terça-feira, 3 de dezembro de 2013

CAFAJESTE: O VILÃO DA PSIQUE FEMININA

Mulheres crescem ouvindo sobre este personagem que tem o poder de lhes dilacerar o coração e se preparam psicologicamente pra quando isso acontecer ao chegarem à idade adulta. A crença de que “nenhum homem presta” vai se construindo com estas mensagens subliminares perpetradas por familiares (que intencionam proteger sua menininha do futuro) e com o passar dos anos a convicção de que homens são sujeitos não confiáveis vai se instalando.
O arquétipo do cafajeste é definido como um vilão, um homem mau, mentiroso, ludibriador, que se finge de romântico, que só pretende se aproveitar de moças de família para depois abandoná-las com a honra manchada. Esta é o perfil primário, inspirado em histórias reais que deu corpo a uma série de livros, filmes e afins que só serviram pra intensificar a imagem desse personagem no inconsciente coletivo feminino.
Hoje é um tanto diferenciada a concepção de cafajeste, mas o conteúdo permanece o mesmo: de que os homens são vilões e as mulheres, vítimas. O público feminino em massa continua projetando esta imagem de que homem não presta em seus relacionamentos e se posicionando como “coitada” ao fim de cada um deles.
É uma utopia dizer que homens não prestam. Existem pessoas com caráter desonesto e isto não se remete a um gênero sexual. Tem tantos homens promíscuos quanto mulheres, atualmente. O que ocorre é que algumas mulheres foram programadas mentalmente para aguardar os cafajestes de sua vida e vão de alguma forma chegar a este destino que esperam, mesmo que simbolicamente. Não que cafajestes não existam, existem sim! Mas não são todos os homens e nem apenas homens.
Algumas mulheres estão tão bitoladas na crença de que “todos os homens são iguais, não confiáveis” que pra elas não existe outra realidade. Mesmo que apareça um “príncipe” ela vai vasculhar até achar um indício de que seja sapo, pois não consegue enxergar/acreditar que pode ter um homem decente (deseja, mas não acredita). O sujeito pode ter muitas características apetecíveis em um companheiro, lhe provar ser sério e honrado, mas ela inconscientemente vai procurar falhas, por mínimas que sejam, pra comprovar sua crença de que ele é um algoz. E quando a relação fracassar ele será o culpado.  A ideia de que homem é cafajeste é tão forte, vivida, presente que de tanto crer nisso ela verdadeiramente se sente traída pelo destino e convence as pessoas a seu redor disso. Pais, amigos, colegas, enfim, todo mundo fica sabendo que ela foi vítima indefesa de um mocinho sem vergonha, mau caráter, que não prestava, entre outros adjetivos direcionados ao pobre moço. E depois vem outro mocinho igual, e outro... E nenhum na cabeça desta mulher presta.
E é claro que existem mulheres que se relacionam com cafajestes de verdade. Que traem, mentem, fingem, cometem violência, abandonos temporários ou perpétuos, enfim, que a colocam em situações vitimizadoras.  Estas são vítimas no primeiro contato com esse tipo de relação, mas deixam de ser a partir do momento que permanece na relação, ou escolhem outros companheiros com o mesmo perfil (o que é normal para mulher com “síndrome do cafajeste”).
A crença do “cafajeste” tem sido responsável pelo término de relacionamentos entre pessoas de boa índole. A ciência já comprovou: nossas crenças influem sobre nosso sistema cerebral, este não consegue distinguir entre a realidade e a imaginação. A partir do momento que eu crio uma verdade subjetiva todo meu ser vai trabalhar em prol de materializá-lo, diz a física quântica. O cafajeste do seu companheiro pode ser o cafajeste que você criou!

Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 23-11-2013. Também disponível nos sites www.saltinhoweb.com e www.afsaltinho.com.br

PERVERSÕES SEXUAIS

O nome contemporâneo usado para se referir a perversões sexuais é parafilia. Originada da junção do grego “para” que tem como significado “fora de” e “philia” que traduz-se como “amor”. Assim, o próprio nome já deixa evidenciado que é uma prática diferenciada do ato de fazer amor.
Parafilias são comportamentos sexuais não aceitos pela sociedade, e a maioria de suas categorias é desconhecida para esta. São praticados por pequena parcela da população, sendo que o índice de ocorrência mais comum é entre pessoas do sexo masculino. Entendidos como práticas incomuns, exclusivas, anormais, que podem colocar em perigo alguém e/ou represente prejuízo físico, psicológico ou emocional a um dos envolvidos no ato.
A pessoa acometida por este Transtorno se fixa em um objeto ou coisa para obter o prazer sexual que comumente é obtido no coito. Dificilmente uma pessoa parafilica permanece em uma única prática estranha, o interesse pela primeira tende a se tornar monótono, então ocorre a procura por novas práticas e o envolvimento em outras atividades sexuais excêntricas. Com o tempo ocasiona a exclusão de atos sexuais normais, fazendo a pessoa ficar adepta apenas a praticas antinaturais.
     O catalogo das parafilias é vasto. Entre as mais conhecidas e menos rechaçadas estão: o sadismo (o ato de sentir prazer com o sofrimento físico ou psicológico alheio), o masoquismo (ter prazer originário da dor, esta é a parafilia oposta e complementar a primeira mencionada), exibicionismo (fazer sexo em lugares públicos ou mostrar os órgãos genitais a estranhos), fetiche (a fixação sexual direciona-se a um objeto especifico inanimado como roupa, sapato...), podolatria (desejo por pés), bondage (prazer originado no ato de amar ou imobilizar o parceiro), voyeurismo (gostar de observar o ato sexual ou corpos, sem ter nenhum contato fixo). 
      Averiguando as parafilias mais vistas como insanas fica em evidência: a zoofilia (prática sexual com animais), emetofilia (excitação com o ato de vomitar ou com o vomito do outro), necrofilia (desejo sexual por cadáver), asfixiofilia (prazer em reduzir a oxigenação do cérebro intencionalmente durante a relação, pratica bastante perigosa), espectrofilia (atração sexual por fantasmas).
É diagnosticada com Parafilia a pessoa que tem hábitos sexuais considerados “desviados” com exclusividade, ou seja, usando sexo bizarro como única fonte de prazer sexual, excluindo o sexo convencional/normal, ou fazendo por obrigação (social), mas sem obter o prazer máximo.
Alguns desses comportamentos sexuais (das parafilias mais “leves”, que cataloguei acima como as mais conhecidas) podem se apresentar em pessoas consideradas normais, que apenas ampliaram a gama das possibilidades de obtenção de prazer, que aderem algo diferenciado ocasionalmente sem representar perigo a si mesmo e a terceiros. Se não for algo continuo, fixo, prejudicial a alguém e o sexo normal continuar sendo a principal fonte de prazer não é enquadrado como transtorno.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 09-11-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

