segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O SINTOMA SEGUNDO A PSICANÁLISE

O sintoma eclode como a manifestação física das pulsões insatisfeitas. É uma defesa que tem como objetivo manter a satisfação. Pode ser descrito como a expressão da presença de algum processo patológico. É quando uma função passou, foi modificada ou quando surgem novas manifestações desta. Ao mesmo tempo implica satisfação e sofrimento.
O sintoma também pode ser entendido como uma metáfora pela quais são manifestos os desejos do inconsciente englobando o real, o simbólico e o imaginário. É uma formação do inconsciente que busca vias para satisfazer a libido insatisfeita. Através destas vias mantém-se a satisfação. Nele repete-se a forma de se relacionar com objeto na infância.
Existe um conflito entre id e superego na formação do sintoma. O ego busca mediar entre estes para satisfazer os desejos pulsionais de uma forma em que seja adequado à realidade, é o acordo que se tem entre a exigência à satisfação e a ação defensiva do eu.
No entanto este processo de ter satisfação e ao mesmo tempo adequar esta satisfação à realidade necessita de determinada quantidade de energia psíquica que pode gerar a neurose. Diz-se neurose quando a pessoa fica fixada a eventos passados que lhe propiciaram alguma forma de satisfação, mesma que embutida à dor.
No neurótico histérico o mais comum são manifestações físicas dos sintomas. Um exemplo é o caso da paciente Ana O., expresso por Freud, que fala sobre a paralisia da mesma causada por conflitos inconscientes. Como a pessoa não consegue falar, por causa da ação do superego, o corpo fala por ela. O próprio autor citou que "quando a boca cala, falam as pontas dos dedos". Por isso, sempre o maior traço da histeria são as conversões físicas: enxaquecas, asma, alergias, desmaios... (o que não significa que estas problemáticas sejam apenas sintomas de histeria), porque o desagradável que fica guardado vai causar sempre alguma reação que vai ser manifesta de alguma forma.
Já no neurótico obsessivo, os sintomas são mais expressos em níveis de pensamento. As fantasias fazem parte do pensamento dele. Por se julgar mais limpo e consciencioso que os outros, o obsessivo busca o autocontrole como satisfação, os rituais que ele mantém lhe proporcionam satisfação libidinal.
É do sintoma que vem o mal, é o sinal e o substituto de uma satisfação pulsional não realizada. Continuamente refaz suas exigências de satisfação e assim incita o ego a dar o sinal de desprazer e a colocar-se em uma posição de defesa.
Em terapia, as pessoas chegam ao consultório dizendo que não sabem o que está acontecendo, pois se for pensar racionalmente não há nenhum motivo para estarem angustiadas. Mas estão. Estão, na verdade, pensando a falta, o simbólico, uma representação do desagradável. O papel do Psicólogo é levar o paciente a questionar esta satisfação e esse sofrimento, ou melhor, que prazer há no desprazer.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 07-12-2013. Também disponível nos sites www.saltinhoweb.com e www.afsaltinho.com.br

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