terça-feira, 23 de julho de 2013

DOIS ANOS DE “TEMAS DE PSICOLOGIA”

No ultimo dia 16 comemorou-se dois anos de existência da coluna “Temas de Psicologia”. Em 2011 com o meu primeiro artigo publicado no Jornal A Folha de Saltinho, intitulado “Estresse: causas, consequências e como combatê-lo”, surgiu a proposta de criação de um espaço direcionado a assuntos pertinentes a Psicologia, que resultou na referida coluna.
Planejada para ser uma coluna informativa e dinâmica, aos poucos a “Temas de Psicologia” foi se configurando como um espaço de construção de saberes sobre as mais diversas áreas do existir. Com 99 artigos publicados até o presente momento, foram muitos assuntos percorridos, e-mails respondidos, pesquisas feitas, ideias expostas, questionamentos levantados, enfim, um verdadeiro lugar de estudo da alma e do que a circunda, ou seja, de Psicologia.
Abordar o ser humano em sua totalidade, englobando relacionamentos interpessoais, comportamentos, patologias, sintomas, aprendizagem, evolução humana, crenças, situações, desenvolvimento, sociedade e assim compreendendo cada sujeito como biopsicossocial espiritual, histórico e relacional foi uma meta alcançada nestes dois anos. Tudo isso em prol do autoconhecimento e do conhecimento do contexto a que estamos inseridos. Resgatando as palavras de Lao Tsé, “Aquele que conhece os outros é sábio. Aquele que conhece a si mesmo é iluminado. Aquele que domina os outros é forte. Aquele que domina a si mesmo é poderoso”.
Espero que este espaço tenha sido especial, útil e agregador de sabedoria na vida de cada um dos leitores, como tem sido na minha. E ainda, mesmo com a coluna passando de semanal a quinzenal, pela minha pouca disponibilidade de tempo, permaneço a disposição para perguntas e sugestões para futuros artigos.
Com amor e gratidão.

Psicóloga Katree Zuanazzi

sábado, 20 de julho de 2013

DEPENDÊNCIA

O termo dependência passou a ser usado para substituir a palavra vício e foi constituído no ano de 1964 pela Organização Mundial de Saúde como o vínculo da pessoa com uma substância da qual usufrui com regularidade. A dependência é um padrão de uso intenso e contínuo caracterizado pelo descontrole em relação à freqüência e quantidade usada de droga pela necessidade enorme de consumi-la cada vez mais. Vários mecanismos tornam as pessoas dependentes, pois esta é uma relação entre o indivíduo e o modo que consome a substância.
Cigarro, álcool, cocaína, maconha, crack são os objetos de dependência mais comuns. Dependência pode se dar através do uso de qualquer substância que produz sensações prazerosas e sua intensidade depende diretamente do tempo e intensidade do consumo, por características singulares do usuário concomitante ao meio social.
Algumas substâncias causam dependência muito rapidamente, como é o caso da cocaína que após apenas algumas vezes de uso a pessoa já sente necessidade de tornar a usar. Outras drogas podem demorar meses para se instalar e precisam de doses maiores, como é o caso do álcool.
Ronaldo Laranjeiras afirma que “A dependência é um processo de aprendizado. O fumante, por exemplo, pela manhã já manifesta sintomas da abstinência. Fica irritado e sua capacidade de concentração baixa. Ele fuma, o desconforto diminui. Vinte minutos depois, o nível de nicotina no cérebro cai, voltam os sintomas da abstinência e ele vai aprendendo a usar a droga pelo efeito agradável que proporciona e para evitar o desprazer que sua falta produz”. Isto posto, pode-se concluir que um processo semelhante a este se manifesta em se tratando também de outras drogas. A dependência nada mais é do que uma estratégia desenvolvida pela mente para evitar o desprazer buscado mais prazer.
Estima-se que 20% da população são usuários de substâncias psicoativas ao longo da vida, aproximadamente 15% são dependentes químicos e 11% têm o hábito de usar mais de uma droga. Também deve-se salientar que a prevalência de transtornos psiquiátricos em pessoas dependentes beira 70%.
Os sintomas se estendem ao âmbito químico e psicológico, entre eles se destacam: a ansiedade, inquietude, mau humor, impaciência, agressividade, mudança no sono e na alimentação (pra mais ou pra menos), desejo constante pelo objeto de vício e dificuldade nas relações afetivas.
O tratamento é pautado em psicoterapia, terapia medicamentosa e grupos de apoio. Clinicas de reabilitação são necessárias em casos mais graves.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 13-07-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