AMOR PRÓPRIO

Sábia foi a percepção de Carlos Drummond de Andrade transmitida pelo verso: "Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável… pessoas, tarefas, crenças, tudo e qualquer coisa que me deixasse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama… amor-próprio."
Amor próprio nada mais é do que a aceitação positiva, a graça, a admiração que cada pessoa tem pelo valor que acredita possuir, é uma estima pelo preço que destina a quem se é. Muito além do que considerar as situações perpassadas ao longo da vida entre sucessos e fracassos, amar a si mesmo diz respeito a uma questão interna e subjetiva de ter respeito e carinho por quem se é independente das imperfeições, saber reconhecer as qualidades e talentos e lhes dar méritos.
Mede-se a proporção do amor próprio em uma pessoa pela forma que ela conduz a relação consigo mesma e com tudo que a circunda, pelo que ela destina a si mesmo e o que ela permite que o outro lhe inflija, pelo que ela aceita ou rejeita, ou seja, por todas as escolhas que ela fez. Para ter uma conclusão do quanto uma pessoa se ama não é necessário uma analise tão profunda, basta prestar atenção a o que ela faz consigo mesma.
Cada um escolhe para si aquilo que julga digno, apropriado, merecedor de possuir, até mesmo quando isto represente algo indesejável. Há uma dualidade: o que eu desejo (que é uma reflexão consciente) e o que eu realmente, profundamente acredito que mereço (um conceito inconsciente). Isto dificilmente ocorre de uma maneira que a pessoa se dê conta de que é ela que tem escolhido para si mesma.
Os tipos de relações mantidas refletem muito sobre o quanto nos amamos, pois são padronizadas. Sempre iremos nos relacionar de maneiras semelhantes, mesmo que com pessoas diferentes. Atrair consecutivamente o mesmo tipo de pessoa, ou melhor, escolher se articular com determinados perfis, estabelecer certo padrão de se relacionar, independente de ser uma vinculação amorosa ou de amizade, revela muito sobre a crença que a pessoa tem a respeito de si mesma. Significa o tipo e o tanto de amor que ela acha justo receber (ou deixar de receber).
Quem não se ama ou se ama pouco tem um julgamento acerca de si próprio de que não é bom o bastante, ressalta os defeitos e devido a isso não se considera merecedor de coisas boas. É comum permanecer em relacionamentos abusivos, viver em função de satisfazer o outro, se colocar como objeto agradando além dos limites, pois acha que só assim receberão afeição. Agir com passividade eclode normalmente pelo temor de que o outro descubra que não se é bom o suficiente.
Quem se ama conhece suas potencialidades, reconhece o valor que tem, não escolhe para si coisas que lhe prejudicarão, não aceita passivamente que os outros lhe façam coisas desagradáveis, não permitem que se estabeleçam relações abusivas. Sabe se impor, sabe colocar limites, se presentear com coisas apetecíveis, respeita o próprio corpo e a própria mente. O que não significa querer sempre que os desejos sejam satisfeitos, pois isso é egoísmo e mesquinharia.
Se há insatisfação em alguma escolha feita, seja no trabalho, no relacionamento amoroso ou de amizade, de saúde, enfim, em qualquer âmbito da vida é importante repensar o papel que vem se escolhendo para desempenhar. As coisas só se mantém em nossa vida se estivermos de acordo que elas permaneçam. Se algo desagradável tem se repetido devemos questionar: “O que estou fazendo comigo?”
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 26-10-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 


MUDANÇA: O SEGREDO DOS EVOLUIDOS

Todos os progressos da humanidade só se fizeram possíveis pela iniciativa de um ser humano em quebrar os padrões vigentes e se lançar a uma nova possibilidade, desconhecida e, muitas vezes, ameaçadora. O Universo se encontra em processo de continua mudança, se negar a seguir esse fluxo e estagnar a própria vida em mesmices é, no mínimo, antinatural.
     A mudança emerge como uma saída para se livrar de situações/coisas/vivencias pouco desejáveis em busca de novidades que impliquem em resultados positivos, que representem evolução. Toda e qualquer mudança é motivada por um destes aspectos: necessidade e/ou conflito.
            A mudança inspirada pela necessidade é quando falta algo, ou os resultados que tenho no momento são pouco satisfatórios, é quando a expectativa é muito além do que a realidade que se esta vivenciando e o desejo de sobressair latente incita a mudança, eu preciso de algo a mais. Já a mudança evocada pelo conflito é quando aquilo que se está experienciando no momento me mantenha em algo desprazeroso, que represente prejuízo em algum âmbito da vida, me atrapalhe, incomode, represente punições. O mais comum é que quando se instale uma crise nos demos conta da importância de mudar.
            Mesmo que percebamos o quanto é fundamental mudar o rumo de nossas vidas em determinados momentos, mudar não é algo fácil, pois nos tira dos padrões a quais estamos acostumados e isso que assusta as pessoas. Muitos permanecem estagnados simplesmente pelo medo de mudar, e não pela falta de oportunidade como afirmam. Quando nos lançamos a mudar temos de enfrentar num primeiro momento a nossa angustia diante do desconhecido, escolher um terreno novo e o sondar para perceber onde estamos pisando, desbrava-lo e nos adaptar, pra só então desfrutar dos aspectos prazerosos de uma mudança.
            O lado positivo da vida é que sempre podemos nos desfazer daquilo que não mais queremos. Nada é estático, nada é eterno, como diz Jean-Paul Sartre: “somos condenados a ser livres”. Condenados, porque liberdade esta associada à responsabilidade, a partir do momento que eu escolho eu sou totalmente responsável pelos resultados das escolhas. Talvez por isso tanta gente tente fugir da responsabilidade de mudar aquilo que não lhe agrade, por medo do desconhecido.
            Tem gente que reclama da vida, culta todo mundo (o marido, os pais, a sorte, o destino, Deus etc..) pelas próprias mazelas, mas nada faz para reverter essa situação indesejável. Infelizmente o fato de reclamar não ajuda ninguém a mudar de vida, esta só pode mudar através de uma decisão seguida de um ato. Mudar sempre é uma escolha subjetiva e somos o resultado de nossas escolhas.
Grandes mudanças acontecem de dentro para fora, tem que partir de cada um o anseio por evoluir. Ninguém pode pegar uma pessoa e mudar ela ou a vida dela a força, pois não haverá resultados, pode ate existir uma aparente melhora, mas não resolvera de fato. A motivação é algo subjetivo, ninguém motiva ninguém, cada um deve por si mesmo encontrar a própria motivação para mudar a própria vida.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 05-10-2013. Também disponível nos sites www.saltinhoweb.com e www.afsaltinho.com.br

