quarta-feira, 24 de abril de 2013

CANAIS DE COMUNICAÇÃO: AUDITIVO, CINESTÉSICO E VISUAL


A comunicação é entendida como uma transmissão de mensagens de uma pessoa a outra, uma interação, que se dá por vias verbais e não verbais. Falamos por meio de palavras, mas também com o timbre de voz utilizado para proferir estas palavras, falamos com os olhos, com a cabeça, com as mãos, braços, posturas, enfim, falamos com toda manifestação corporal. Os percursores da Programação Neurolinguística (PNL), Richard Bandler e John Grinder, constataram por via de seus experimentos que existem três maneiras de se comunicar e de perceber o mundo, são elas: auditiva, cinestésica e visual. Apensar de todos os três canais se fazerem presente em uma pessoa, um deles sempre será predominante, e identificá-lo facilitará que a comunicação seja satisfatória.
Comecemos pelas pessoas predominantemente auditivas. Estas dão muito valor à conversa, ao diálogo, gostam tanto de falar quanto de ouvir, de discutir relação, sentem a necessidade de um feedback nas relações interpessoais, de receber elogios, tem assuntos de sobra. Comumente usam palavras ligadas ao áudio como “escuta”, “se liga” e “ouça”. É característico ter postura descontraída, mantém um balanço corporal dando a impressão que tem uma música interna, o olhar é horizontal, na altura dos ouvidos. Quando a predominância do canal auditivo se excede a pessoa tem um diálogo interno muito intenso que lhe dispara fortes sensações fisiológicas, se tornam sujeitos preocupados, sofrem por antecipação, são agressivos com as palavras, precisam ser retroalimentados pelos outros, de motivação externa, ficam inseguros quando não recebem elogios, chegando a o pedir (mesmo que discretamente) aos outros, indagando sobre a opinião alheia acerca de si. Quando em equilíbrio, a pessoa sabe conversar bem, é incentivadora, agradável, acolhedora, tem uma voz confortadora e habilidades para lidar com pessoas.
Aqueles que são mais cinestésico dão importância ao contato, ao cheiro, ao gosto. Usam palavras que expressam sensações como ‘o assunto é pesado’, ‘frio na barriga’, ‘sinto gelo’. Falam pouco e baixo, não costumam agir rápido e tem um olhar mais voltado para baixo. Se permite sentir mais, nos relacionamentos precisam abraçar, ser tocado, tem como prazer ser estimulado sensitivamente. Quem é cinestésico em excesso tem uma tendência à apatia, porque mergulha muito em si mesmo, se sentem inseguros se não forem tocados e são contagiados emocionalmente pelos outros. Se em equilíbrio, são pessoas carinhosas, afetivas, acolhedoras, ‘relax’, gostam de receber visitas, cuidar das pessoas, fazer comida gostosa.
Já os que têm uma acentuação no canal visual, desejam organização em tudo, percebem a simetria das coisas. São usuais as expressões: ‘veja bem’, 'ideia brilhante’, ‘imagina’, ‘mostra’. A fala costuma ser mais rápida mantendo uma alta jactância de palavras, a respiração costuma ser curta e rápida, tendência a ter mão fria, uma postura ereta e um olhar pais elevado. Gostam de atividades que o estimulam visualmente, de ler, precisam de resultados visíveis, adoram espelhos, estão sempre preocupados com a própria imagem, não gostam muito de toque. Tem a necessidade de enxergar o outro numa conversa. Pessoas que entram no excesso visual tem pressa demasiada, são ansiosas, as vezes desagradáveis, tendem a julgar pela aparência. Quando está em equilíbrio é organizada, faz as coisas com agilidade e com beleza.
Todos possuímos os três canais de comunicação, sendo que um deles predominará, e o que for menos usual será nosso sabotador. Este é qual devemos ficar atentos e trabalhar para desenvolvê-lo. Apenas calibrando os três sentidos seremos bons comunicadores. Além de perceber o nosso próprio canal para nos aprimorar é importante identificar o canal do interlocutor para conseguirmos nos comunicar de uma maneira que faça sentido a quem recebe a informação, utilizando-se das formas que ele capte com maior facilidade. Lembrando que comunicação não é a informação que transmitimos, mas sim a que a pessoa recebe.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 20-04-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A MULHER “BOAZINHA” NOS RELACIONAMENTOS DESTRUTIVOS


Autoestima baixa é o ponto principal enfrentado pelas mulheres que tem dificuldade no relacionamento amoroso. Independente de manterem-se casadas ou separarem, vivenciar um relacionamento conturbado sempre implicara num abalo da imagem formatada acerca de si mesma, principalmente quando se cede ao outro o poder acerca de quem se é.
