quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

HOMOSSEXUALIDADE: DE ONDE PARTE O PRECONCEITO?



Os comentários sobre o debate (que passou longe de ser uma entrevista) entre Silas Malafaia e Marilia Gabriela, foram responsáveis para que pela primeira vez eu me posicionasse a favor de um fanático religioso, mesmo discordando de suas postulações. A única coisa que me impulsionou a ficar a favor do Silas foi, a saber, a liberdade de expressão. Direito enaltecido tanto pelos homossexuais, quanto pelos religiosos.
Desde sempre levanto a bandeira homossexual com orgulho a favor da igualdade. Todavia está havendo uma modificação neste movimento: outrora ele exigia igualdade, agora alguns aparentam querer mais que isso. Igualdade tem como significado correspondência perfeita entre as partes, organização social em que não há privilégio de classes, ou seja, igualdade de direitos significa que uma pessoa é livre para escolher ser a favor da homossexualidade e apresentar suas justificações, ou ser contra, e também manifestar-se. O fato de uma pessoa discordar de algo que concordamos não significa que ela está tirando nosso direito, significa que verdadeiramente temos direitos iguais.
Grande sábio foi Voltaire quando disse “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la”, e é desta sabedoria que me aproprio quando defendo o religioso mencionado. Mesmo não concordando com o que ele disse, me revolto com quem o ridiculariza por dizê-lo. Não estou à defesa da ideia dele, mas da liberdade dele, da igualdade a qual todo ser humano é digno, independente de crença religiosa.
Às vezes, me parece que a luta pela aceitação universal da homossexualidade se coloca como um movimento de contracultura. Já que antes eram rechaçados veementemente, alguns se posicionam de uma forma a vingar-se da repressão do passado, inimizando com qualquer um que discorde de seu ponto de vista e exigindo algo que denominam direitos, mas que infringe o direito do outro enquanto ser humano. E quando isso acontece é oposto à igualdade tanto falada! Quero deixar bem claro que sou a favor dos direitos de igualdade entre gêneros, porém igualdade implica em direitos iguais, não em direitos para alguns em detrimento aos direitos dos outros.
Li uma reportagem em que homossexuais exigiam serem casados na igreja cristã. Quem esta ferindo o direito do outro nesta história? Eles têm o direito de casar sim, mas a igreja cristã tem uma opinião diferente da deles, assim seria um desacato os obrigar a fazer essa cerimônia, tiraria a liberdade deles enquanto cidadão. É o mesmo que obrigar um vegetariano a comer carne, obrigar um ateu a adorar Deus, obrigar um gremista a usar camisa do inter, obrigar um homossexual ter relações heterossexuais. Igualdade não é obrigar o outro a “engolir” a nossa opinião, é respeitar a opinião diferente.
Quem quer igualdade para si, tem que tratar o outro com essa igualdade que almeja. Ouvi alguém dizer que temos que ser a mudança que queremos no mundo. Uma pessoa que age boicotando a liberdade de outro de ter ideias e divulgá-las não pode reclamar quando tem as próprias ideias boicotadas. Temos que combater aqueles que fazem mal a humanidade (roubam, matam, estupram...) não àqueles que pensam diferente de nós.
Um amigo me indagou assim “Mas os homossexuais não falam que vão curar os heterossexuais”. Primeiro: não são “os heterossexuais” que falam isso, são os cristãos que acreditam na Bíblia, na qual consta que homossexualidade é algo abominável, e consequentemente são heterossexuais. Segundo: quando os cristãos fazem essas práticas de “transformar” a vida da pessoa para esta deixar de praticar a homossexualidade a pessoa vai lá porque quer, porque comunga desta crença, é uma escolha da pessoa acreditar e se permitir transformar! Nenhum cristão pega um homossexual à força para que ele vire heterossexual!
Diferente de uma Psicóloga que apareceu na mídia dizendo curar homossexuais, ai sim há um equivoco, porque Psicologia é ciência, não fé. A ciência ainda não discerniu sobre a homossexualidade, mas esta deixou de ser enquadrada como Parafilia. Logo, qualquer profissional de saúde que afirmar curar a homossexualidade está sendo antiético. Mas há uma brecha: As pessoas podem ser curadas do que elas acreditarem necessitar, ou seja, se eu for procurar ajuda querendo me curar da homossexualidade é possível, tanto quanto me curar da heterossexualidade.
Numa rede social vi recentemente a foto de um homem com uma camiseta na qual estava escrita “Ex homossexual”, e todo mundo zombando, fazendo chacota. Eu fiquei perplexa. Se uma pessoa pode ser ex heterossexual, por que não pode ser ex homossexual?! Aí comecei me indagar de onde esta saindo o preconceito. Afinal, se uma pessoa escreve “Orgulho gay”, está tudo bem, mas se alguém escreve “orgulho hetero” falam que é orgulho porque tá muito difícil pra pessoa ser. Quem está sendo preconceituoso afinal?! 
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 09-02-2013
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 



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