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

VÍCIO: O TERMÔMETRO DO FRACASSO

São tantas “modalidades” de vicio, que quando pensamos que conhecemos todas, emerge mais uma para nos surpreender. Vício em jogos, cigarro, bebida e demais substancias psicoativas são os considerados clássicos junto ao colecionismo, enquanto entre os mais contemporâneos se destacam os vícios em sexo, comida, malhação, celular, facebook, trabalho, paixão, furto, cirurgia plástica, balada, remédios, limpeza e mais uma infinidade. Há uma linha tênue entre vicio e obsessão, sendo que o primeiro sempre carrega consigo características obsessivas.
A palavra vício emerge como oposição a virtude. Derivando do latim “vitium” que tem como tradução falha e/ou defeito, o vicio significa a repetição de um hábito que represente algum tipo de prejuízo a quem o pratica e as pessoas a seu redor. Um viciado nada mais é do que um escravo de seus descontroles prejudiciais.
Um vício se inicia por via de uma situação desprazerosa que se esteja perpassando na vida, diante disso a pessoa encontra em algum objeto ou atividade uma opção para diminuir esse desprazer pelo que esta vivenciando, concomitante a obter uma forma de satisfação. Quando associa o prazer a esta “coisa” tende a aumentar a frequência de sua pratica e é ai que um vício começa a se instalar. Assim, toda vez que a pessoa experiência uma sensação de desconforto procura ameniza-la de uma forma que funcionou outrora e gradativamente se torna dependente da satisfação oriunda do objeto do vício. Todo habito que se manifesta excessivamente é um sinal de alerta.
Lembro-me de ter assistido um filme em que uma das personagens dizia que “cigarro é coisa de gente descompensada”, apesar de a postulação ter sido feita de uma maneira pejorativa e cômica, por o filme se tratar de uma comédia, tem lá alguma fundamentação, como a própria Psicanálise revela, todo chiste/piada/tirada espirituosa diz respeito a alguma verdade. O vicio, não apenas no cigarro, mas em qual objeto ou atividade que for, é sintoma de pessoas com problemáticas subjetivas mal elaboradas.
            Eu, particularmente, nunca conheci uma pessoa que tivesse qualquer tipo de vicio que não ostentasse algum tipo de fracasso na vida. Pessoas viciadas são pessoas que não tiveram habilidades suficientes para lidar com seus infortúnios, não enfrentaram assertivamente suas dificuldades, derrotas, peripécias da vida e permanecem na frustração por seus conteúdos mal resolvidos. Em vez de procurar ajuda para resolver, de fato, suas problemáticas, optam por eleger um objeto/ação de escape para fugir da angustia da sua realidade. O viciado nada mais é do que um fugitivo de sua realidade falida.
Isto tudo não é uma condenação, mas uma escolha. A pessoa optou por algo que tire o foco da sua realidade insatisfatória por alguns momentos, em vez de trabalhar as questões que lhe incomodam. O vicio é uma opção não inteligente, que produz alívio momentaneamente, mas não resolve nada. Pode-se dizer que vício é um remédio ineficiente com muitos efeitos colaterais.
Os vícios são curativos sujos para as feridas da alma (Autor desconhecido)

Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 14-09-2013. Também disponível nos sites www.saltinhoweb.com e www.afsaltinho.com.br 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

MASOQUISMO, ALÉM DO QUE SE IMAGINA

Freud esclarece que a estruturação psíquica se dá nos primeiros anos de vida, através das relações objetais. São estas que influem sobre a maneira que posteriormente, na idade adulta, iremos encarar as questões que nos rodeiam. A sexualidade é definida através da atividade a passividade, sem que este ativo/passivo tenha relação com gênero sexual. Enquanto o sádico tem uma ligação com a posição ativa, o masoquista com a passiva, sem desconsiderar que pode haver a coexistência de ambas nestes. Tanto no sadismo quanto no masoquismo há a associação do prazer com a crueldade.
O mesmo autor faz explanação de que o masoquismo pode ser originado pelo complexo de castração e sentimento de culpa emergente deste, fazendo com que o sujeito se fixe na posição passiva originária, mas considera que não passa de um sadismo direcionado a si mesmo, onde volta-se a agressividade para a própria pessoa. O prazer no castigo nada mais é do que a procura de amenizar o sentimento de culpa.
Ainda, segundo a Psicanálise, no masoquismo ocorre a conexão da crueldade com a pulsão sexual, concomitante a dor emergir como uma forma de prazer. Isto porque o masoquista faz uma supervalorização do objeto sexual, no qual apenas se percebe o bom deste, que é visto como perfeito, confiável, há credulidade no amor. Isto posto, evidencia-se que o masoquista tem uma atitude passiva em sua vida sexual, onde o prazer está associado à dor produzida pelo objeto sexual que é sempre idealizado. Este é o lado belo do masoquismo.
Isto remete a compreender as escolhas de sujeitos masoquistas para além dos pré-conceitos. Vulgarmente o masoquista é descrito como “aquele que gosta de sofrer”, mas o definir assim é uma postulação errônea. A concepção de sofrer não é estática, é subjetiva, logo, o que é sofrimento para mim não é, necessariamente, sofrimento para o outro. O fato de ele obter prazer de uma forma diferente da maioria das pessoas não significa que goste de sofrer, simplesmente encontrou meios de obter prazer de uma maneira peculiar.
Outra questão pouco explorada e um ângulo do masoquismo despercebido: o das pessoas que obtém prazer de uma forma de dor mais sutil. Pessoas que se mantém em relacionamentos destrutivos, que só ama quem não corresponde, permanecem em trabalhos que não gostam, se colocam em situações de abuso, exploração, enfim, entram em um conjunto de interações indesejáveis e aí permanecem, mesmo que façam reclamações continuamente. De uma maneira singela, isso não deixa de fazer parte do movimento mental chamado masoquismo.
Lobão em uma de suas músicas diz uma frase que pode ser relacionada ao masoquismo, a saber: “como uma chuva, uma tristeza podem ser uma beleza, e o frio uma delicada forma de calor”. Trecho ótimo para esclarecer que o masoquismo compreende muito mais do que o senso comum prega, além de evidenciar que esta prática não é tão incomum assim como muitos acreditam. Afinal, quem nunca chorou ouvindo uma música e mesmo assim insistiu em tornar a ouvi-la, por vezes, continuamente?! Pois é... Isso também é masoquismo.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 31-08-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O LAÇO AMOROSO ENTRE CASAIS E SUAS MANIFESTAÇÕES SOB A PERSPECTIVA DE PSICANALISTAS DA REGIÃO OESTE DO PARANÁ

Pesquisa publicada na revista científica Akropolis out/dez de 2011 - Umuarama
disponível em PDF via http://revistas.unipar.br/akropolis/article/view/4275/2654

Resumo: O presente trabalho pesquisou o laço amoroso entre casais e suas manifestações sob a perspectiva de Psicanalistas da região oeste do Paraná. Tem como objetivos investigar a historia do amor e do sexo, abordar a necessidade dos casais de se relacionarem amorosamente e, como a psicanálise interpreta as relações amorosas e a escolha do objeto de amor. Esta investigação foi realizada através de pesquisa bibliográfica e de pesquisa de campo. Após a aprovação do Comitê de Ética realizou-se a coleta de dados com oito profissionais que atuam embasados na Psicanálise. A análise dos dados confrontou a revisão de literatura com os dados obtidos nas entrevistas e revelou que as relações amorosas reverberam essencialmente aspectos infantis na escolha objetal, tais como a relação mãe/bebê e a dissolução do complexo de Édipo. Conclui-se que há uma relação entre a infância e as escolhas amorosas da vida adulta. Isso ocorre porque cada sujeito se constitui através das representações que foram significativas na sua infância, e é a partir destas representações que ocorrerá a busca pela satisfação na vida amorosa adulta. Ou seja, o laço amoroso entre casais está pautado nas primeiras marcas de satisfação deixadas pelos vínculos amorosos constituídos durante a infância.

