segunda-feira, 8 de julho de 2013

GENTE APROVEITADORA: COMO LIDAR COM COLEGAS FOLGADOS

Gente folgada tem em toda parte, não é difícil as detectar. Em nosso círculo de proximidade como no trabalho, na família, nos grupos sociais, colegas de apartamento, enfim, entre as inúmeras relações de convivência existe a possibilidade de se perpetrar uma relação de abuso. Alguns são mais sutis na exploração dos companheiros, outros o fazem de maneira escancarada. A relação de exploração se dá primordialmente sob dois aspectos: financeiros e de serviço.
Em se tratando do âmbito financeiro, o aproveitador tem o hábito de pedir dinheiro emprestado e independente da quantia (desde pagamento de um produto até da entrega feita pelo motoboy) sofrem uma espécie de ‘amnésia’, tendo em vista que quase sempre esquecem que pegaram dinheiro emprestado. Há também os que, na divisão da conta, falam para o amigo pagar que depois lhe ressarcirá e, novamente, se ‘esquece’ do combinado. Ou ainda os que pedem coisas emprestadas e nunca devolvem. O uso de desculpas como ‘crise financeira, desemprego, problemas de saúde’ são os mais usuais quando cobrados pela dívida. Se não cobrados veementemente, existe pouca possibilidade de que paguem suas dívidas.
Em se tratando de serviço, o aproveitador é um sujeito que sempre verbaliza estar cansado ou doente, até mesmo estando desempregado usa desculpas esfarrapadas como ‘não tive tempo de lavar a louça’. O aproveitador se utiliza da boa fé e paciência dos colegas para tripudiar sobre eles. Pratica uma estratégia de persuasão em pessoas que ele percebe fragilidade. Se fazendo de sofredor tem êxitos em convencer pessoas a fazerem seus deveres escolares, arcar com suas funções no trabalho, lhe prestar favores, fazer as tarefas domésticas, enfim, abusa de toda e qualquer forma da boa vontade dos colegas.
Estes tipos só se proliferam e se mantém com a existência de um outro tipo de sujeito, aqueles que se deixam aproveitar. As pessoas passivas, sem atitude são as mais fáceis de manipular e se mostram um terreno propício para se tirar proveito. O responsável nunca é o aproveitador e sim o que se deixa aproveitar. Sempre digo que as pessoas só fazem com a gente o que permitimos que elas façam. Isto posto, se alguém permanece nestas atitudes contigo a culpa só é sua, que se coloca como um objeto para ser explorado na mão do outro.
Comumente a vitima é uma pessoa consternada, que se afeta, sente pena, acredita no papel de ‘coitadinho’ desempenhado pelo aproveitador, sem se dar conta que por trás desta máscara se esconde uma pessoa astuta, dissimulada, solerte, que se acostumou tanto a tirar vantagem de outros que não sente o mínimo de vergonha ou receio em fazê-lo. Enxergar além da carapuça é o primeiro passo para se livrar desta situação.
Uma vez que tenha percebido o interesse de uma pessoa em se aproveitar de você, nada de ser bonzinho, seja firme! Se demonstrar fraqueza essa pessoa contorna a situação e logo torna a te enrolar no emaranhado de ardil, utilizando-se de lamúrias e pesares. Não dê abertura para que ela permaneça se aproveitando de você, a corte, mesmo que precise ser ríspido para tanto. Não tenha misericórdia de quem não tem remorso algum em te usar. Se imponha, seja determinado, direto, assertivo em pôr um fim nos comportamentos desta pessoa. A única maneira de frear o aproveitador é sendo firme com ele.

Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 22-06-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

RELACIONAMENTO INTERPESSOAL

O relacionamento interpessoal faz referência a todo e qualquer processo que envolva interação humana. Dá-se por via de influência recíproca entre um sujeito e outro, independente de sua forma de manifestação ser comportamental, verbal ou não verbal, pois até mesmo as projeções de pensamentos ou simples reações físicas deixarão implícito algum conteúdo.
O ato de relacionar-se implica em muita complexidade por ser contínuo, sempre estamos influindo pessoas e sendo influídos por outras. A conexão entre seres é uma via de vai e volta, assim como damos, recebemos concomitante. Não existe possibilidade de esquivarmo-nos de ser incutidos pelas pessoas que nos rodeiam. Apenas delineamos quem somos a partir do outro.
            Não é raro o fato de o ambiente de trabalho ser por nós mais tempo frequentado do que nosso círculo familiar. Passamos demasiado tempo do nosso dia no circuito profissional onde grande parte dos relacionamentos interpessoais ocorre e, juntamente, os conflitos.
Toda e qualquer interação entre pessoas não foge da eventualidade de conflitos, sejam eles simples ou de maior complexidade. Não há como fugir desse fato, já que cada pessoa é única e tem seu jeito singular de pensar e agir que, muitas vezes, vai de encontro ao do outro. No entanto, eles devem ser trabalhados para que não promovam resultados desagradáveis ou até mesmo o rompimento da relação.
Tolerância é uma característica chave para que relacionamentos se estabeleçam de maneira saudável. A habilidade de relevar situações desagradáveis e contornar fatos indesejáveis é adquirida. Só tem boa capacidade de relacionamento interpessoal quem o deseja e se empenha em ter. Através da forma que nos posicionamos diante de uma interação interpessoal escolhemos como será este relacionamento.
Se comunicar claramente, conduzir situações com leveza, ser assertivo, saber se expressar sem invadir o espaço do outro, delimitar o próprio espaço sem acuar o outro, dar espaço para as virtudes e os defeitos alheios, são habilidades comuns em pessoas que cultivam relacionamentos duradouros, tanto de amizade, quanto amoroso e familiar.
Estabilidade plena é algo impossível em se tratando de relação. Adversidades emergem mesmo nos relacionamentos mais felizes, negar isso é negar a realidade. O que existe são relações harmônicas, onde pessoas lidam com o ‘pior’ do outro sem deixar que isso afete o vínculo entre eles.
     Para que relacionamentos interpessoais perdurem e sejam satisfatórios é preciso que haja uma maneira adequada em sua condução, nas mais variadas circunstâncias que venham a perpassar. Requer habilidades, chamadas  de competências interpessoais. Não é um dom ou uma característica inata, e sim um aprendizado contínuo que se dá através das vivências.

Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 08-06-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

A FANTASIA DO AMOR PERFEITO

O amor perfeito é vivido em sua impossibilidade de concretude, é existente apenas em nível de pensamento, fantasia, tudo no campo do imaginário. Na prática depara-se com o desmascarar da ilusão, com a frigidez da plenitude, com o fim de um começo que nunca existiu. O amor na realidade nunca será sublime quanto na fantasia.
Quando nos deparamos com a possibilidade de amor é arquitetado, consciente ou inconscientemente, toda uma estrutura mental a respeito deste sujeito que é um potencial ser pra ser amado, bem como, para todas circunstâncias que permeiam esta relação. Em meio à emergência de uma infinidade de fantasias cercando este sujeito, uma expectativa passa a existir que confronta quando o real se faz presente.
Quando contatamos realmente o objeto amado, o descobrimos, o desvelamos, destrói-se juntamente toda e qualquer possibilidade de amor pleno. Alguém disse que só se ama um desconhecido. O desconhecido é a nossa perfeição projetada em um alguém real e incógnito, que por esse fator se torna possível atribuí-la todas as virtudes que julgarmos necessárias. O desconhecido é criado por nossa ideia de ideal, mas quando a pessoa deixa de ser desconhecido se desmancha toda a construção outrora estabelecida.
O conhecido é um ser independente, que atua além do que queremos ou desejamos, que tem vontade própria, que tem defeitos além do que pensamos, que critica, opina, tem costumes, manias, maneiras subjetivas de ser, e isso destrói o amor. O amor é massacrado com o conhecimento. O amor perfeito, pleno, fatídico só existe no plano da fantasia. Ao deparar-se com a realidade, ele involuntariamente se dissolve dando espaço as imperfeições do sujeito amado. Só resta chorar o amor que se vai, elaborar o luto e se lançar a um novo processo semelhante, ou aceitar este amor imperfeito.
O amor imperfeito não é menos amor por ser mais angustiante. É tão intenso e verdadeiro quanto o amor no plano da fantasia, apenas mais complicado de se vivenciar. Talvez por isso tanta gente tenha preferido manter relacionamentos virtuais. Como é difícil lidar com o defeito dos outros e vê-los agir sem saber o porquê optaram por tais comportamentos, ir de encontro as nossas vontades, questionar nossas verdades, nos travar, confrontar, mostrar outras formas de existir, nos impressionar, nos deixar confusos, atônitos, sem saber lidar com o enigma que é este outro, mas não é impossível de estruturar-se como relação estável. Aliás, é totalmente possível! Qualquer pessoa com maturidade é capaz de fazer esta transferência da fantasia para a realidade e se adaptar a ela, mesmo que com sofrimento e lástima. Isto é o amor verdadeiro.
As pessoas querem uma coisa que não existe e vivem frustradas por não conseguir alcançá-la. Mas a frustração apenas ocorre porque foram criadas expectativas exorbitantemente elevadas, em que não há o mínimo de chance de serem condizentes com a realidade. Quem não fantasia com “contos de fadas” mirabolantes não corre o risco de sofrer tanto com a realidade que, querendo ou não, lutando ou não, jamais será livre de infortúnios.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 01-06-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