Mesmo insatisfeita com o relacionamento que vivem algumas mulheres se colocam na obrigação de se objetificar para reparar os danos deste, contaminadas pelo viés da cultura e das imposições perpetradas ao feminino ao longo da história que se repercute até hoje. A educação intransigente a qual fomos submetidas nos implantou a ideia de que a mulher para ter um relacionamento feliz, idealizado pelos famosos contos de fadas, precisa ser vulnerável ao companheiro, lhe servir, fazer-lhe as vontades em detrimento das próprias, ignorar as necessidades subjetivas para satisfazer os desejos do homem, ou seja, ser submissa. Assim, a mulher continua se esforçando inconscientemente pra ser o capacho a qual foi adestrada a ser, sem se dar conta que isto não é algo saudável e jamais vai resultar num bom relacionamento amoroso. Isto só promove uma relação de desamor e desprezo. Desamor no sentido de que ninguém no mundo sente amor por quem não se ama, e desprezo é a reação natural de um ser humano diante de quem não se respeita. Quem se coloca como um objeto para o outro se autossabota.
      Numa matéria exibida recentemente pelo programa Fantástico da rede Globo de televisão, se retratava um viés de como seria o mundo sem as mulheres. Neste, as mulheres iam viajar e os afazeres domésticos deveriam ser feitos pelos homens que, devido a isto, sentiriam falta extrema da companheira, deixando assim a entender que o homem sente a falta da mulher para cuidar da casa e não pelo sentimento que tem por ela. Então estas mulheres são meras domésticas destes homens? Então a única forma de amor que tem é pelo serviço que presta ao marido? É saudável e sincero um amor assim? Quem tem sentimentos verdadeiros por outra pessoa sente falta da pessoa por quem ela é, não da louça que ela lavava, da comida que ela fazia, do chão que ela esfregava, do jeito que ela cuidava do filho... Não foram lisonjeiras para com a classe feminina as colocações impressas pelo Fantástico, mesmo sendo colocado de uma forma “bonitinha”.
      Ser doméstica do marido não é ônus apenas daquela mulher coitadinha, sem estudo, que não teve incentivo para progredir na vida. Existem muitas mulheres que teriam tudo para serem “poderosas”, que são donas de si, evoluídas, estudadas, inteligentes e bem sucedidas, que reproduzem a mesma ação de empregada do companheiro sem se dar conta disso. Tem casal que ambos trabalham o dia todo e quando chegam em casa ao final do dia, ainda é a mulher que vai limpar a casa, fazer o jantar, cuidar do filho e assim por diante, enquanto o “donzelo” toma seu banho e vai pro sofá assistir televisão. E o pior é que é visto com tanta normalidade...
Percebo no exemplo de mulheres que vivem como um objeto para o marido e depois não sabem por que foram abandonadas, traídas... (não estou justificando traição, apenas lançando olhar sobre outro ângulo). E aquele bordão “eu fazia de tudo, era uma boa esposa, vivia pra ele, etc. e tal” é o mais ouvido. Ficam inferindo ao parceiro a ideia de monstro e se colocando como vítima, sem perceber o quanto contribuíram para a decadência do relacionamento. Lacan indaga “qual é a tua contribuição para a desordem da qual te queixa?”. Culpar o outro é fácil, mas só consegue dar a volta por cima quem se tira da posição de vítima, olha para si mesmo de uma maneira sincera e se reposiciona no mundo de uma maneira mais assertiva. Lembrando que as pessoas só fazem com a gente o que lhes permitimos fazer. E o principal: antes de uma pessoa trair outra, geralmente esta já se traiu primeiro. Você se colocar como um objeto para uma pessoa é a mais profunda forma de traição consigo mesma.
Existem mulheres que não fazem nada, absolutamente nada por si, que não tem um momento se quer para pensar e cuidar de si mesma e depois não entendem porque deixaram de ser interessantes. Autoestima é uma construção cotidiana e as pessoas mais amadas são as que mais se amam. Quem não gosta e cuida de si mesma dificilmente receberá isso do mundo externo. O amor começa com o amor próprio.
