem ou não, o mérito cabe aos dois.
Existe semelhança com a relação sadomasoquista, o que as difere é que o masoquista não nutre ressentimento pelo sádico, enquanto no relacionamento de guerra oculta há uma disputa de poder e o que fica na submissão guarda um rancor imensurável pelo dominador. Como está vivendo de uma forma que não deseja, vai culpando mentalmente o outro pela própria incapacidade de sair dessa relação ou remanejar os papéis. Há casos em que o mais incisivo nem desconfia da revolta interna de seu companheiro, pois este não se expressa, não se manifesta, não demonstra o que sente e pensa.
Fica evidenciado que a falha de comunicação vertente da dificuldade de se expressar e de se impor com assertividade é a ocorrência mantenedora de conflitos como este, ou parecidos. Alguns casais pelejam por poder, cada um com a arma que tem, cada um com as técnicas que sabe, seja com força verbal e física ou seja com a sutileza de se fazer de mártir. Expandir essas possibilidades de comunicação é a melhor forma de felicidade conjugal. Se você não está dando conta de lidar com seu relacionamento, procure ajuda psicoterápica.  
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 28-06-2014
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

terça-feira, 10 de junho de 2014

POR QUE AS PESSOAS TRAEM


O casamento, assim como qualquer parceria, é o reflexo das partes envolvidas, se uma não vai bem o todo será comprometido. A traição é um alarme que dispara quando as coisas estão dando errado, ou melhor, quando o vínculo amoroso está abalado. Toda e qualquer traição parte de uma insatisfação, seja com o companheiro, com a relação ou consigo mesmo.
São inúmeros os motivos que podem direcionar a uma traição, entre eles: Crise existencial, dissabor com o companheiro, descontentamento com a formatação que o relacionamento tomou, infelicidade conjugal, falta de estímulo para estar junto, perda de admiração pelo cônjuge, mudança de projeto de vida, excesso de conflitos e discussões, dúvidas sobre o que sente, interesse por outra pessoa, desejo sexual, hábito, vingança, decepção, aventura, tentativa de sair do tédio, de massagear o ego, ou por desvio de caráter. Independente da motivação, forma ou circunstância que uma traição se manifesta, sempre representa a busca por suprir uma necessidade.
Ao falar em traidor se pensa em alguém sem escrúpulos, safado, sem respeito para com o cônjuge, mas nem sempre é assim. Por incrível que pareça, é possível pessoas de boa índole trair. Uma pessoa íntegra que esteja vivenciando uma relação onde há constantes aborrecimentos ou que se sinta negligenciada pelo cônjuge pode se sentir tentada a buscar um vínculo extraconjugal. Neste caso, a traição vem associado a um sentimento pelo amante.
Quando o comportamento de infidelidade ocorre ocasionalmente fica evidenciado que o casamento está doente. Sendo uma traição descoberta, por mais que quem a cometeu se mostre contrito e jure a sí mesmo nunca repetir o comportamento, a relação deve ser repensada. Se a pessoa chegou a ponto de procurar carinho, sexo, companhia ou simplesmente atenção fora do casamento, é porque dentro dele as coisas não vão bem.
Já quando a traição é um comportamento usual e frequente, significa que o indivíduo está em desequilíbrio. Pessoas acostumadas a trair são insatisfeitas consigo mesmas e vivem procurando em outros algo que as possa satisfazer, e como nunca conseguem a lista de casos e/ou amantes se torna vasta. Tem gente que é infiel a vida toda, que não para em relacionamento algum e que mesmo com juras de amor eterno permaneça traindo. Aqui há três possibilidades: a pessoa ser mau caráter mesmo (e independente do que o companheiro faça, não mudará), estar em crise (sendo a psicoterapia a única alternativa para lidar com esse conflito subjetivo), ou optar em sã consciência por ser infiel (tendo isso como decisão e, portanto, não intenciona mudar).
Quando ocorre uma traição, procurar um culpado é habitual. Há muitos casos em que um dos cônjuges realmente é o responsável pelo declínio da relação, porém existe também a possibilidade de ambos terem contribuído gradativamente. Sempre é a maneira de se relacionar que mantém a fidelidade, ou direciona a inserção de outra (s) pessoa (s) na relação. Um casamento feliz, satisfatório, com os cônjuges em  harmonia, jamais abrirá espaço para entrada de um amante. E  isso depende do casal, não apenas de um dos cônjuges.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 31-05-2014
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

sábado, 17 de maio de 2014

PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA (PNL)