PESSOAS QUE SE FAZEM DE VITIMA


Aposto que todo mundo já se deparou com uma pessoa que se coloca como a injustiçada do mundo. Se ainda não, há possibilidade de você ser essa pessoa. Reclamar, lamentar, lastimar se torna tão habitual a pessoas que se enxergam como vítimas do universo, que quem convive junto a estas nem leva em consideração mais suas lamúrias. Afinal, o ocorrer de eventuais adversidades desperta a solidariedade dos colegas, amigos, familiares, mas quem transforma tudo em adversidade só angaria descrédito.
 As pessoas só têm defeitos, nenhum trabalho é bom, nenhuma amizade é verdadeira, nenhuma atividade é agradável, ninguém é admirável, nada dá certo, nada está legal, tudo é difícil, desprazeroso, chato, problemático, estressante, relatos contínuos de doenças, dores, sofrimento, infortúnios são comuns, enfim, encontrar motivos pra reclamar de tudo e de todos é um comportamento nítido de quem tem o mundo como inimigo. Estas pessoas constroem histórias tão convictas, que passam a acreditar que realmente são coitadinhas e os outros, carrascos. Muitas vezes chegando a convencer alguém disso.
Se posicionando como vítima, além de desviar a culpa de si mesmo acerca das mazelas da qual reclama, existe a possibilidade de culpar um outro ser por tudo aquilo que se está passando. É tão mais fácil culpar o funcionário e atribuir a ele erros do que assumir as próprias falhas enquanto chefe; é tão conveniente culpar o outro por não nos amar à assumir as atitudes nada amáveis que adotamos diante destas pessoas; é tão cômodo julgar os alunos em vez de perceber a própria falha enquanto professor; é tão mais confortável apontar os marginais na rua do que assumir nossa própria contribuição para a marginalidade; é simples culpar os colegas, a secretária, o motorista ao lado, o filho, os parentes por inúmeras coisas que não são muito agradáveis, mas que tem nossa parcela de culpa, ou total culpa por ter ocorrido. Tudo que eclode em nossa vida está sob nossa responsabilidade. Se vitimizar é uma tentativa de fugir desta.
O ponto mantenedor do comportamento vitimizado é que este furta a atenção e misericórdia de alguém que, mesmo que por pouco tempo, despende energia psíquica acreditando que a pessoa realmente foi injustiçada por alguém ou algo. Mesmo isso não sendo a verdade plena, ser vítima implica em um aglomerado de ganhos secundários, além da atenção das pessoas: o apoio, o amparo, a solidariedade, a disposição em lhe ajudar, enfim, muitas coisas satisfatórias. Se não existissem vantagens, o comportamento não seria mantido.
Conviver com gente que se acostumou a ser ‘pobre coitada’ não é algo muito fácil, porque qualquer tentativa que tenhamos de lançar um olhar mais positivo para animá-la, confortá-la ou incentivo a ela sair deste movimento passivo de derrota logo é bombardeado pelas justificações das desgraças vividas. Concordar que a vida da pessoa é uma desgraceira mesmo é uma alternativa válida quando se cansa de vê-la tentando convencer de que é digna de pena. Afinal, chantagem emocional só comove o próprio chantagista, geralmente causa irritação no ouvinte.
Quem consegue identificar em si mesmo esta característica já está em vantagem, pois não é algo fácil assumir os próprios pontos negativos. Se perceber é o primeiro passo em direção à mudança. A frase Lacaniana ‘Qual a tua contribuição na desordem da qual te queixas?’ é importante de ser lembrada continuamente diante das vicissitudes da vida.
As pessoas só colhem aquilo que plantam. Cada pensamento, ação, palavra que lançarmos ao mundo é uma semente que, querendo ou não, vai germinar e implicar em resultados. É má-fé ficar culpando aos outros, culpar o mundo, culpar o destino e se fazer de vítima. A culpa pelo que escolhemos projetar no mundo nunca é do outro, é só nossa. Cada um só é vítima de si mesmo. Quem não gosta do que está recebendo do “destino” deve refletir sobre o que fez lá no passado para estar hoje nesta situação... Sem se fazer de coitadinho, porque isso é desprezível. A vida é apenas consequência do que fazemos ou que deixamos de fazer, ou seja, resultado de nossas escolhas pessoais.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 11-05-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A MULHER “BOAZINHA” NOS RELACIONAMENTOS DESTRUTIVOS