Palavras-Chave: amor; sexualidade; psicanálise.

Title: The bond between loving couples and their manifestations from the perspective of analysts in the west of Paraná.
Abstract: This study investigated the bond between loving couples and their manifestations from the perspective of Psychoanalysts of the western region of Paraná. It aims to investigate the story of love and sex, address the need for couples to relate lovingly and as psychoanalysis interprets romantic relationships and the choice of love object. This research was conducted through literature search and field research. After approval by the Ethics Committee held data collection with eight professionals who work grounded in psychoanalysis. Data analysis confronted the literature review with data obtained in the interviews and revealed that romantic relationships on children's issues reverberate mainly object-choice, such as the mother / baby relationship and the dissolution of the Oedipus complex. We conclude that there is a relationship between childhood and adulthood loving choices. This is because each subject is constituted through the representations that were significant in its infancy, and from these representations that occur to search for satisfaction in their love life. That is, the bond between loving couples is based in the first marks left by the satisfaction of loving bonds formed during childhood.
Keywords: love, sexuality, psychoanalysis.

Título: La unión entre parejas de enamorados y sus manifestaciones, desde la perspectiva de los analistas en el oeste de Paraná.
Resumen: Este estudio investigó el vínculo entre las parejas de enamorados y sus manifestaciones, desde la perspectiva de los psicoanalistas de la región oeste de Paraná. Su objetivo es investigar la historia de amor y el sexo, la dirección la necesidad de que las parejas se relacionan con amor y como el psicoanálisis interpreta las relaciones románticas y la elección de objeto de amor. Esta investigación se llevó a cabo a través de la literatura y la investigación de campo. Después de la aprobación por el Comité de Ética celebrada recopilación de datos, con ocho profesionales que trabajan en tierra en el psicoanálisis. Análisis de los datos ante la revisión de la literatura con los datos obtenidos en las entrevistas y reveló que las relaciones románticas en cuestiones de la infancia repercuten principalmente la elección de objeto, tales como la relación madre / bebé y la disolución del complejo de Edipo. Se concluye que existe una relación entre las opciones de la niñez y la adultez amorosa. Esto es porque cada sujeto se constituye a través de las representaciones que fueron significativas en su infancia, y de estas representaciones que se producen en búsqueda de la satisfacción en su vida amorosa. Es decir, la unión entre parejas de enamorados se basa en las marcas de primera a la izquierda por la satisfacción de formar lazos de amor durante la infancia.
Palabras-claves: el amor, la sexualidad, el psicoanálisis.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é elucidar o relacionamento conjugal voltando-se ao laço amoroso existente entre casais sob a perspectiva da psicanálise. Esta pesquisa apresenta uma breve introdução sobre a história do amor e da sexualidade, a definição de laço amoroso e suas formas de manifestação partindo dos pressupostos da psicanálise, sejam na manutenção do laço ou na separação.
A primeira parte deste artigo trata da história da sexualidade e do amor, a qual tem sido permeada pelo mecanismo do poder. As leis morais estabelecem o que deve ser aceito e o que é reprovado em uma sociedade considerada sadia, mesmo que tal entendimento seja impregnado de hipocrisia. O sexo até meados do século XVII era vivido com aparente normalidade, a partir de então surgem regras sociais para tentar nivelar o comportamento sexual, assim cresceu progressivamente o interesse de estudá-lo e classificá-lo dentro dos padrões de normalidade. Assim, nasce a palavra sexualidade e são feitas classificações referente a ela. A princípio a lei social estabeleceu uma fusão entre sexo e amor e em seguida houve uma cisão entre estes termos.
A segunda parte deste estudo trata das vinculações afetivas que têm sua origem no primeiro ano de vida da pessoa quando ela precisa do Outro[1] para que suas necessidades sejam supridas. Também apresenta os tipos de escolha de objeto de amor no homem e na mulher e, questões subjetivas que contribuem para o rompimento e para a permanência do laço amoroso.
A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e a pesquisa de campo, com a aprovação pelo Comitê de Ética.  A partir da análise dos dados conclui-se que o laço amoroso se constitui como uma busca pela satisfação pulsional. Assim, o que a pessoa ama não é o objeto, mas sim o significante dele, a satisfação que ele implica e ainda, que toda escolha amorosa na idade adulta é permeada pelas relações objetais infantis, as quais têm relação estreita com a constituição psíquica e com a passagem pelo Complexo de Édipo.

2. REFLEXÕes SOBRE A histÓria do amor e da sexualidade

Com o intuito de fazer uma reflexão antropológica sobre o laço amoroso e a sexualidade utilizar-se-á das contribuições de Michel Foucault sobre a história da sexualidade, de Philippe Ariès acerca da história da família. E ainda de autores como Lacan (2002) e D’Inção (1989).
Durante a idade média, na França, não existia a constituição familiar demarcada como na atualidade. Os casais se relacionavam sexualmente e as crianças iam crescendo sem cuidados específicos ou vínculos afetivos bem definidos. As pessoas viviam em comunidade, não existia um lugar privado para o casal ou para as famílias. A família não era institucionalizada, os locais ocupados eram todos utilizados comunitariamente sem haver uma divisão ou organização que estabelecesse que espaço pertencesse a quem, todos desfrutavam, usufruíam, compartilhavam o mesmo meio sem haver restrições geográficas dentro da comunidade. Não havia, nessa época, na sociedade a necessidade de defender território e garantir vantagens à prole tendo em vista que todas as crianças eram criadas por todos não existindo uma vinculação amorosa diferenciada para os indivíduos com laços consangüíneos. Ou seja, não havia uma distinção entre o público e o privado (ARIÈS, 1978).
Para Foucault (1985) as questões relacionadas ao sexo eram tratadas com certa franqueza até o início do século XVII, não existindo a necessidade de manter segredos, nem moralizar o discurso sobre sexo, o qual era feito com naturalidade e sem repressões. No decorrer deste século, e no próximo, as questões sexuais passaram a ser vedadas, disfarçadas, tornado-se algo particular, algo de dentro de casa, cessando-se a naturalidade do discurso sobre sexo e passando-se a falar deste de forma mascarada. O sexo então, passou a ser aceito pela sociedade com a função única e específica da reprodução, servindo apenas para o casal legítimo gerar a prole conforme se referem às leis religiosas da época. A ordem repressiva sexual foi norteada pelo mecanismo do poder. A censura veio como uma forma de controle sobre o sexo, tentando barrar a incidência de sua prática, restringi-lo, negá-lo. Porém, conforme emergiam estas restrições ocorria o inverso do esperado, quanto mais se tentava calar o sexo, mais se criavam espaços específicos (e “ilegais”) para a sua prática na sociedade, e, ao mesmo tempo, se tentava classificá-lo.