A Programação Neurolinguística (PNL) é uma teoria contemporânea que faz a junção de inúmeras técnicas e formata seu conceito pautando-se nos estudos de modelagem, oriundos da Psicologia experimental. Seus pioneiros, Richard Bandler e Jonh Grinder, se utilizaram dos trabalhos de Fritz Perls (criador da Gestalt terapia), Virginia Satir (fundadora da Terapia familiar e Sistêmica) e Milton Erickson (um dos precursores da Hipnose) para testar modelagem de linguagem e comportamento.
Instituída como princípios éticos para o bem viver, compreende um estudo subjetivo da experiência humana e de como manejá-la objetivamente. Parte do princípio de que todo comportamento tem uma estrutura mantenedora, que pode ser modificada por via de técnicas específicas. Tem como foco três aspectos básicos da experiência humana: o sistema nervoso, a linguagem e os programas mentais.
A principal proposta da PNL é, entretanto, ensinar as pessoas a pensar sobre soluções diante dos conflitos que vivenciam. Compreendendo o complexo que envolve um comportamento se faz possível modificá-lo, quando ele é indesejável, ou usar a estrutura para instalar novas formas de agir. Tudo isso direcionado não apenas a sí mesmo, mas também aos outros.
A PNL afirma que todo comportamento tem uma intenção positiva, que as pessoas escolhem sempre a melhor alternativa que elas tem no momento (pode não ser a mais assertiva, mas é a melhor que elas encontraram em seu repertório comportamental) e tem como pressuposto básico que
o mapa não é o território. Refletir sobre novas maneiras de fazer uma mesma coisas, investigar exemplo dos outras pessoas, compartilhar experiências, desbravar possibilidades, testar inovações, ter a atitude de mudar situações com as quais se esteja insatisfeito, são maneiras de expandir a visão de mundo.
É muito presente na PNL a ideia de olhar o outro com empatia, de se colocar no lugar do outro, geralmente feita através do Rapport. Técnica oriunda da Psicologia, o Rapport consiste em ter interesse genuíno pelo outro e demonstrar, espelhar o comportamento objetivando compreender seu ponto de vista, sem julgamentos, sem influir com os valores pessoais, apenas aceitar o outro e experimentar “ver o mundo com o óculos alheio”.
Em resumo, toda a existência da PNL se pauta em possibilitar meios da evolução subjetiva de uma pessoa, bem como, melhorar o ambiente e as relações interpessoais. Nada mais é do que uma ferramenta para pessoas atingirem seus objetivos e criar harmonia com as pessoas e situações a sua volta.
Deve-se deixar em evidência que PNL não tem nada a ver com psicoterapia! Inclusive um de seus criadores, Richar Bandler, afirma que “A PNL é uma ferramenta educacional, não uma forma de terapia. Nós ensinamos as pessoas coisas sobre como seus cérebros funcionam e elas usam estas informações para mudar”, Ou seja, todas as técnicas desta teoria podem ser autoaplicadas. 
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 10-05-2014
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