Autoestima baixa é o ponto principal enfrentado pelas mulheres que tem dificuldade no relacionamento amoroso. Independente de manterem-se casadas ou separarem, vivenciar um relacionamento conturbado sempre implicara num abalo da imagem formatada acerca de si mesma, principalmente quando se cede ao outro o poder acerca de quem se é.
Mesmo insatisfeita com o relacionamento que vivem algumas mulheres se colocam na obrigação de se objetificar para reparar os danos deste, contaminadas pelo viés da cultura e das imposições perpetradas ao feminino ao longo da história que se repercute até hoje. A educação intransigente a qual fomos submetidas nos implantou a ideia de que a mulher para ter um relacionamento feliz, idealizado pelos famosos contos de fadas, precisa ser vulnerável ao companheiro, lhe servir, fazer-lhe as vontades em detrimento das próprias, ignorar as necessidades subjetivas para satisfazer os desejos do homem, ou seja, ser submissa. Assim, a mulher continua se esforçando inconscientemente pra ser o capacho a qual foi adestrada a ser, sem se dar conta que isto não é algo saudável e jamais vai resultar num bom relacionamento amoroso. Isto só promove uma relação de desamor e desprezo. Desamor no sentido de que ninguém no mundo sente amor por quem não se ama, e desprezo é a reação natural de um ser humano diante de quem não se respeita. Quem se coloca como um objeto para o outro se autossabota.
      Numa matéria exibida recentemente pelo programa Fantástico da rede Globo de televisão, se retratava um viés de como seria o mundo sem as mulheres. Neste, as mulheres iam viajar e os afazeres domésticos deveriam ser feitos pelos homens que, devido a isto, sentiriam falta extrema da companheira, deixando assim a entender que o homem sente a falta da mulher para cuidar da casa e não pelo sentimento que tem por ela. Então estas mulheres são meras domésticas destes homens? Então a única forma de amor que tem é pelo serviço que presta ao marido? É saudável e sincero um amor assim? Quem tem sentimentos verdadeiros por outra pessoa sente falta da pessoa por quem ela é, não da louça que ela lavava, da comida que ela fazia, do chão que ela esfregava, do jeito que ela cuidava do filho... Não foram lisonjeiras para com a classe feminina as colocações impressas pelo Fantástico, mesmo sendo colocado de uma forma “bonitinha”.
      Ser doméstica do marido não é ônus apenas daquela mulher coitadinha, sem estudo, que não teve incentivo para progredir na vida. Existem muitas mulheres que teriam tudo para serem “poderosas”, que são donas de si, evoluídas, estudadas, inteligentes e bem sucedidas, que reproduzem a mesma ação de empregada do companheiro sem se dar conta disso. Tem casal que ambos trabalham o dia todo e quando chegam em casa ao final do dia, ainda é a mulher que vai limpar a casa, fazer o jantar, cuidar do filho e assim por diante, enquanto o “donzelo” toma seu banho e vai pro sofá assistir televisão. E o pior é que é visto com tanta normalidade...
Percebo no exemplo de mulheres que vivem como um objeto para o marido e depois não sabem por que foram abandonadas, traídas... (não estou justificando traição, apenas lançando olhar sobre outro ângulo). E aquele bordão “eu fazia de tudo, era uma boa esposa, vivia pra ele, etc. e tal” é o mais ouvido. Ficam inferindo ao parceiro a ideia de monstro e se colocando como vítima, sem perceber o quanto contribuíram para a decadência do relacionamento. Lacan indaga “qual é a tua contribuição para a desordem da qual te queixa?”. Culpar o outro é fácil, mas só consegue dar a volta por cima quem se tira da posição de vítima, olha para si mesmo de uma maneira sincera e se reposiciona no mundo de uma maneira mais assertiva. Lembrando que as pessoas só fazem com a gente o que lhes permitimos fazer. E o principal: antes de uma pessoa trair outra, geralmente esta já se traiu primeiro. Você se colocar como um objeto para uma pessoa é a mais profunda forma de traição consigo mesma.
Existem mulheres que não fazem nada, absolutamente nada por si, que não tem um momento se quer para pensar e cuidar de si mesma e depois não entendem porque deixaram de ser interessantes. Autoestima é uma construção cotidiana e as pessoas mais amadas são as que mais se amam. Quem não gosta e cuida de si mesma dificilmente receberá isso do mundo externo. O amor começa com o amor próprio.
Cuidar da mente e do corpo, aprender algo novo, uma língua, uma dança, um ofício, fazer academia, terapia, cursos, participar de eventos, lazeres enfim, fazer uma atividade prazerosa, inovar, se lançar a novas possibilidades, é de extrema importância para fomentar o amor próprio. Investir em si mesma é a atitude mais sábia a se tomar, já somos o nosso maior patrimônio. Relacionamentos começam e terminam, mas nosso relacionamento conosco mesmo é eterno.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 13-04-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A NOBREZA DE SER PSICÓLOGO


Vejo a profissão que escolhi como uma das mais belas, nobres, honradas.  Lançar-se a compreender, entender e auxiliar o outro em um processo de ressignificação e cura interior (e exterior, às vezes), deixando de lado nossos próprios sofrimentos é um ato muito bonito, não pode ser feito por quem não é altruísta.
O atendimento em qualquer área da Psicologia demanda muita energia psíquica para nos mantermos focados no sujeito em sua completude, mas principalmente no âmbito clínico a atuação do Psicólogo precisa ser integral, completa, absolutamente centrada no paciente e suas vicissitudes, pois talvez aquele seja o único momento que este disponibilize para si mesmo. Aqui se exige muita excelência.
No período de faculdade, onde estamos nos construindo enquanto profissionais, aprendemos muitas teorias e ao final desta nos posicionamos em optar por uma para pautar nosso trabalho. Todavia, na prática isso não se faz possível ortodoxamente, serve apenas para nortear nossa visão de homem, pois cada paciente é uma teoria nova, nunca será possível encaixá-lo em algo pré-existente. O psicólogo então é um teórico, que deve criar uma teoria nova para cada sujeito singular e único que adentra seu consultório. É o mínimo a se esperar de um Psicólogo comprometido com sua profissão.
Metaforicamente falando, vejo o trabalho do Psicólogo como de um lixeiro: o paciente nos joga “os lixos” dele e cabe a nós o auxiliar em reciclar o que for possível, e se livrar do que não é mais útil e cabível. Ao mesmo tempo em que fazemos isso devemos deixar nossos próprios “lixos” separadinhos, tomando o cuidado para nunca, em hipótese alguma, deixar que se misturem aos do paciente. Isso é ética.
O papel do psicólogo é compreender a subjetividade do sujeito, e isto envolve mais do que simplesmente a sintomática apresentada. Nem sempre o que o paciente deseja é o que ele quer, nem sempre sua queixa é a verdadeira demanda, nem sempre o que ele expressa verbalmente é sua real necessidade. E este é o ponto mais interessante. Anular-nos de nós mesmos para ouvir com sabedoria, ter “os ouvidos domesticados” como disse Lacan, e falar o que o paciente realmente precisa ouvir, não o que ele gostaria de ouvir ou o que gostaríamos de falar. É dever do Psicólogo saber a arte do bem falar, que só se dá pelo bem ouvir. Isto é ser humano com o sofrimento alheio.
O quesito principal exigido para quem é Psicólogo é não ser preconceituoso. Não fazer julgamento é um item presente no código de ética, não estamos lá para mensurar o que é certo ou errado. Não fazer inferência pessoal sobre a realidade do paciente, não fazer juízo de valor, não menosprezar o que para ele é importante, mesmo que tudo em que ele acreditar fira nossos princípios. Estamos lá como um sujeito amoral a disposição de outro que tem suas crenças arraigadas, e só terá progresso a psicoterapia se não nos posicionarmos como sujeito suposto saber. Habituar-se a separar as nossas verdades das verdades do outro é fundamental. Uma não precisa existir em detrimento a outra, podem coexistir. Isto é respeito pelo semelhante, deveria ser seguido por todas as pessoas.
Um bom psicólogo tem que ter um autoconhecimento excessivo, sem isso dificilmente desempenhará um trabalho eficiente. As pessoas só podem dar o que elas possuem, logo, somente uma pessoa muito bem resolvida com suas peripécias da vida será útil na vida do outro. Quem não dá conta dos próprios conteúdos não tem estrutura para lidar com os conteúdos alheios. Isto é fato! Sempre digo que a psicologia não é para os frágeis emocionalmente.
Estar à mercê da necessidade do outro não é algo fácil. Desgasta, consome, tira o sono muitas vezes, causa desconforto, preocupação quando o caso do paciente é muito grave, porém é muito gratificante. Não tem preço quando percebemos o progresso acontecendo na vida da pessoa e que todo o trabalho que desempenhamos foi válido. Quando o paciente se vai, conclui o processo terapêutico, não há como negar que deixa um vazio, mas que é preenchido pelo prazer imenso de perceber que ele não precisa mais de nós para estar bem, e este era o objetivo a ser alcançado. Psicólogos foram feitos para serem abandonados e esta é a glória.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 30-03-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