Mas por volta do século XVIII nasce uma incitação política, econômica, técnica, a falar do sexo. E não tendo sob a forma de uma teoria geral da sexualidade, mas sob uma forma de análise, de contabilidade, de classificação e de especificação, através das pesquisas quantitativas ou causais. Levar “em conta” o sexo, formular sobre ele um discurso que não seja unicamente o da moral, mas da racionalidade [...] cumpre falar do sexo como de uma coisa que não se deve simplesmente condenar ou tolerar, mas gerir, inserir em sistemas de utilidade, regular para o bem de todos, fazer funcionar segundo um padrão ótimo. O sexo não se julga apenas, administra-se. (FOUCAULT, 1985, p. 26)

Esta ânsia, que se intensificou nesta época, em constituir padrões é muito mais antiga, pode-se dizer que sempre existiu. No séc. XII surgiu uma proposta inicial para que, uma vez por ano, todos se ajoelhassem e confessassem minuciosamente todos os seus erros principalmente os sexuais, na época a população achou incabível, no entanto, 700 anos depois a maior parte da sociedade concebe isto com normalidade. Os confessionários tornaram-se uma forma de controle sobre o sexo. O cristianismo associou-se a prática sexual e só a aceitava dentro de relações monogâmicas e para a finalidade de procriação. Isso contraria o pensamento existente em Roma e na Grécia que veneravam o sexo e o considerava lícito até entre pessoas do mesmo sexo. Entretanto, pesquisando esse tema no século I descobre-se que as relações sexuais eram permeadas pelo medo imposto através do cristianismo e da medicina da época que afirmavam que o uso dos prazerem sexuais era nocivo aos homens. Nessa época, foi descrita uma patologia como “perda de sêmem” causada pela prática do sexo e pensava-se que os grandes heróis eram homens capazes de desviar-se do prazer e por isso alcançaram honra e glória. Foucault (1984) expõe a idéia de São Francisco de Sales e Plínio que faziam uma referência aos elefantes que escolhem um companheiro para permanecer a vida toda, copulam uma vez a cada três anos, durante cinco dias, ninguém vê esse ato e após o término eles se lavam e só então tornam a integrarem-se no seu grupo social, eles descrevem isto como honra sexual e um modelo que deveria ser seguido pelos homens.
Com o enaltecimento da vertente cristã e médica a respeito do sexo o matrimônio monogâmico foi entendido como estereotipo adequado para uma sociedade padronizada. Sexo e amor eram entendidos como sinônimos, o sexo estava em constante vigilância e haviam recomendações e prescrições sobre este: “o dever conjugal, a capacidade de desempenhá-lo, a forma pela qual era cumprido, as exigências e as violências que o acompanhavam, as carícias inúteis ou indevidas” (FOUCAULT, 1985, p. 38), além disso, estipulavam-se seu momento e sua freqüência.
Sobre o surgimento da família Lacan (2002) afirma que desde os tempos mais primitivos os modelos familiares eram compostos essencialmente por uma figura de autoridade masculina (pai e/ou chefe de família).

A família surge inicialmente como um grupo natural de indivíduos unidos por uma relação biológica: a geração, que dá os componentes do grupo; a condição do meio que o desenvolvimento dos jovens postula e que mantém o grupo na medida em que os adultos geradores asseguram sua função (LACAN, 2002, p11).

No século XIX o homem se casava para ter conforto de um lar e ser chefe de família, que era justamente o que se esperava dele sociamente. O homem não precisava abrir mão de suas aventuras amorosas e podia manter uma postura abusiva em relação à esposa, o único papel que ele tinha responsabilidade de manter era o de ser mantenedor da casa, devia sustentar a família e manter o procedimento decoroso da esposa e dos filhos em relação a ele e a sociedade.
Os casamentos eram arranjados pelos pais e nem se pensava na existência ou inexistência de amor ente os cônjuges.  “Na visão da igreja, não era por amor que os cônjuges deveriam unir-se, mas sim por dever: para pagar o débito conjugal, procriar e finalmente, lutar contra a tentação do adultério” (D’INÇAO, 1989, p.33). Foi somente em meados do século XIX que alguns países começaram a aceitar a escolha do parceiro pautando-se no quesito amor. Fato que é resultante das ideologias individualistas que começaram a emergir, onde o individuo antes considerado agente empírico passou a ser visto como um ser moral e também psicológico.
Ainda sobre o surgimento da família Lacan (2002) exprime que a união conjugal se dá pela necessidade de estabelecer uma continuidade psíquica a gerações futuras. Ele está de acordo com a idéia de Foucault, que diz “o indivíduo durante muito tempo foi autenticado pela referência dos outros e pela manifestação de seu vínculo com outrem - família, lealdade, proteção” (FOUCAULT, 1985, p.58).
Sobre a influência da igreja nas questões de amor e sexo Lacan (2002) aponta que ela incorporou à sua tradição, na moral do cristianismo, a questão de que para a efetuação do casamento se deveria ser livre a escolha do cônjuge. Isso deu origem à instituição familiar em sua estrutura moderna.
O amor sempre foi tema da filosofia e Platão é uma das principais referências.  Em O banquete, Platão fala sobre o discurso de Pousanias, o qual afirma que o amor pode ser belo ou feio, dependendo da forma como o amante o pratica. O amor descrito aqui como belo é decente, é aquele em que se ama mais a alma do que o corpo e que se funde por toda a vida e, o feio é chamado indecente, é o que se encanta pela beleza do corpo e quando esta termina, termina também o amor e se esquece juntamente todas as juras feitas. Portanto, percebe-se que há muitas formas de compreender o amor, assim como a relação amorosa. No próximo capítulo será apresentado laço amoroso a partir da visão psicanalítica.

3. Laço amoroso na Ótica psicanalÍtica

Para entender o vínculo amoroso em psicanálise é preciso compreender a constituição psíquica. Freud (1915) afirma que existe uma estrutura psíquica que rege a sobrevivência do indivíduo, nela há o instinto que se caracteriza pela busca da satisfação de necessidades básicas fisiológicas como alimentação, e a pulsão que tem a função de buscar satisfação, mas não é fisiológica, pois busca satisfazer as necessidades subjetivas do individuo, o desejo, o querer, o amor e atenção do outro. A pulsão se manifesta quando a criança começa a perceber que a mãe não é uma extensão de si mesma e se percebe como um ser separado, ela então sente a falta da mãe quando esta não está presente.
Esta experiência de sentir/viver a ausência da mãe pode ser definida como uma falta, a qual é um dos componentes para a estruturação psíquica, a maneira como a criança lida com esta falta definirá sua estruturação psíquica que poderá ser neurótica, psicótica ou perversa. O neurótico sente a falta e sofre com ela, o psicótico foraclui a falta, já o perverso nega a falta (QUINET, 2005).
A maneira de lidar com o objeto amado na infância se repetirá ao longo da vida, toda a vez que a pessoa se relacionar com o outro repetirá os padrões daquele primeiro contato que teve com este primeiro outro, no caso, a mãe. Portanto, o sujeito sente uma satisfação ao imaginar a presença de sua mãe quando perceber a falta dela na realidade, isso gera uma marca ilusória de completude que será desejada inconscientemente durante toda a vida.
Para Freud (1915) o prazer é o que regula os eventos mentais, onde o próprio funcionamento busca a redução de tensão ou produção de prazer. O autor expressa que o princípio de prazer dá lugar ao princípio de realidade, e isso ocorre não só com a intenção de obter prazer, mas também com a tentativa de evitar o desprazer.
O ato de desejar então parte desta corrente de excitação que regula o prazer e o desprazer. Através do desejo se é possível fazer a descarga de energia pulsional desprazerosa produzida pela falta em algum objeto que implique em um determinado prazer. O desejo e o amor podem ser descrito como formas de o sujeito retomar a satisfação que um dia teve, ou imaginou ter.
Freud (1905) define libido como energia sexual a qual se emprega para a satisfação de prazeres. O vínculo de amor é concebido pelo mesmo como o investimento libidinal em algum objeto ou pessoa. Ao longo da vida esses objetos vão mudando conforme o nível de satisfação que proporcionam. Não se ama o objeto que se diz amar, ama-se o prazer que ele implica. O amor é satisfação de prazer.
Freud descreveu a evolução psicossexual em forma de fases, onde a mesma libido passa por diferentes formas de satisfação. A primeira é a fase oral na qual a criança tem como zona erógena a boca, ela experimenta as gratificações da libido oral através da amamentação. A segunda é a fase anal que é quando a libido esta concentrada nas mucosas excretoriais.  A terceira é a fase fálica que é quando a criança começa a se perceber como um ser sexuado.