terça-feira, 29 de abril de 2014

AMOR AGIOTA: PESSOAS QUE ESQUECEM QUE AMOR É DOAÇÃO


Amor é algo que não se exige de ninguém, nem de filho, nem de marido, nem da esposa, nem dos pais, nem dos irmãos. A única coisa que se pode fazer é dar motivos para ser amado. A partir do momento que o vínculo afetivo só se mantém por obrigação moral, não existe amor.
A palavra amor significa doação, caridade, afeição, benevolência, ligação espiritual, ou seja, algo que se oferece sem esperar nada em troca. Quem faz algo pelo outro gratuitamente, sem esperar retorno ou vantagem, o faz por amor. Podemos perceber o amor genuíno observando uma gatinha cuidando e protegendo seus filhotes, sem nada requerer.
Quem faz algo por outra pessoa com amor genuíno em hipótese alguma o faz contando com o que receberá em troca. Quem um dia ajudou alguém (filho, cônjuge, pais…) e cobra a retribuição é porque não ajudou de coração, fez o ato como em um investimento financeiro, já que espera a “retirada” com juros e correção monetária. Não é o caso de negócios como empréstimos e afins, pois aqui é um acordo estipulado. Falo de gente que ajuda o outro fazendo uma boa ação seja de tempo, de atenção, de favores, de esforço ou de abdicar da própria vontade em prol da necessidade alheia e, algum tempo depois, usa isso em manipulações. Quem usa o amor para escravizar as pessoas a seu redor, não ama.
Ninguém que exige amor do outro ou cobra pelo amor que doou será amado, pois as pessoas percebem quando estão sendo barganhadas sutilmente, e isso causa revolta ao invés de afeto positivo. Pessoas que não fazem atos com amorosidade, por mais que briguem e cobrem amor, não o receberão verdadeiramente, o outro pode até fornecer alguma retribuição por se sentir na obrigação, na dívida, ou porque caiu na chantagem emocional. Tem gente que fez algo para ajudar alguém próximo e fica por toda a eternidade cobrando com frases como “depois de tudo que eu fiz por você” e outras parecidas, comum em quem não fez o ato de amor com amor de verdade.
O “jogar na cara” é muito comum em pessoa de amor agiota. Tem homem que deixou de fazer um curso para levar a esposa a escola e tempos depois “joga na cara” seu esforço. Tem mãe que parou de trabalhar quando o filho nasceu e por isso qualquer coisa que ele a desagrade já é motivo para “jogar na cara” a renúncia de anos atrás. Tem pai que ajudou o filho a conquistar algo e depois “joga na cara” o resto da vida. E tem outros milhares de exemplos de pessoas que fazem atos ou renúncias afirmando o fazer por amor, mas que estão esperando um retorno.
Acolher, ensinar algo, aconselhar, estar presente em ocasiões, ou abrir mão de algo por alguém é uma atitude de amor fraternal, comum entre familiares, é extremamente imoral usar esse tipo de coisa para chantagens emocionais no futuro. Quem faz algo verdadeiramente por amor, jamais “joga na cara” ou cobra. Se cobra, fez por amor próprio, não por amor ao outro. Amor é uma doação, não uma moeda de compra e venda.
Quando sementes de amor puro são plantadas, é amor puro que se colherá. Quando se planta amor agiota, a colheita certamente não será agradável. Se você está insatisfeito com o amor que vem recebendo, comece a prestar atenção na forma de amor que você oferece.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 25-04-2014
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)
 

