segunda-feira, 8 de abril de 2013

DIVERSIDADE E RESPEITO (OU FALTA DESTE)


Outrora deslumbrada por movimento de contracultura, agora o admiro em partes. É linda a atitude de uma pessoa de se posicionar a defender, guerrear, lutar por uma classe, objetivo, convicção que tenha pra si como verdade. Todavia perde seu brilho quando é feita em detrimento a outra classe, também digna dos mesmos direitos e que também tem suas verdades subjetivas.
A verdade nunca é absoluta, sempre depende da ótica da pessoa. Somos sujeitos biopsicossociais e históricos, não existe possibilidade de sermos encaixados em uma categoria ou nomenclatura que nos defina por completo. Isto é diversidade: cada pessoa absolutamente única, junto a inúmeras outras pessoas também sem igual, convivendo com as diferenças e verdades alheias (e o ideal seria sem tentar obrigar o outro a ser igual a si mesmo).
Li uma frase há alguns dias que fez muito sentido para minha maneira de analisar o sujeito contemporâneo, dizia: “O oprimido de hoje, se tiver uma oportunidade, será o opressor de amanha” - Desconheço a autoria.
O que acontece nos movimentos sociais hoje em dia é exatamente isso: classes outrora reprimidas, com direitos violados que, agora com os direitos angariados, atuam reprimindo e violando os direitos alheios. Vemos isso na política, na militância homossexual, no feminismo, na religiosidade, nas questões de raça, na questão da prática sexual e assim por diante. Vejo muitas classes que, uma vez sofreram violência, mas que hoje são as que mais violentam.
O alvo da vez dos preconceituosos são os cristãos. Uma pessoa se declarar cristã é assinar o aval para ser perseguida, a partir desta posição tudo que a pessoa disser vai ser alvo de críticas e repressão. E o pior: Os principais promotores de violência contra essa classe são os “militantes da igualdade”, ou seja, aqueles grupos que afirmam lutar pela liberdade de ideias, querendo que ela seja aceita e respeitada socialmente, todavia não tem o hábito de aceitar e respeitar as opiniões contrárias. Teve um pastor, Silas Malafaia, que recentemente foi perseguido por alguns extremistas anti-igreja, em defensiva usou uma frase extraordinária: "Vocês que dizem defender tanto os direitos dos outros estão precisando defender o direito de todos, inclusive os contrários”.
Quem quer ser respeitado e fazer o que achar certo sem sofrer preconceito de ninguém, deve primeiro saber respeitar as opiniões opositivas sem inferir agressivamente contra estas. Como disse Gandhi “Devemos ser a mudança que queremos ser no mundo”. Quem não sabe respeitar a diversidade que é cada ser humano, não tem moral pra exigir que a sua diversidade seja respeitada.
Vejo pessoas fazendo campanha contra outras pessoas, simplesmente por se posicionarem com uma opinião divergente a delas, sem feito um crime se quer contra alguém. Indago-me, pra que despender tanta energia em algo tão fútil? Sim, é futilidade uma pessoa ficar fazendo protesto pra um evangélico (que nunca praticou um crime) não assumir a Comissão dos Direitos Humanos, enquanto os políticos corruptos que participaram de mensalões e até se envolveram com assassinato, como é o caso da nossa excelentíssima presidente da república, ficam bem à vontade para continuar roubando a nação. Os movimentos ativistas já foram nobres, antigamente.
Tem muito transexual sendo espancado, assassinado pelas ruas diariamente enquanto a classe que afirma os defender está mais preocupada com opinião pessoal de religiosos do que em manifestar-se para protegê-los. Eu levanto a bandeira gay pra que vidas não sejam mais maltratadas por preconceituosos, não para obrigar a humanidade a pensar exatamente igual. A integridade física e psicológica está sendo deixada de lado em prol de uma “queda de braço” entre posições ideológicas.
Os desastres contínuos que emergem na atualidade, entre eles, estupros, violência doméstica, agressão contra homossexuais, exploração infantil, roubos, assassinatos, sequestros, estelionatos, fraudes, latrocínio, etc. estão calados diante dos gritos de igualdades de direitos, que se traduz em: obedeça todo mundo o que eu quero, se não vou me intitular vítima de “algumacoisafobia”. Isto não é pedir justiça, é má-fé. Parafraseando Simone de Beauvoir: “Querer-se livre é também querer livre os outros”. Libertar a nós mesmos enquanto enclausuramos alguém não é honroso.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 06-04-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 

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