quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

SOFRIMENTO HUMANO


Sofrer faz parte da natureza humana, deste postulado ninguém duvida, é a única certeza que todos os seres humanos comungam. “Nascimento é sofrimento, doença é sofrimento, morte é sofrimento, tristeza, lamentação, dor, pesar e desespero são sofrimento. Não ter o que se deseja é sofrimento, separação do que se deseja é sofrimento, união com o que não se deseja é sofrimento. Saudade é sofrimento, ser escravo de um passado já morto e um futuro inexistente é sofrimento”, segundo Buddha.
Não há uma linha delimitadora do evento sofrer. Descrito como sensação desagradável, ausência de alegria, presença da dor tanto física quanto psíquica e moral, existência de infortúnio, insatisfação perante o vivenciado, ou seja, experimentar qualquer tipo de mal, ocorre inúmeras vezes ao longo da vida das mais variadas maneiras, podendo expressar-se de forma mais amena ou mais intensa. O ter algo que não se queria ter, bem como, o não possuir algo que se deseja ardentemente são exemplos de sofrimento, somos condenados a sofrer.
Diante do posto, a questão maior é: Como viver com o sofrimento de saber que por toda a vida iremos sofrer? Porque vai além de sofrer, engloba o sofrimento intrínseco por saber que não importa o que façamos o sofrimento vai vir por inúmeras vias ao longo da vida.
 Vamos por partes: Sofrimento é a única certeza, e como não bastasse, não é um sofrimento, um evento, são muitos, emergindo de várias maneiras, muitas vezes concomitante. Sofrimento por nós (doenças, desgraças, privar-se de coisas que consideradas boas, ter que conviver com o que não se suporta, saudade, culpa) e sofrimento por quem amamos (ver a decadência do ser humano, a morte, a dor) e saber que não há como isentar-se disso.
 Ninguém quer sofrer, todo mundo busca métodos de evitar o sofrimento, algumas vezes estes são bem sucedidos, outras não. Mas parece que alguns não se dão conta disso. Como disse Sivas “Felizes são os ignorantes, que são incapazes de questionar a felicidade”. Quem não reflete muito sobre o sofrer talvez sofra menos.
O que fica evidenciado é que, sendo sofrer e morrer uma condenação, a ideia de imortalidade permanece. Mesmo sofrendo as pessoas (nem todas, é claro) resistem e lutam com todas as forças para viver como se fizessem uma rejeição da sua realidade, como se tivessem esperança que em sua vida algo seria diferente. Quiçá por isso existam tantas religiões criando expectativas para uma possibilidade de continuação de vida após a morte. Acreditar em uma delas é uma alternativa para amenizar a angústia perante a impotência humana com a vida que levam no presente momento.
É como se a vida fosse uma televisão com controle remoto sem pilhas e estivéssemos presos ao sofá, sendo assim obrigados a assistir as programações disponíveis mesmo que não fossem conforme o nosso gosto, e isto tudo sabendo que existem outras possibilidades a serem apreciadas, mas que, no entanto, não nos estão disponíveis naquele momento para nós. O que resta é a esperança de uma programação melhor vigorar.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 26-05-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)


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