segunda-feira, 8 de julho de 2013

GENTE APROVEITADORA: COMO LIDAR COM COLEGAS FOLGADOS

Gente folgada tem em toda parte, não é difícil as detectar. Em nosso círculo de proximidade como no trabalho, na família, nos grupos sociais, colegas de apartamento, enfim, entre as inúmeras relações de convivência existe a possibilidade de se perpetrar uma relação de abuso. Alguns são mais sutis na exploração dos companheiros, outros o fazem de maneira escancarada. A relação de exploração se dá primordialmente sob dois aspectos: financeiros e de serviço.
Em se tratando do âmbito financeiro, o aproveitador tem o hábito de pedir dinheiro emprestado e independente da quantia (desde pagamento de um produto até da entrega feita pelo motoboy) sofrem uma espécie de ‘amnésia’, tendo em vista que quase sempre esquecem que pegaram dinheiro emprestado. Há também os que, na divisão da conta, falam para o amigo pagar que depois lhe ressarcirá e, novamente, se ‘esquece’ do combinado. Ou ainda os que pedem coisas emprestadas e nunca devolvem. O uso de desculpas como ‘crise financeira, desemprego, problemas de saúde’ são os mais usuais quando cobrados pela dívida. Se não cobrados veementemente, existe pouca possibilidade de que paguem suas dívidas.
Em se tratando de serviço, o aproveitador é um sujeito que sempre verbaliza estar cansado ou doente, até mesmo estando desempregado usa desculpas esfarrapadas como ‘não tive tempo de lavar a louça’. O aproveitador se utiliza da boa fé e paciência dos colegas para tripudiar sobre eles. Pratica uma estratégia de persuasão em pessoas que ele percebe fragilidade. Se fazendo de sofredor tem êxitos em convencer pessoas a fazerem seus deveres escolares, arcar com suas funções no trabalho, lhe prestar favores, fazer as tarefas domésticas, enfim, abusa de toda e qualquer forma da boa vontade dos colegas.
Estes tipos só se proliferam e se mantém com a existência de um outro tipo de sujeito, aqueles que se deixam aproveitar. As pessoas passivas, sem atitude são as mais fáceis de manipular e se mostram um terreno propício para se tirar proveito. O responsável nunca é o aproveitador e sim o que se deixa aproveitar. Sempre digo que as pessoas só fazem com a gente o que permitimos que elas façam. Isto posto, se alguém permanece nestas atitudes contigo a culpa só é sua, que se coloca como um objeto para ser explorado na mão do outro.
Comumente a vitima é uma pessoa consternada, que se afeta, sente pena, acredita no papel de ‘coitadinho’ desempenhado pelo aproveitador, sem se dar conta que por trás desta máscara se esconde uma pessoa astuta, dissimulada, solerte, que se acostumou tanto a tirar vantagem de outros que não sente o mínimo de vergonha ou receio em fazê-lo. Enxergar além da carapuça é o primeiro passo para se livrar desta situação.
Uma vez que tenha percebido o interesse de uma pessoa em se aproveitar de você, nada de ser bonzinho, seja firme! Se demonstrar fraqueza essa pessoa contorna a situação e logo torna a te enrolar no emaranhado de ardil, utilizando-se de lamúrias e pesares. Não dê abertura para que ela permaneça se aproveitando de você, a corte, mesmo que precise ser ríspido para tanto. Não tenha misericórdia de quem não tem remorso algum em te usar. Se imponha, seja determinado, direto, assertivo em pôr um fim nos comportamentos desta pessoa. A única maneira de frear o aproveitador é sendo firme com ele.

Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 22-06-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)