segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

VELHICE E SUAS REPRESENTAÇÕES

É comum se elaborar uma imagem de idoso de maneira caricaturada, como uma pessoa chata, desanimada, insípida, adoentada, entre outros adjetivos não atrativos. No entanto, é um equívoco se pautar sobre tal representação. Ninguém adquire certos atributos de personalidade com a pura e exclusiva eventualidade de envelhecer. Se a pessoa na velhice apresenta certos traços, é porque na juventude já os possuía.
O idoso vivencia um período de declínio biológico, há uma sequência de transformações sensórias e psicomotoras, como perda de audição, visão, olfato, paladar, tônus muscular, baixa imunidade, que o tornam mais vulneráveis e promovem certa dependência dos familiares. O que fica evidente é que estes problemas físicos resultam em questões emocionais e sentimento de inadequação perante o social.
O envelhecimento é uma ocorrência constante no corpo humano e o estar velho é marcado por um processo natural de alterações físicas, psicológicas e sociais. Atualmente a tecnologia tem promovido um estilo de vida bastante ativo e o idoso é quem sofre mais em se adaptar nesta era do imediatismo. Entre os atuais principais problemas enfrentados pelos idosos, se destacam: crise de identidade, declínio de autoestima por não desempenhar um papel na sociedade, isolamento por perder os contatos sociais, depressão, muitas perdas consecutivas (econômica, de poder, de decidir, autonomia, de pessoas...)
Quando se chega à terceira idade há uma renegociação dos papéis na vida do indivíduo, uma minimização de deveres e algumas atribuições até são deixadas de lado. Sempre há os prós e os contras neste movimento de modificar os papéis, principalmente por eles terem funcionado de uma determinada maneira por um longo período te anos. As dificuldades são percebidas no quesito de aceitação das mudanças e adaptação à nova forma de viver, bem como, no sentimento de abandono provocado pela minimização dos relacionamentos interpessoais e a vulnerabilidade à doenças. Por outro lado, evidencia-se as mudanças como eventos promotores de bem estar, por ser um período que se pode descansar melhor, levar a vida de forma mais tranquila e sossegada, e há possibilidade do fortalecimento dos vínculos familiares.
Outro fator que interfere na qualidade do envelhecer são as concepções de velhice para determinada sociedade. Existem sociedades em que o idoso é visto como um sábio conselheiro, em outras é tido como uma pessoa sem capacidades e desprovida de utilidade. Esta visão de idoso que cada um interioriza ao longo da vida pelas relações estabelecidas é um forte determinante que tipo de velhice a pessoa terá.
Não tem como negar o fato de que a idade promove limitações na questão física do sujeito, mas isto não é motivo para se privar de viver. O quesito qualidade de vida é originado pela manutenção da saúde que se dá por cuidados com esta, como alimentação, acompanhamento médico, atividades físicas regulares e a continua participação de eventos, atividades, situações promotoras de prazer. O que determinará uma boa ou ruim velhice é o estilo de vida que se leva, ou seja, cada um tem o poder de escolher como esta será.

Katree Zuanazzi

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 03-12-2011
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

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