SER LÍDER NÃO É PARA QUALQUER UM

Existe muita confusão entre o que é ser líder e o que é estar em uma posição de liderança, poucas pessoas tem clareza do que implica cada coisa. O equívoco em acreditar que o líder é aquele que manda, que tem poder sobre a empresa ou atividade, que escolhe as coisas, decide, dita as regras, é cometido por muitas pessoas. Esclarecendo: isto não é liderar, é chefiar. Quem está em um posto subalterno tende a respeitar o chefe, reverenciar, manter uma obediência submissa por ele estar numa posição de superior, até porque dependerá da aprovação deste para se sobressair no local de trabalho. Já com o líder não existe esta relação de poder.
Liderança é definida como a capacidade intrínseca ao indivíduo de influenciar pessoas a seu redor, a estimula-las a trabalhar com entusiasmo em prol de um objetivo comum. O líder é estabelecido pelo grupo, escolhido, é aquele que conquistou as pessoas, que tem a habilidade de despertar em cada pessoa o melhor dela sem tirar proveito disso, nem se promover em cima dos auxílios que presta. Pode ser eleito diretamente, mas em muitos casos a escolha do líder se dá indiretamente pelas características subjetivas da pessoa que deve ser bem aceita, admirada e querida entre os membros do grupo.
O chefe não, é imposto, foi colocado em uma posição de liderança, faz parte de uma hierarquia, independente de como alcançou este posto (se por mérito do trabalho, por apadrinhamento ou por ser o proprietário da empresa) nem sempre tem perfil de líder. Enquanto o chefe é quem manda, decide, tem poder de escolher, o líder é quem é procurado quando o chefe não faz coisas sensatas. São poucas as vezes que são colocadas na posição de liderança (chefia) alguém que sabe ser líder.
Quem é líder incentiva o progresso de cada membro da equipe rompendo com a barreira de "um manda, outro obedece", é um exemplo a ser seguido por onde passa. É claro que não significa que seja amado por todos, isso seria utopia, mas é uma pessoa que não instiga contendas, não compra inimizades. Líder é aquele que influencia naturalmente as pessoas a seu redor pela sua atuação, por ser uma pessoa equilibrada, sensata, justa, íntegra, ponderada.
O líder não sente necessidade de fazer manobras pra chamar atenção, ele se destaca justamente por compartilhar sua glória com os outros. Não utiliza o trabalho alheio para enaltecimento próprio. O líder nato não é narcisista, não fica se esforçando em promover a própria imagem, não se vende como um produto, não vive em função de holofotes. Ele é o líder simplesmente porque o é, não precisa ficar comprando as pessoas. Avisto muita gente no posto de liderança que se acham ótimos líderes por terem usado muita publicidade para se popularizar, só que isto não é ser líder, isto é ser apenas mais um em posição de liderança autoimposta e comprada.
A trama se dá a partir do momento que é colocado em um posto de liderança (pra ser o chefe) uma pessoa que não tem capacidade para tanto. É como dar o carro em uma estrada movimentada para alguém que não sabe dirigir. A pessoa está no posto, foi colocada lá por alguém ou se colocou por ter poder aquisitivo para tanto. Entretanto, não tem competência para liderar - Isso acontece muito em empresas.
"Não há pelotões fracos, apenas líderes fracos” disse General William Creech, se referindo aos lideres colocados neste posto sem terem competência para ali estar e, desta maneira, comprometem todo o grupo.
Mas o que seria um líder fraco? Muito fácil identificá-lo: Aquele que não suporta ficar nos bastidores, é viciado em aparecer, tudo que executa o faz usando todas as estratégias para ser o centro das atenções. Quem é seguro não precisa se afirmar em cima dos outros, e é exatamente isso que o incapaz de ser líder faz. Permanece em uma trama perpétua com seus colegas, até mesmo com subalternos, competindo com medo de ter sua luz ofuscada. Pode até permitir que um subordinado brilhe um pouquinho, mas logo se coloca como o promotor desse brilho. Tudo que é feito faz questão de colocar o próprio nome como destaque se colocando como a base sustentadora de tudo que é feito pela equipe, enfim, está mais preocupado com seu ego do que com os objetivos do grupo.
Por todo o lugar onde passarmos haverá lideres e pessoas na liderança. Preste atenção para não confundir um com outro.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 23-02-1013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