A psicanálise revelou na criança pulsões genitais cujo seu apogeu se situa no quarto ano de vida [...] Fixando a criança por um desejo sexual ao objeto mais próximo que normalmente a presença e o interesse lhe oferecem, a saber, o progenitor do sexo oposto. (LACAN, 2002, p. 42)

O Complexo de Édipo, apresentado por Freud, descreve o complexo de sentimentos presentes na vida psíquica de uma criança. Para compreender tal complexo deve-se partir do mito original de Édipo Rei e também de Electra. Sófocles (2002) explica que estes dois mitos expressam a angústia do filho pela relação incestuosa com a mãe, o assassinato do pai e a angústia da filha que idolatra o pai e mantém uma rivalidade com a mãe. A partir destes mitos Freud (1905) define que o complexo de Édipo, que ocorre por volta dos quatro anos, é a fase da vida em que aflora a sexualidade e se inicia a escolha de um dos progenitores como objeto de amor e o outro como objeto de identificação.
Para Lacan (1999) o âmago do complexo de Édipo é deparar-se com um limite que não é só biológico, mas também um limite constituinte. Não é apenas não poder relacionar-se com seu genitor porque o outro não quer, é o não poder porque não se suporta. A criança não tem maturidade para entender a excitação naquele momento por isso ocorre o recalque.
Lacan (1999) faz uma releitura de Freud e estabelece três tempos na ocorrência do complexo de Édipo.  O primeiro tempo denomina-se a dialética do desejo, aqui há uma relação de alienação com a mãe, a criança fica assujeitada ao superego da mãe e aos desejos desta, pois a considera um Outro onipotente, tem o sentido de substituto de falo para mãe. O segundo tempo é chamado de dialética do ser, neste tempo entra-se na separação, a criança começa a construir seu mundo simbólico, se constituir como sujeito, depara-se com a angústia, pois fica dividida entre seu desejo e o desejo da mãe, deixa de ser o objeto fálico desta e depara-se com suas frustrações. O terceiro e último tempo é descrito como a saída do Édipo, é dito a dialética do ter, a criança começa a perceber a diferenciação entre masculino e feminino, o pai é visto como aquele que tem, aquele que sanciona a lei, e a criança faz a significação e registra esta experiência de castração.
Como este desejo pelo genitor do sexo oposto não pode ser satisfeito e é censurado pelo superego causando sentimento de culpa, este desejo é recalcado. Assim, o relacionar-se com o outro, na idade adulta, vem como uma oportunidade de realização do amor genital que se buscava, mas não podia ser satisfeito na infância e, nele acontece as repetições das formas infantis de se relacionar através da busca pela obtenção de prazer. Portanto, a relação de amor é marcada pela ambivalência de sentimentos já que o objeto de amor é ora amado e ora odiados por se manifestar sob diversas formas entre satisfatório e frustrante.
Lacan (1985) concebe que o desejo de uma pessoa de possuir a outra nada mais é do que o desejo por gozar do corpo do Outro e isto parte da identificação que se tem com este objeto que se deseja possuir. Este gozo[2] diz respeito à satisfação que se obtém com alguns eventos e/ou situações que, no caso, referem-se ao Outro que é o objeto de amor. 

Gozar tem esta propriedade fundamental de ser em suma o corpo de um que goza de uma parte do corpo do Outro. Mas esta parte também goza – aquilo agrada ao Outro mais, ou menos, mas é fato que ele não pode ficar indiferente (LACAN, 1985, p. 35).

3.1 A escolha AMOROSA E SUas implicaçÕes

Lacan (2002) evidencia que os complexos familiares são compostos por fatores inconscientes representados por imagos e tem a função de desempenhar um papel de organização do psiquismo. As imagos são descritas como um padrão inconsciente de personagens que orienta a concepção do Outro pelo sujeito. Assim, as pessoas vêem o amor como uma possibilidade de fazer de dois um só, nos relacionamentos amorosos as pessoas buscam a simbiose para desfrutar do gozo desta relação (Lacan, 1985). 
Freud (1905) descobriu que a feminilidade e masculinidade são construídas socialmente durante os primeiros anos de vida e através dos contatos de proximidade com as pessoas. A partir daí que se originam as formas de escolher o objeto de amor e se relacionar com ele. A escolha do objeto amado é baseada num movimento pulsional de encontrar um objeto perdido e desejado. Desta forma, toda escolha amorosa parte de um objeto original desejado e impedido, tem suas origens no complexo de Édipo e norteia-se pela busca de satisfação. Todavia a plena satisfação é algo inalcançável e a partir disso ao longo da vida surgem objetos substitutos.
A escolha do objeto de amor está intrinsecamente associada ao investimento libidinoso da pessoa em algo ou alguém exterior a ela. Freud (1905) aponta que a questão da sexualidade esta atrelada à pessoa desde o seu nascimento com sua busca de prazer por diferentes formas. A criança vai constituindo sua sexualidade a partir do conhecimento do prazer e começa a erotizar o Outro como objeto de amor, ou seja, investimento libidinal. Isso faz com que se elejam objetos para se empregar amor, pois propiciam certa satisfação.

Porque investimos naquele objeto e não em outro? A resposta a essa pergunta não pode ser dada aqui como uma regra, pois os fatores inconscientes envolvidos nessa escolha são muitos e diferem de pessoa para pessoa. O objeto amado pode ser, para o menino alguém que se assemelhe à figura materna e, para a menina à figura paterna, pode ser, ainda, alguém que possua algo que se deseja mas, não se possui, ou alguém que possua o que a gente possui e, assim, ama-se a si próprio no outro (BOCK, 1999, p. 234).

