sábado, 12 de abril de 2014

FANATISMO RELIGIOSO: A MARCA DA INVOLUÇÃO

Todos os livros sagrados e históricos tem em comum o postulado de que uma pessoa que está em comunhão com Deus, com o Todo, com a Natureza, ou seja lá como denominam a divindade, são abençoadas.  Fato que deixa evidenciado que a vida de cada pessoa fala por si e é pelos resultados explícitos na sua existência que se mensura a proximidade com o “Supremo”.
Há quase dez anos pesquiso sobre religiões cultuadas no Brasil, sendo que em algumas cheguei a participar, fato que me propiciou ainda mais dados do que os angariados via pesquisa bibliográfica e pelo período que cursei Teologia. O mais estarrecedor entre os resultados desta coleta de dados foi a constatação de que as pessoas mais religiosas, doutrinadas, fervorosas, enfim, os membros mais fanáticos de uma religião (independente de qual seja ela), são as pessoas que menos colocam em prática seus ensinamentos e consequentemente, as que possuem menos resultados positivos na própria vida.
Comecei a correlacionar teorias religiosas com a intenção de analisar as divergências entre elas. Todavia, ficou esclarecido que poucas divergências há entre as religiões. A maioria das inconsonâncias são vindas da interpretação pessoal do líder de cada uma, e pouca desarmonia há entre doutrinas opostas, sendo que mesmas coisas são nomeadas diferentemente.
Cresce consideravelmente o número de seitas religiosas, deixando claro que cada líder estabelece uma doutrina conforme melhor lhe apraz e tenta convencer o mundo de que esta é a “única” certa. Há um demasiado empenho de fiéis fanáticos em querer menosprezar as crenças alheias e querer ser melhor, mais santo, evoluído, iluminado, enfim, superior espiritualmente que os outros, inclusive aos “irmãos” que comungam da mesma seita.
Os escritos sagrados mais conhecidos no Brasil são os que compõe a Bíblia, dão base a muitas religiões e tem como princípio básico o amor pelos outros como por sí mesmo. Todavia, é o menos evidenciado por muitos dos seguidores. Fala-se bonito, mas o interesse está mais direcionado no julgar o outro e faturar fortuna com fiéis inocentes e ignorantes, do que viver os ensinamentos. Muitas dos que entronizam a natureza fazem o mesmo, pregam uma coisa, mas estão demasiado preocupados em parecer mais zen, iluminados e sábios que os outros.
Os mais fanáticos religiosos são os que mais se contradizem em sua conduta, pois não fazem “milagres” na própria vida, alguns vivem doentes e passando necessidade, e teimam em ficar discutindo religião em vez de procurar evoluir. Cristina Cairo diz que “se a pessoa não consegue tirar a própria dor de cabeça em menos de um minuto, ela não entende nada de Deus”. Quem está em comunhão com o Supremo faz transformações positivas na própria vida, e na dos outros, em vez de perder seu tempo sagrado massageando o próprio ego.
Os grandes avatares da humanidade (Jesus Cristo, Buda, Krishna, Maomé…) nunca discutiram por doutrinas fúteis. Todos deixaram ensinamentos sobre compaixão, amor, de ajudar o próximo e de como ter uma vida abundante, saudável e equilibrada. O ser humano que não atingiu esse patamar e prega religiosidade, só é mais um fanático involuído. 

Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 12-04-2014
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

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