Cuidar da mente e do corpo, aprender algo novo, uma língua, uma dança, um ofício, fazer academia, terapia, cursos, participar de eventos, lazeres enfim, fazer uma atividade prazerosa, inovar, se lançar a novas possibilidades, é de extrema importância para fomentar o amor próprio. Investir em si mesma é a atitude mais sábia a se tomar, já somos o nosso maior patrimônio. Relacionamentos começam e terminam, mas nosso relacionamento conosco mesmo é eterno.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 13-04-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

DIVERSIDADE E RESPEITO (OU FALTA DESTE)


Outrora deslumbrada por movimento de contracultura, agora o admiro em partes. É linda a atitude de uma pessoa de se posicionar a defender, guerrear, lutar por uma classe, objetivo, convicção que tenha pra si como verdade. Todavia perde seu brilho quando é feita em detrimento a outra classe, também digna dos mesmos direitos e que também tem suas verdades subjetivas.
A verdade nunca é absoluta, sempre depende da ótica da pessoa. Somos sujeitos biopsicossociais e históricos, não existe possibilidade de sermos encaixados em uma categoria ou nomenclatura que nos defina por completo. Isto é diversidade: cada pessoa absolutamente única, junto a inúmeras outras pessoas também sem igual, convivendo com as diferenças e verdades alheias (e o ideal seria sem tentar obrigar o outro a ser igual a si mesmo).
Li uma frase há alguns dias que fez muito sentido para minha maneira de analisar o sujeito contemporâneo, dizia: “O oprimido de hoje, se tiver uma oportunidade, será o opressor de amanha” - Desconheço a autoria.
O que acontece nos movimentos sociais hoje em dia é exatamente isso: classes outrora reprimidas, com direitos violados que, agora com os direitos angariados, atuam reprimindo e violando os direitos alheios. Vemos isso na política, na militância homossexual, no feminismo, na religiosidade, nas questões de raça, na questão da prática sexual e assim por diante. Vejo muitas classes que, uma vez sofreram violência, mas que hoje são as que mais violentam.
O alvo da vez dos preconceituosos são os cristãos. Uma pessoa se declarar cristã é assinar o aval para ser perseguida, a partir desta posição tudo que a pessoa disser vai ser alvo de críticas e repressão. E o pior: Os principais promotores de violência contra essa classe são os “militantes da igualdade”, ou seja, aqueles grupos que afirmam lutar pela liberdade de ideias, querendo que ela seja aceita e respeitada socialmente, todavia não tem o hábito de aceitar e respeitar as opiniões contrárias. Teve um pastor, Silas Malafaia, que recentemente foi perseguido por alguns extremistas anti-igreja, em defensiva usou uma frase extraordinária: "Vocês que dizem defender tanto os direitos dos outros estão precisando defender o direito de todos, inclusive os contrários”.
Quem quer ser respeitado e fazer o que achar certo sem sofrer preconceito de ninguém, deve primeiro saber respeitar as opiniões opositivas sem inferir agressivamente contra estas. Como disse Gandhi “Devemos ser a mudança que queremos ser no mundo”. Quem não sabe respeitar a diversidade que é cada ser humano, não tem moral pra exigir que a sua diversidade seja respeitada.
Vejo pessoas fazendo campanha contra outras pessoas, simplesmente por se posicionarem com uma opinião divergente a delas, sem feito um crime se quer contra alguém. Indago-me, pra que despender tanta energia em algo tão fútil? Sim, é futilidade uma pessoa ficar fazendo protesto pra um evangélico (que nunca praticou um crime) não assumir a Comissão dos Direitos Humanos, enquanto os políticos corruptos que participaram de mensalões e até se envolveram com assassinato, como é o caso da nossa excelentíssima presidente da república, ficam bem à vontade para continuar roubando a nação. Os movimentos ativistas já foram nobres, antigamente.
Tem muito transexual sendo espancado, assassinado pelas ruas diariamente enquanto a classe que afirma os defender está mais preocupada com opinião pessoal de religiosos do que em manifestar-se para protegê-los. Eu levanto a bandeira gay pra que vidas não sejam mais maltratadas por preconceituosos, não para obrigar a humanidade a pensar exatamente igual. A integridade física e psicológica está sendo deixada de lado em prol de uma “queda de braço” entre posições ideológicas.