sábado, 12 de abril de 2014

FANATISMO RELIGIOSO: A MARCA DA INVOLUÇÃO

Todos os livros sagrados e históricos tem em comum o postulado de que uma pessoa que está em comunhão com Deus, com o Todo, com a Natureza, ou seja lá como denominam a divindade, são abençoadas.  Fato que deixa evidenciado que a vida de cada pessoa fala por si e é pelos resultados explícitos na sua existência que se mensura a proximidade com o “Supremo”.
Há quase dez anos pesquiso sobre religiões cultuadas no Brasil, sendo que em algumas cheguei a participar, fato que me propiciou ainda mais dados do que os angariados via pesquisa bibliográfica e pelo período que cursei Teologia. O mais estarrecedor entre os resultados desta coleta de dados foi a constatação de que as pessoas mais religiosas, doutrinadas, fervorosas, enfim, os membros mais fanáticos de uma religião (independente de qual seja ela), são as pessoas que menos colocam em prática seus ensinamentos e consequentemente, as que possuem menos resultados positivos na própria vida.
Comecei a correlacionar teorias religiosas com a intenção de analisar as divergências entre elas. Todavia, ficou esclarecido que poucas divergências há entre as religiões. A maioria das inconsonâncias são vindas da interpretação pessoal do líder de cada uma, e pouca desarmonia há entre doutrinas opostas, sendo que mesmas coisas são nomeadas diferentemente.
Cresce consideravelmente o número de seitas religiosas, deixando claro que cada líder estabelece uma doutrina conforme melhor lhe apraz e tenta convencer o mundo de que esta é a “única” certa. Há um demasiado empenho de fiéis fanáticos em querer menosprezar as crenças alheias e querer ser melhor, mais santo, evoluído, iluminado, enfim, superior espiritualmente que os outros, inclusive aos “irmãos” que comungam da mesma seita.
Os escritos sagrados mais conhecidos no Brasil são os que compõe a Bíblia, dão base a muitas religiões e tem como princípio básico o amor pelos outros como por sí mesmo. Todavia, é o menos evidenciado por muitos dos seguidores. Fala-se bonito, mas o interesse está mais direcionado no julgar o outro e faturar fortuna com fiéis inocentes e ignorantes, do que viver os ensinamentos. Muitas dos que entronizam a natureza fazem o mesmo, pregam uma coisa, mas estão demasiado preocupados em parecer mais zen, iluminados e sábios que os outros.
Os mais fanáticos religiosos são os que mais se contradizem em sua conduta, pois não fazem “milagres” na própria vida, alguns vivem doentes e passando necessidade, e teimam em ficar discutindo religião em vez de procurar evoluir. Cristina Cairo diz que “se a pessoa não consegue tirar a própria dor de cabeça em menos de um minuto, ela não entende nada de Deus”. Quem está em comunhão com o Supremo faz transformações positivas na própria vida, e na dos outros, em vez de perder seu tempo sagrado massageando o próprio ego.
Os grandes avatares da humanidade (Jesus Cristo, Buda, Krishna, Maomé…) nunca discutiram por doutrinas fúteis. Todos deixaram ensinamentos sobre compaixão, amor, de ajudar o próximo e de como ter uma vida abundante, saudável e equilibrada. O ser humano que não atingiu esse patamar e prega religiosidade, só é mais um fanático involuído. 

Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 12-04-2014
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

domingo, 30 de março de 2014

NARCISISMO


O Transtorno de Personalidade Narcisista está categorizado no DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais) entre os dramáticos, imprevisíveis e irregulares. Assinalado por uma forte frieza emocional, o narcisista não empatiza gratuitamente, sempre que estabelecer relação com alguém será em prol de sí mesmo.
Cria um falso eu soberano. Convicto de ser melhor que os outros, mais especial e superior, luta consecutivamente para isso. Por se considerar superdotado, é arrogante e orgulhoso. Em tudo que executa cria uma fantasia de sucesso, de poder, como tentativa de convencer aos outros de que é melhor. Neste ponto, há semelhança com a megalomania.
Tem que ser atendido sempre pelos melhores profissionais. Não tem afeto genuíno pelos filhos, em caso de divórcio pode não fazer questão de ficar com eles ou os ver com frequência, a não ser que pretenda reatar o casamento ou obter vantagens financeiras. Ao se relacionar amorosamente faz declarações públicas de amor exageradas, idealizam o parceiro como se fosse o melhor do mundo. No trabalho é comum tratar os colegas como inferior, a não ser que queira tirar proveito, ai sim pode os bajular. Se adquire algum bem, faz questão de ostentar. Fica frustradíssimo se não glorificam seus méritos, ai sim pode manifestar sofrimento e dramatizar.
É normal menosprezar, desdenhar, criticar, depreciar pessoas que são mais bem sucedidas que ele, como uma tentativa de se sobressair, de tentar convencer a sí mesmo de que não está ‘por baixo’. Se a colega de trabalho foi promovida e ele não, pode alegar que ela esta saindo com o chefe. Se o amigo tem mais poder aquisitivo que ele, pode insinuar que ele está fazendo algo ilegal. Se a amiga é mais bonita, pode dizer que parece um travesti. E assim por diante. Sempre tentando ofuscar a luz alheia para se sentir iluminado. Inveja quem se sobressai e alega que são os outros que o invejam.
Narcisistas são pessoas fissuradas por popularidade, exploradoras, tem poder de persuasão, ludibriam com facilidade, usam os outros e buscam conquistar o que desejam a todo custo. Gostam de ser reconhecidos e admirados. Característica semelhante aos sociopatas.
Pessoas acometidas pelo Transtorno de Personalidade Narcisista só amam a sí mesmas, são incapazes de amar o outro, mas exigem amor. Se acreditam amar alguém é porque este lhe proporciona comodidade, segurança ou alguma outra vantagem. Se considerar que não compensa permanecer em um relacionamento, não hesita em largar o companheiro. Preferem se casar com pessoas submissas, pois assim o relacionamento perdura, talvez a vida toda, independente do que fizer (trair, enganar, maltratar…).
É raro perceber que feriu alguém, mais raro ainda se importar em saber do sofrimento alheio e, às vezes, pode ferir intencionalmente. Se preocupa apenas em amenizar o desprazer que sente e correr atrás do prazer subjetivo, seja ele qual for. Quem mais sofre são os familiares e pessoas que convivem com ele. Dificilmente um Narcisista procura ajuda psicoterápica, pois nunca se consideram doentes. Nos casos em que procura é porque o cônjuge colocou como condição para permanecer junto, ou porque visa obter alguma vantagem externa que não é a cura.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 29-03-2014
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