Freud (1912) ao falar sobre um comportamento amoroso normal remete a questão de que este é constituído por uma corrente afetiva e uma de sensualidade. A afetiva é retratada como os primeiros vínculos existentes, que são expressos na relação com os cuidadores, têm-se a pulsão de autopreservação e leva uma carga de pulsões sexuais o que faz o sujeito deparar-se com o incesto. Por esse motivo, na maioria dos casos, a corrente afetiva é desvinculada da corrente sexual fazendo com que o homem ame uma mulher por que não tenha desejos sexuais e deprecie aquela por quem tenha. Essa postura de amar uma e desejar outra ocorre pela relação que se teve com a mãe, pois a mãe sendo a mulher do pai lhe è uma mulher impossível sexualmente, a essa deve amar e ao mesmo tempo tem-se o desejo por ela daí a necessidade de depreciá-la. Assim, o homem só seria pleno no amor se aceitasse a condição incestuosa ao amar outra mulher.
 “Um homem deixará seu pai e sua mãe – segundo o preceito bíblico – e se apegará à sua mulher; então, se associam afeição e sensualidade” (FREUD, 1912, p. 165). Freud ainda afirma que um objeto amoroso é mais valorizado na medida em que promove mais paixão sexual e que na mulher não há a necessidade de depreciar o objeto de amor, em contrapartida sua atividade sexual vem anexada com a proibição.
Na visão psicanalítica a sexualidade não ocorre de forma idêntica para os dois sexos. No menino não haverá a troca do objeto de amor logo ao sair da relação de simbiose com a mãe a vai continuar a tendo como objeto de desejo, já na menina ocorre o inverso, a mãe que no início lhe era um objeto de prazer por lhe propiciar satisfação de necessidades fisiológicas, passa, na entrada do complexo de Édipo, a ser objeto de identificação e rivalidade, enquanto se emprega a libido no pai.
Entre dois parceiros há um passivo e um ativo, o primeiro é representado pelas características femininas e o segundo pelas masculinas. Pommier (1991) relatando sobre a passividade e atividade utiliza-se do mito de Tirésias (que quando abordado por Zeus revela que a mulher sente dez vezes mais prazer que o homem) onde se revela o gozo da mulher pela passividade, ela esconde sua superioridade, pois obtém ganhos com sua fragilidade. A mulher tem o gozo do corpo. A questão do gozo do corpo é a mesma para os dois sexos. “Para o homem enquanto que provido de órgão dito fálico – eu disse dito -, o sexo corporal, o sexo da mulher não lhe diz nada, a não ser por intermédio do gozo do corpo”. (LACAN, 1985 p.15)
Segundo Lacan (1985) o amor também é essencialmente narcísico, Freud (1914) define narcisismo como uma etapa do desenvolvimento do eu, forma particular de se relacionar com a sexualidade, um processo pelo qual o sujeito se identifica em seu próprio corpo.
A princípio tem-se o narcisismo que Freud (1914) denominou como primário por ser a primeira forma de satisfação libidinal, aqui o prazer é oriundo do auto-erotismo, caracterizado pela ausência de relação com o meio, acontece com a criança por ter a sensação de bastar para a mãe. Aqui há uma dualidade entre mãe e criança que é perturbada com a crise edípica em que a criança percebe um terceiro na relação e se vê como insuficiente assim ela procura tem aquilo que lhe falta para ser idealizada. O narcisismo primário começa então a se transformar em narcisismo secundário que se dá através do investimento da libido em objetos exteriores a si, ocorre por um processo de identificação aonde o eu vai se constituindo incorporando traços de objetos com o intuito de retomar aquela condição narcísica primordial e diminuir a discrepância entre o eu e o ideal.
Após a formulação do narcisismo Freud (1915) parte para as implicações do objeto na escolha amorosa e então formula os conceitos de amor narcísico e anaclítico. O amor descrito como narcísico é quando o amor volta-se pra si mesmo, ama-se quem se é o que reproduz a própria imagem. Já no amor anaclítico é quando o objeto de amor (objeto sexual) é visto como o outro, ou seja, aquele que supre suas necessidades com alimentação, carinho, proteção, geralmente na forma anaclítica o objeto de amor é a mãe ou alguém que faça a função materna, pois está pautada nas pulsões de auto-conservação. O amor narcísico é então caracterizado como egoísta e o anaclítico como altruísta.
Para Freud (1914) a escolha objetal narcísica implica em amar a si mesmo através de seu semelhante e que todo amor por algum objeto comporta mesmo que parcialmente o narcisismo. O narcisismo é um dispositivo defensivo para manter uma falsa sensação de auto-suficiência.
Para Pommier (1991) homem e mulher escolhem de forma diferente. A mulher, por ser um sujeito faltoso, poderá presentificar o falo sendo o objeto de amor de um homem. A mulher por sentir a falta fálica pensa que o homem pode satisfazê-la. O homem, por sua vez tenta satisfazer-lhe. Mas isso implica em frustração por nenhum tem capacidade de suprir a falta do outro. Os casais se organizam de forma a perpetuar uma fantasia de união absoluta que proporcione satisfação para ambas as partes e o vínculo se rompe caso esta tentativa falhe.
As pessoas atribuem um ideal de felicidade no objeto de amor acreditando que este o irá preencher só que ao mesmo tempo tem que conviver com as impossibilidades do outro para que o vínculo seja mantido, “o amor, será que é fazer um só?” (LACAN, 1985 p.13). Sim, mas de forma alienada. Sem considerar o desejo de cada um.

4. METODOLOGIA

Este trabalho foi elaborado por meio da revisão de literatura e também com a execução de uma pesquisa de campo. Tal pesquisa realizou-se por amostragem. Esta amostra compreende um total de oito psicólogos com formação em psicanálise que atuam na região oeste do Paraná. O projeto de pesquisa foi realizado no mês de março e aprovado[3] pelo Comitê de Ética da Universidade Paranaense/Campus Umuarama/Pr.
O instrumento para a pesquisa de campo, que foi do tipo qualitativa, foi uma entrevista[4] estruturada com oito (8) questões abertas, apresentadas de forma semi-dirigida. As entrevistas foram realizadas individualmente com cada profissional. Ela ocorreu durante os meses de agosto e setembro/2010.