domingo, 9 de dezembro de 2012

MULHERES FRAGILIZADAS: O ESTIGMA DA VIOLÊNCIA


A violência é concebida como um fenômeno que ocorre e se dissemina constantemente, implicando em relações de poder e dominação. Está sempre atrelada à questão de desigualdade, onde um lado frágil sofre abuso de outro mais apoderado. Independente sob a esfera a qual se manifesta repercute em prejuízo ocupacional em vários âmbitos da vida da pessoa.
A violência direcionada à mulher na contemporaneidade se consagrou como uma das principais causadoras de sofrimento físico e psicológico feminino, fato que compõe uma grave problemática de saúde pública, sendo que uma em cada quatro brasileiras já sofreu algum tipo de agressão por parte do parceiro.
O perfil mais comum das mulheres vitimizadas é assinalado por três características base: mulheres jovens, dependente financeiramente do companheiro e com filhos, o que não exclui a ocorrência com mulheres que não se enquadram nestas. Deve-se salientar que vêm ocorrendo por todo o mundo e entre vários tipos de pessoas, das mais variadas idades, classes sociais, religiões, etnia, grau de instrução e que é dentro de casa o local em que estas mulheres sofrem, é menos frequente ocorrer aos olhos de um público.
Existem, basicamente, cinco tipos de violência: A violência física, que é a mais perceptível por representar uma agressão corporal; Violência moral, muito mascarada por ser falsamente nomeada de “discussão” (digo falsamente porque discutir não é sinônimo de molestar por palavras), assinalada por ofensas, injúrias, insultos, uso de nomes pejorativos (vagabunda, puta, vadia...), detrimento moral, é o popularmente conhecido como xingamento; Violência psicológica, caracterizada por qualquer atitude do companheiro ou ex que represente sofrimento emocional para a mulher como ameaçar (geralmente de tirar os filhos), perseguir, vigiar, tentar controlar a vida da pessoa, chantagear, humilhar, ridicularizar, ou seja, tudo que limita o direito de ir e vir da mulher ou diminua sua autoestima; Violência sexual, que se refere a induzir por ameaça, coação, intimidação ou obrigar a mulher a participar de um ato sexual não desejado, isto ocorre muitas vezes com o marido sentenciando a mulher de que esta é um objeto e tem a obrigação de lhe fazer todos os desejos sexuais, mesmo que não queira e também engloba o ato de manipular ou forçar a relação sexual sem preservativo, não deixar a mulher tomar anticoncepcional ou fazê-la cometer aborto, ou seja, tudo o que anule os direitos sexuais da mulher; Por fim, a violência patrimonial, que significa danificar ou destruir objetos pessoais e bens materiais, como quebrar os móveis, o carro, atear fogo ou rasgar documentos ou instrumentos de trabalho, reter qualquer coisa que pertença a mulher como dinheiro, joias etc. Simplificando, tudo que represente algum tipo de prejuízo físico, psíquico ou emocional contra a mulher é caracterizado como violência.
Muito raro é um tipo de violência se manifestar sozinha, ela sempre vem acompanhada por outra, ou outras. Ás vezes, começa com uma “simples” agressão verbal e vai evoluindo, há vários casos relatados na mídia de violência contra mulher que chegou a ponto de um homicídio.
Frequentemente o homem que agride a mulher ainda tenta convencer a vítima de que ela é culpada pela violência que está sofrendo, que ele tem razão em agredi-la, que ela incitou isso, mas não é verdade! É apenas uma técnica de perpetuar a violência e se esquivar da responsabilidade pelas agressões.
Outra incidência comum é depois de agredir, o homem dar uma de arrependido com promessas e juras de que nunca mais na face da terra irá repetir este comportamento, que estava estressado, que não vai mais acontecer, que o perdoe pelo amor de Deus, mas quem faz uma vez tem uma enorme possibilidade de tornar a fazer.
Ninguém pode tomar uma decisão pela vítima, cabe a ela decidir romper com esse vínculo de violência ou continuar. Quer denunciar? Faça um Boletim de Ocorrência, denuncie-o e peça proteção da polícia, não tema as ameaças que ele esteja lhe fazendo. Só reclamar e não tomar nenhuma atitude não vai resolver, só irá aumentar a violência porque ele percebe que você está vulnerável ás ameaças e atos dele.
Dica: Se o homem lhe agrediu com tapas, puxão de cabelo ou outra forma que não tenha deixado marca no corpo, ao fazer o BO não peça para fazer de violência física, porque não haverá marcas para o corpo de delito, solicite contra a violência moral, pois será mais fácil penalizar o agressor.

Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 08-12-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

sábado, 8 de dezembro de 2012

SÍNDROME DE OTELO: QUANDO O CIÚME É DOENTIO


Sentimento avassalador que nos alcança em momentos mais inusitados e inesperados. Desde uma leve brisa de necessidade de proteger nossa “propriedade”, até fúrias impetuosas em relação à mesma. Ínfima, razoável ou exacerbadamente, com ou sem motivos concretos, não há quem não tenha experienciado de alguma maneira o desconforto do ciúme.  
      É uma emoção natural e inevitável, quando se trata de alguém que se ama, no entanto, pode apresentar-se de maneira patológica dependendo da forma que se manifesta. Ou seja, sentir o ciúme é normal, o que, muitas vezes, se torna patológico são as atitudes tomadas em relação ao ciúme sentido.
   A nomenclatura Síndrome de Otelo é baseada na peça “Otelo” que Shakespeare escreveu em 1603. A trama base da história se da com Otelo (Capitão mercenário), recentemente casado com Desdêmona, que é convencido por seu subordinado Iago (soldado que aspira promoção), por motivos torpes e vingança, de que sua esposa lhe é infiel. Impulsionado pela fúria da suposta traição, Otelo assassina sua esposa e logo recebe a notícia de que tudo não passava de uma conspiração, que Desdêmona, na verdade, sempre lhe fora fiel. Mas já era tarde demais, sua esposa jazia ao chão. A Síndrome de Otelo então refere-se ao ciúme infundado e hostil, ou melhor, doentio.
     Hoje em dia, não são tantas as incidências de ciúmes que tenham chegado a este ponto. Mas existem! Algumas relatadas na mídia, outras não. A questão é que, independente de atos incitados por ciúmes provocarem morte física ou não, eles (os atos) sempre representarão algum tipo de morte na relação: morte do respeito, dos sonhos, dos projetos, da confiança, da consideração, da imagem bela que se tem sobre a pessoa amada e até mesmo a morte do amor. Alguém que tenha um companheiro que explode constantemente por ciúmes, dificilmente vai conseguir admirá-lo por muito tempo, e só se ama quem se admira.
     O “sentir” ciúme é saudável, é sinal de que se importa com a pessoa, mas quando ele começa a representar algum tipo de violência entre o casal, ou seja, começa a manifestar-se por atos, é sinal de que as coisas não estão bem. Lembrando que violência não é apenas física, que seria espancar o companheiro, mas também a psicológica, que é a que mais ocorre, no entanto mascaradamente. Xingar, gritar, insultar, insinuar que o companheiro é infiel (sem motivos concretos), vigiar excessivamente, controlar a vida do parceiro, destratar, ameaçar, manipular, impedir que este tenha vida social, fazer pressão, impor proibições, e até mesmo se fazer de vitima (o ciumento acredita que é vítima) são exemplos de violência psicológica.
      Uma pessoa que seja submetida a este tipo de tratamento violento começa a ter uma inversão de sentimento em relação ao companheiro. Se antes (dos surtos de ciúmes) gostava de estar junto, sentia-se seguro, confortável, feliz com o relacionamento, passa gradativamente a sentir-se insatisfeito. O sentimento tão belo que ostentava vai aos poucos se dissipando e dando espaço a sentimentos negativos e emergem então pensamentos de que talvez, sem essa pessoa ciumenta do lado, a vida seria melhor. É neste ponto que a ideia de divórcio começa a ecoar na mente, como a única alternativa de se livrar daquela angústia toda que vem sofrendo.
     Ao mesmo tempo, a própria pessoa que é a ciumenta sofre demasiadamente também. Primeiro, ela acredita fielmente estar sendo traída, mesmo sem ter provas reais (enfatizo que estou me referindo a pessoas ciumentas sem terem sido traídas no relacionamento atual) e, qualquer eventualidade, por mais banal, já remete a ideia de uma suposta traição. Às vezes, por ter vivenciado traições em outros relacionamentos, ou então, pela simples fantasia de estar perdendo o companheiro já fica irado e toma atitudes impensadas e coléricas.
    Grande parte dos divórcios foi motivada por ciúmes infundados causadores de contendas. Se um relacionamento chegou a este ponto já está mais do que na hora de sentar, conversar sobre o assunto, propor meios que viabilizem uma resolução do conflito e, se necessário, solicitar a ajuda de um profissional para tanto. Ninguém aguenta muito tempo viver com este sofrimento sem ter a saúde afetada.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 24-11-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

