terça-feira, 3 de dezembro de 2013

CAFAJESTE: O VILÃO DA PSIQUE FEMININA

Mulheres crescem ouvindo sobre este personagem que tem o poder de lhes dilacerar o coração e se preparam psicologicamente pra quando isso acontecer ao chegarem à idade adulta. A crença de que “nenhum homem presta” vai se construindo com estas mensagens subliminares perpetradas por familiares (que intencionam proteger sua menininha do futuro) e com o passar dos anos a convicção de que homens são sujeitos não confiáveis vai se instalando.
O arquétipo do cafajeste é definido como um vilão, um homem mau, mentiroso, ludibriador, que se finge de romântico, que só pretende se aproveitar de moças de família para depois abandoná-las com a honra manchada. Esta é o perfil primário, inspirado em histórias reais que deu corpo a uma série de livros, filmes e afins que só serviram pra intensificar a imagem desse personagem no inconsciente coletivo feminino.
Hoje é um tanto diferenciada a concepção de cafajeste, mas o conteúdo permanece o mesmo: de que os homens são vilões e as mulheres, vítimas. O público feminino em massa continua projetando esta imagem de que homem não presta em seus relacionamentos e se posicionando como “coitada” ao fim de cada um deles.
É uma utopia dizer que homens não prestam. Existem pessoas com caráter desonesto e isto não se remete a um gênero sexual. Tem tantos homens promíscuos quanto mulheres, atualmente. O que ocorre é que algumas mulheres foram programadas mentalmente para aguardar os cafajestes de sua vida e vão de alguma forma chegar a este destino que esperam, mesmo que simbolicamente. Não que cafajestes não existam, existem sim! Mas não são todos os homens e nem apenas homens.
Algumas mulheres estão tão bitoladas na crença de que “todos os homens são iguais, não confiáveis” que pra elas não existe outra realidade. Mesmo que apareça um “príncipe” ela vai vasculhar até achar um indício de que seja sapo, pois não consegue enxergar/acreditar que pode ter um homem decente (deseja, mas não acredita). O sujeito pode ter muitas características apetecíveis em um companheiro, lhe provar ser sério e honrado, mas ela inconscientemente vai procurar falhas, por mínimas que sejam, pra comprovar sua crença de que ele é um algoz. E quando a relação fracassar ele será o culpado.  A ideia de que homem é cafajeste é tão forte, vivida, presente que de tanto crer nisso ela verdadeiramente se sente traída pelo destino e convence as pessoas a seu redor disso. Pais, amigos, colegas, enfim, todo mundo fica sabendo que ela foi vítima indefesa de um mocinho sem vergonha, mau caráter, que não prestava, entre outros adjetivos direcionados ao pobre moço. E depois vem outro mocinho igual, e outro... E nenhum na cabeça desta mulher presta.
E é claro que existem mulheres que se relacionam com cafajestes de verdade. Que traem, mentem, fingem, cometem violência, abandonos temporários ou perpétuos, enfim, que a colocam em situações vitimizadoras.  Estas são vítimas no primeiro contato com esse tipo de relação, mas deixam de ser a partir do momento que permanece na relação, ou escolhem outros companheiros com o mesmo perfil (o que é normal para mulher com “síndrome do cafajeste”).
A crença do “cafajeste” tem sido responsável pelo término de relacionamentos entre pessoas de boa índole. A ciência já comprovou: nossas crenças influem sobre nosso sistema cerebral, este não consegue distinguir entre a realidade e a imaginação. A partir do momento que eu crio uma verdade subjetiva todo meu ser vai trabalhar em prol de materializá-lo, diz a física quântica. O cafajeste do seu companheiro pode ser o cafajeste que você criou!

Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 23-11-2013. Também disponível nos sites www.saltinhoweb.com e www.afsaltinho.com.br

PERVERSÕES SEXUAIS

O nome contemporâneo usado para se referir a perversões sexuais é parafilia. Originada da junção do grego “para” que tem como significado “fora de” e “philia” que traduz-se como “amor”. Assim, o próprio nome já deixa evidenciado que é uma prática diferenciada do ato de fazer amor.
Parafilias são comportamentos sexuais não aceitos pela sociedade, e a maioria de suas categorias é desconhecida para esta. São praticados por pequena parcela da população, sendo que o índice de ocorrência mais comum é entre pessoas do sexo masculino. Entendidos como práticas incomuns, exclusivas, anormais, que podem colocar em perigo alguém e/ou represente prejuízo físico, psicológico ou emocional a um dos envolvidos no ato.
A pessoa acometida por este Transtorno se fixa em um objeto ou coisa para obter o prazer sexual que comumente é obtido no coito. Dificilmente uma pessoa parafilica permanece em uma única prática estranha, o interesse pela primeira tende a se tornar monótono, então ocorre a procura por novas práticas e o envolvimento em outras atividades sexuais excêntricas. Com o tempo ocasiona a exclusão de atos sexuais normais, fazendo a pessoa ficar adepta apenas a praticas antinaturais.
     O catalogo das parafilias é vasto. Entre as mais conhecidas e menos rechaçadas estão: o sadismo (o ato de sentir prazer com o sofrimento físico ou psicológico alheio), o masoquismo (ter prazer originário da dor, esta é a parafilia oposta e complementar a primeira mencionada), exibicionismo (fazer sexo em lugares públicos ou mostrar os órgãos genitais a estranhos), fetiche (a fixação sexual direciona-se a um objeto especifico inanimado como roupa, sapato...), podolatria (desejo por pés), bondage (prazer originado no ato de amar ou imobilizar o parceiro), voyeurismo (gostar de observar o ato sexual ou corpos, sem ter nenhum contato fixo). 
      Averiguando as parafilias mais vistas como insanas fica em evidência: a zoofilia (prática sexual com animais), emetofilia (excitação com o ato de vomitar ou com o vomito do outro), necrofilia (desejo sexual por cadáver), asfixiofilia (prazer em reduzir a oxigenação do cérebro intencionalmente durante a relação, pratica bastante perigosa), espectrofilia (atração sexual por fantasmas).
É diagnosticada com Parafilia a pessoa que tem hábitos sexuais considerados “desviados” com exclusividade, ou seja, usando sexo bizarro como única fonte de prazer sexual, excluindo o sexo convencional/normal, ou fazendo por obrigação (social), mas sem obter o prazer máximo.
Alguns desses comportamentos sexuais (das parafilias mais “leves”, que cataloguei acima como as mais conhecidas) podem se apresentar em pessoas consideradas normais, que apenas ampliaram a gama das possibilidades de obtenção de prazer, que aderem algo diferenciado ocasionalmente sem representar perigo a si mesmo e a terceiros. Se não for algo continuo, fixo, prejudicial a alguém e o sexo normal continuar sendo a principal fonte de prazer não é enquadrado como transtorno.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 09-11-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)