5. ANÁLISE DOS DADOS
            A partir da análise das questões um (1) e dois (2), percebeu-se, que todos os entrevistados comungam da Psicanálise pautando-se primordialmente em Sigmund Freud e Jacques Lacan. Em conformidade com o embasamento teórico alguns afirmam que o laço amoroso é a busca de completude e de satisfação. Uma das entrevistadas faz referência a Freud e Lacan ao dizer que o amor é narcísico.
Entre os psicanalistas que tem conhecimento sobre os complexos familiares apresentados por Lacan alguns concordam plenamente que estes interferem na escolha objetal e outros concordam parcialmente: “Sim, se esse[homem ou mulher] não retificou esse complexo, e não retificou e significou o seu sintoma, mais uma vez relaciona-se de acordo com o complexo de Édipo” (S.I.C.).
Acerca das questões quatro (4) e cinco (5) foi perceptível que todos os entrevistados responderam encontrarem em sua prática clínica a relação amorosa como causa de sofrimento psíquico: “Como se busca o que não se tem, enquanto não se tem claro que o Outro não tem para dar causa sofrimento. A mulher pensa que se ela não tem, mas o homem tem então ele pode dar a ela. O homem pensa que tem e tem medo de perder. O laço amoroso leva o sujeito a se deparar com a sua castração. As mulheres sofrem porque o homem não dá o que ela quer e o homem sofre (segundo o discurso masculino) porque não consegue satisfazer a mulher.” (S.I.C.).
Ainda sobre a questão cinco (5) que investiga se o amor pode-se ser responsável por sintomas físicos, todos concordaram, uma das entrevistadas salientou que depende da estruturação psíquica, ou do sujeito inconsciente. Isso confirma a teoria que diz que quem faz sintoma é o neurótico, enquanto o psicótico e perverso não, portanto, sendo o paciente neurótico poderá apresentar um sintoma físico em função da perda ou do vínculo com o objeto amado.
Sobre a questão seis (6) que aborda o complexo de Édipo todos os pesquisados também afirmaram que este pode possui influência na escolha amorosa na idade adulta: “Mas concordo porque vocês utilizam o termo “permeada”. As respostas anteriores já apontaram isso... É muito arriscado quando falamos em ‘escolha do companheiro’, o termo ‘escolha’ nos faz pensar em ‘decisão consciente’. Mas enfim, a passagem pelo Édipo é decisiva no posicionamento da criança perante o sexo (me afirmo como homem ou mulher? A psicanálise fala em ativo/passivo – o que torna a questão bem mais complexa!” (S.I.C.)
As duas últimas questões sete (7) e oito (8) que interrogam sobre a permanência ou o rompimento do vínculo foram respondidos de forma semelhante por todos os entrevistados. Nas respostas encontrou-se que o vínculo se mantém pela necessidade de não estar só, pela dependência emocional e por questões inconscientes. E ainda que este vínculo pode ser rompido por um novo deslocamento e pela forma com que cada um lida com a castração. Relataram também que para perdurar o relacionamento deve-se aceitar que o outro não tem para dar, o que “lhe falta” e aprender a conviver com isso. “Cada caso demonstraria aspectos distintos. A nós cabe a pergunta: o rompimento é fruto de um novo deslocamento e, portanto seria um ato sintomático? Ou o rompimento aparece como elaboração sobre o que mantinha as identificações do sujeito? (o paciente pôde por em questão o processo de alienação/separação?)” (S. I. C.)

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode-se dizer que o tema laço amoroso é fascinante na contemporaneidade, pois há um maior interesse social neste tema. Este estudo encontrou material escrito abundante e percebeu-se que há uma valorização crescente em pesquisas sobre os relacionamentos afetivos, principalmente entre cônjuges. Talvez isso deva ao fato de que as vinculações amorosas se fazem presentes por toda a vida de uma pessoa, todos os neuróticos se relacionam afetivamente de alguma forma.
Constatou-se neste estudo que o amor conjugal é vivido em sua impossibilidade. E isso é facilmente percebido nos romances clássicos onde são encontram-se pares famosos como Tristão e Isolda e Romeu e Julieta, os quais demonstram a impossibilidade do amor ser vivido na “prática”, estes clássicos apresentam a tragédia, as dificuldades, e o desejo humano de amar e ser amado. No entanto, na literatura não existe prova de que o amor seja justo porque homem e mulher amam de forma diferente, então, não é possível encontrar a justa posição entre os que se amam.
Compreende-se com a revisão de literatura e pela pesquisa de campo que o ser humano busca no outro a completude, a unicidade, a simbiose, ou seja, a busca de um casal é um buscar no outro aquilo que lhe falta, e que se acredita que o Outro tem, e se deseja dar e poder dar. Mas isto é uma ilusão, e o que se percebe é que a ilusão mantém a busca do amor, mantém o desejo de ser amado.
É ilusão, pois, o ser humano neurótico, por ser insatisfeito, não pode encontrar nada no mundo que o satisfaça totalmente, pois isso equivaleria à perda do desejo, seria a própria morte. Portanto, é justamente isso que perpetua a busca constante por satisfação, principalmente nos relacionamentos amorosos.
Através das idéias freudianas estudadas foi possível perceber a impossibilidade e possibilidade de um relacionamento perdurar. Impossibilidade na medida em que satisfação total em um relacionamento é impossível, irreal, mas que o relacionamento pode ter a possibilidade de perdurar se cada um se aceitar como sujeito faltante e deixar de cobrar do outro, e de si mesmo, a satisfação plena e a completude.
E como essa aceitação implica na aceitação da castração algumas pessoas buscam a análise pessoal para tratar esta questão. Isso foi confirmado pelas entrevistas com os psicanalistas da região oeste do Paraná. Assim, constatou-se que os laços amorosos existentes entre casais constituem-se como o núcleo dos conflitos mais discutidos na clínica psicanalítica. Na contemporaneidade os casais adoecem pelo desconchavo de ter expectativas em relação aos relacionamentos e ao mesmo tempo inibição, sintoma e angústia por não aceitarem os limites impostos pela castração.
Amar é uma tentativa de driblar a castração. Amar é uma forma de se manter desejante. É preciso amar. E também, saber sobre a castração, ou seja, saber dos limites e impossíveis da relação amorosa.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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ARIÈS, P. Historia social da criança e da família. Rio de janeiro: LTC editora, 1978. p. 99-196.

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FOUCAULT, M.  História da sexualidade 1: A vontade do saber.7°ed. Rio de Janeiro: Graal, 1985. 152 p.

________História da sexualidade 2: O uso dos prazeres.  Rio de Janeiro: Graal, 1984. 232 p.

FREUD, S. Fragmento da análise de um caso de histeria (1905). In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. VII. Rio de Janeiro: Imago, 1972. 13-116 p.

_______O Inconsciente (1915). In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XIV. Rio de Janeiro: Imago, 1996. 165-222 p.

_______Observação sobre o amor transferencial (1915) In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XII. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

_______Sexualidade Feminina (1931). In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XXI. Rio de Janeiro: Imago,1995. 231-251 p.

_______Sobre a tendência universal à depreciação na esfera do amor (1912). Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, vol. XI. Rio de Janeiro: Imago, 1970. 181-195 p.

_______Sobre o narcisismo: uma introdução (1914). In: Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud, vol. XIV. Rio de Janeiro: Imago, 1969. 77-108 p.

________Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905). In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. VII. Rio de Janeiro: Imago, 1972. 117-229.
________Um tipo especial de escolha de objeto feita pelos homens (1905). In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XI. Rio de Janeiro: Imago, 167-179 P.

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LACAN, J. Os complexos familiares na formação do individuo: ensaio de analise de uma função em psicologia. 2a ed. Rio de janeiro: Jorge Zahar, 2002. 99 p.

________O seminário, livro 20: mais, ainda. RJ : Jorge Zahar, 1985. 201 p.

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POMMIER, G. A exceção feminina: os impasses do gozo. RJ : Jorge Zahar, 1991. 139 p.

QUINET, A. As 4 + 1 condições de análise. 10 ed. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed., 2005

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WINNICOT. D. W. A família e o desenvolvimento individual. São Paulo: Martins fontes: 2001. 245 p.




[1] Outro: definição lacaniana para a figura onipotente da mãe ou de autoridade do pai, que pode ser encarnado por outras pessoas na relação com o sujeito.
[2] Gozo: conceito lacaniano que está relacionado a satisfação e a sexualidade, mas difere-se do conceito de prazer. Tenta definir a satisfação inconsciente.
[3] Certificado em anexo.