QUEBRANDO OS MITOS DA HIPNOSE


Fenômeno permeado por um ar de misticismo, desperta a curiosidade do público que se depara com os famosos shows de hipnose de circo. Em frequentes programas de televisão e em alguns eventos fechados a exposição da hipnose é feita de uma maneira sensacionalista, fato que provoca em seus espectadores a estranha sensação de que os feitos extraordinários apresentados resultem de poderes sobrenaturais do hipnotista e que significarão submissão absoluta do sujeito hipnotizado.
Apesar de exposições serem uma boa maneira de difundir os benefícios da hipnose, por vezes estes métodos podem aparentar meio invasivos para quem não tem conhecimento a respeito do assunto e estabelecer ideias errôneas acerca do fenômeno. Faz-se necessário desarraigar crenças infundadas, desemaranhar conceitos e tornar claro o verdadeiro significado do poder da mente do ser humano.  
A ideia, sustentada por muita gente, de que a pessoa estando em hipnose ficará totalmente vulnerável e em total submissão ao hipnotizador não é verídica, aliás, não condiz nenhum pouco com a realidade. Não existe nenhuma possibilidade de alguém se apoderar da volição, da mente, do querer de outra pessoa.O sujeito jamais irá fazer algo que a moral dele condene estando em transe, ele só aceitará sugestões que não lhe apresentarem perigo algum.
Longe de ser sinônimo de magia, anormalidade, misticismo e dominação plena, o transe hipnótico faz parte do cotidiano natural de qualquer pessoa. Sendo um evento corriqueiro, trivial que vivenciamos frequentemente sem nos darmos conta disso. Os acontecimentos que são chamados popularmente de “sonhar acordado”, “sair do ar”, “falar sozinho”, “viajar na maionese” são exemplos de estados de transe. Sempre que estamos em um estado alterado de consciência podemos o assim denominar.
Não existe no mundo uma pessoa que consiga infligir o transe hipnótico em outra pessoa sem a autorização da mesma. Toda hipnose é uma autohipnose, ela só se faz possível por via da aceitação do sujeito. O hipnotizador é apenas um facilitador, alguém que sabe as técnicas adequadas para tanto e como fazer de uma maneira eficaz que proporcione benefícios para o sujeito que procura utilizar a programação da mente.
Há casos em que a pessoa já chega ao consultório em transe hipnótico porque vê na televisão e já faz o trabalho de autohipnose antes mesmo de chegar ao local. Isto demonstra que o processo de hipnose depende da pessoa em questão, porque o hipnotizador não tem nenhum poder sobrenatural, ele apenas tem os conhecimentos sobre os métodos, mas ninguém é hipnotizado se não permitir.
Com a imensidão de benefícios proporcionados por esta, sem implicar em sequer um efeito colateral, a hipnose ganha cada vez mais reconhecimento. Usada desde tempos primórdios com fins curativos, apesar de ser desvirtuada em alguns casos, não perdeu sua potencialidade no auxilio a tratamento e até mesmo sendo o próprio tratamento em questões de saúde física e mental.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 22-09-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

AUTOAJUDAR-SE: VOCÊ PODE!

Sou da opinião de que toda ajuda é uma autoajuda, porque nunca depende apenas do exterior, sem a parcela própria é impossível que uma ajuda seja estabelecida. As pessoas fazem coisas incríveis, muitas vezes consideradas impossíveis quando decidem o fazer. A capacidade humana de superar obstáculos já é vista em muitas vidas que mudaram drasticamente, mesmo que a pessoa que conquistou a vitória atribua isso à Deus ou deuses, à santos, à entidades ou seja lá o que for sua crença. O que não deixa dúvidas é que o ser humano, independente de sua credulidade, muitos mistérios têm ocultos acerca de sua força interior.
Estando no fundo do poço, tem quem se afunda e tem quem se salva. Cada um com seu histórico de vida e motivações para determinados fins. Se salvar é uma arte, qualquer um que pratique se torna um artista. Ninguém está condenado á vida que se tem, estamos condenados apenas a o que escolhemos para nossa vida.
Eu não posso pegar uma pessoa e resolver todos os problemas dela sem que ela nada faça. As pessoas criam esta expectativa em relação ao outro, como se este tivesse um poder sobrenatural sobre suas vidas, mas isso é irreal, a única pessoa que tem poder por sua vida é você mesmo. Não atribua suas responsabilidades a nada exterior a você. Tem gente que vai ao Médico com a ideia de que este simples ato vai curá-las, mas não. Se ela for á um Médico ele irá receitar fármacos, estipular comportamentos adequados para o tratamento e ela terá que seguir isso se quiser ser curada. O Médico vai apenas possibilitar meios para tanto, mas a quem cabe cumpri-los é única e exclusivamente uma pessoa, a que está com o problema de saúde.
Conseguir as coisas sem fazer esforço para tê-las é o desejo intrínseco de muita gente, mesmo que faça isso irreflexivamente, e é aí que a frustração entra, porque ninguém consegue nada sem esforço. Tudo o que desejamos depende de nosso esforço para ser adquirido. Um carro novo, um bom relacionamento familiar, um filho bem educado, um casamento estável, uma bela aparência física, o sucesso profissional, a saúde, o prestígio, ou seja lá mais o que for que uma pessoa pode desejar, só se tornará concreto se ela ter uma atitude ativa em relação a seus desejos.
O dito popular “cada um colhe o que planta” parece um tanto ríspido, mas expressa a verdade absoluta. Quem plantando um pé de manga fará dele nascer limão? Ninguém! É a trágica e feliz verdade. Trágica porque a responsabilidade pelos infortúnios da vida é muito pesada, mas feliz porque ela pode ser reestruturada a qualquer momento. Não sou da abordagem comportamentalista, mas também não posso negar que os comportamentos emitidos implicam em resultados.
O jogo da vida não é um jogo de sorte ou revés, é um jogo de estratégia. Não se deve ficar esperando que a vida vire um carta boa, isso consome teus dias e tua alegria. Cada um tem que arquitetar um plano, projeto, estratégia tendo um vista um resultado pretendido, só assim ele poderá ser alcançado. A vida não é estática, depende da sua permanente atuação e você pode modificar suas estratégias sempre que elas não estiverem dando certo como você queria.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 15-09-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)