Os desastres contínuos que emergem na atualidade, entre eles, estupros, violência doméstica, agressão contra homossexuais, exploração infantil, roubos, assassinatos, sequestros, estelionatos, fraudes, latrocínio, etc. estão calados diante dos gritos de igualdades de direitos, que se traduz em: obedeça todo mundo o que eu quero, se não vou me intitular vítima de “algumacoisafobia”. Isto não é pedir justiça, é má-fé. Parafraseando Simone de Beauvoir: “Querer-se livre é também querer livre os outros”. Libertar a nós mesmos enquanto enclausuramos alguém não é honroso.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 06-04-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A NOBREZA DE SER PSICÓLOGO


Vejo a profissão que escolhi como uma das mais belas, nobres, honradas.  Lançar-se a compreender, entender e auxiliar o outro em um processo de ressignificação e cura interior (e exterior, às vezes), deixando de lado nossos próprios sofrimentos é um ato muito bonito, não pode ser feito por quem não é altruísta.
O atendimento em qualquer área da Psicologia demanda muita energia psíquica para nos mantermos focados no sujeito em sua completude, mas principalmente no âmbito clínico a atuação do Psicólogo precisa ser integral, completa, absolutamente centrada no paciente e suas vicissitudes, pois talvez aquele seja o único momento que este disponibilize para si mesmo. Aqui se exige muita excelência.
No período de faculdade, onde estamos nos construindo enquanto profissionais, aprendemos muitas teorias e ao final desta nos posicionamos em optar por uma para pautar nosso trabalho. Todavia, na prática isso não se faz possível ortodoxamente, serve apenas para nortear nossa visão de homem, pois cada paciente é uma teoria nova, nunca será possível encaixá-lo em algo pré-existente. O psicólogo então é um teórico, que deve criar uma teoria nova para cada sujeito singular e único que adentra seu consultório. É o mínimo a se esperar de um Psicólogo comprometido com sua profissão.
Metaforicamente falando, vejo o trabalho do Psicólogo como de um lixeiro: o paciente nos joga “os lixos” dele e cabe a nós o auxiliar em reciclar o que for possível, e se livrar do que não é mais útil e cabível. Ao mesmo tempo em que fazemos isso devemos deixar nossos próprios “lixos” separadinhos, tomando o cuidado para nunca, em hipótese alguma, deixar que se misturem aos do paciente. Isso é ética.
O papel do psicólogo é compreender a subjetividade do sujeito, e isto envolve mais do que simplesmente a sintomática apresentada. Nem sempre o que o paciente deseja é o que ele quer, nem sempre sua queixa é a verdadeira demanda, nem sempre o que ele expressa verbalmente é sua real necessidade. E este é o ponto mais interessante. Anular-nos de nós mesmos para ouvir com sabedoria, ter “os ouvidos domesticados” como disse Lacan, e falar o que o paciente realmente precisa ouvir, não o que ele gostaria de ouvir ou o que gostaríamos de falar. É dever do Psicólogo saber a arte do bem falar, que só se dá pelo bem ouvir. Isto é ser humano com o sofrimento alheio.
O quesito principal exigido para quem é Psicólogo é não ser preconceituoso. Não fazer julgamento é um item presente no código de ética, não estamos lá para mensurar o que é certo ou errado. Não fazer inferência pessoal sobre a realidade do paciente, não fazer juízo de valor, não menosprezar o que para ele é importante, mesmo que tudo em que ele acreditar fira nossos princípios. Estamos lá como um sujeito amoral a disposição de outro que tem suas crenças arraigadas, e só terá progresso a psicoterapia se não nos posicionarmos como sujeito suposto saber. Habituar-se a separar as nossas verdades das verdades do outro é fundamental. Uma não precisa existir em detrimento a outra, podem coexistir. Isto é respeito pelo semelhante, deveria ser seguido por todas as pessoas.
Um bom psicólogo tem que ter um autoconhecimento excessivo, sem isso dificilmente desempenhará um trabalho eficiente. As pessoas só podem dar o que elas possuem, logo, somente uma pessoa muito bem resolvida com suas peripécias da vida será útil na vida do outro. Quem não dá conta dos próprios conteúdos não tem estrutura para lidar com os conteúdos alheios. Isto é fato! Sempre digo que a psicologia não é para os frágeis emocionalmente.
Estar à mercê da necessidade do outro não é algo fácil. Desgasta, consome, tira o sono muitas vezes, causa desconforto, preocupação quando o caso do paciente é muito grave, porém é muito gratificante. Não tem preço quando percebemos o progresso acontecendo na vida da pessoa e que todo o trabalho que desempenhamos foi válido. Quando o paciente se vai, conclui o processo terapêutico, não há como negar que deixa um vazio, mas que é preenchido pelo prazer imenso de perceber que ele não precisa mais de nós para estar bem, e este era o objetivo a ser alcançado. Psicólogos foram feitos para serem abandonados e esta é a glória.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 30-03-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)