domingo, 16 de março de 2014

INSATISFAÇÃO CONJUGAL


Todo casamento começa com um projeto de ideal e após algum tempo de relação ocorre uma espécie de decepção por a fantasia não ser condizente com a realidade. Se quebra a imagem fictícia de perfeição e vive-se o luto disso, concomitante ao sentimento de afeto que se mantém por essa pessoa ‘imperfeita’. Há uma dualidade: o amor pelo outro e o sentimento de frustração por ele não corresponder às expectativas da imagem idealizada. Há níveis de frustração e cada pessoa tem uma forma subjetiva de lidar com ela. Alguns perpassam por essa fase sem muito alvoroço, todavia há quem enfrente grandes dissabores e ainda, quem chegue ao divórcio.
Quando uma pessoa tem dificuldades de conviver com as peculiaridades do parceiro, não consegue o aceitar como ele é em essência, há uma forte tendência a tentar mudá-lo, transformá-lo em uma pessoa que ele não é. Algumas destas manipulações são sutís. Podem surtir efeitos positivos quando o desejo pela mudança parte dos dois, mas também podem formatar falsas mudanças, aparências que com o tempo se desmancharão. Quando as estratégias para mudar o outro são muito agressivas, imponentes ou exigem padrões muito opostos a o que ele realmente é ou acredita, o relacionamento entra em conflito.
É comum ocorrerem embates quando um dos cônjuges é insaciável, espera mais e mais do outro e mesmo que este lhe faça inúmeros agrados, nunca será o suficiente. Aqui existe um sentimento de menos valia, pensa que o outro não o valoriza, pensa que o outro poderia fazer mais, cobra muito porque acredita que é dever do outro se esforçar para lhe agradar. Só consegue mensurar o amor do outro pelo tanto que ele cede e lhe serve. Na verdade, tem falta de amor próprio e confere ao outro a obrigação de suprir isso.
No outro lado se encontra um que faz de tudo para agradar, e como nunca consegue se sente incapaz, impotente. Se vê desvalorizado, pois o outro nunca reconhece seu esforço. Por mais que faça o máximo que pode, o esposo (a) sempre considera o mínimo. Fica acuado, desmotivado, infeliz por não ser capaz de fazer feliz o outro. Ai a autoestima decai e olhar para uma terceira pessoa acaba por se tornando uma alternativa. Aqui é uma grande brecha para os relacionamentos extraconjugais.
O insaciável também é tendente a procurar outros amores, mas se isto acontecer a história se repetirá. Pois nenhuma pessoa será capaz de suprir seu vazio existencial. Por mais que acredite que um grande amor resolverá, isso nunca vai acontecer. Essa procura, esta falta não está no outro, não está em nenhuma pessoa ou coisa exterior a sí.
Quando as pessoas estão insatisfeitas consigo mesmas fazem, inconscientemente, uma projeção no outro. Passam a acreditar que o marido/mulher é culpado pelos seus desgostos. Os atos alheios são percebidos como exacerbadamente errados, incorretos, irritantes e não consegue enxergar nada além do que a própria verdade. Se algo em seu companheiro te irrita profundamente é porque esta revelando algo sobre você. Caso não consiga enxergar é hora de procurar ajuda externa. 

Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170

Publicado no Jornal de Notícias A Folha de Saltinho dia 15-03-2014
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)