quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

PROSTITUIÇÃO NA POLÍTICA


Uma mulher em uma esquina, parada na calçada, cabelos longos, lisos e ruivos soltos ao vento, aparentando não ter mais de vinte anos, vestindo uma roupa curta e justa em pleno começo de inverno, fixa o olhar a cada carro que passa vislumbrando se encontra um cliente em potencial para fazer uma relação cambial de sexo por dinheiro. Assim que surge um, o aborda indiscretamente sedutora fazendo a sua oferta [...]. Um senhor de quarenta e sete anos, empresário do ramo de medicamentos de uma cidade de médio porte, averigua os candidatos que se propuseram a concorrer a cargos de prefeito e vereador da referida e, encontrando um dos citados, durante uma conversa informal e de maneira “pseudo” sutil e muito amigável, já expõe quais são suas necessidades propondo trocá-las por seu voto e apoio político [...].
    Se você está se perguntando o que estas duas situações descritas acima, aparentemente tão diferentes, tem a ver, a resposta é: tudo! São exemplos de prostituição! Prostituição é uma palavra que sofre muito estigma (por ser vulgarmente associada a mulheres que vendem prazeres sexuais), mas não deveria ser tabu, já que acontece das formas mais inusitadas, debaixo de nossos narizes impregnados de falso moralismo.
   Prostituir tem como significado trocar dinheiro por favores sexuais, mas também é sinônimo de profanação, libertinagem, devassidão, uso degradante de alguma coisa. Então por que só chamam de prostituto aquele que vende o corpo de maneira sexual e não aquele que vende o corpo moral? É a mesma coisa, ou melhor, não é, não! Aquele que prostitui o próprio corpo, penso eu, é mais honesto, merece o respeito porque trabalha para manter sua vida sem precisar “passar a perna”, lograr, tirar vantagem de ninguém. No entanto, é a classe increpada, enquanto os que prostituem a sociedade se envolvendo em corrupções, depravações, subornos, furtos, a população hipócrita não os discrimina, ao contrario, são muitas vezes enaltecidos já que ocupam cargos “primorosos”.
     Políticos roubam, usurpam, matam, mentem, fazem falcatruas e escândalos, ano após anos, e nos períodos eleitorais emergem como ovelhas alvas e felpudas fazendo um marketingzinho de boas ações e, sem muito esforço, logo conseguem retornar ou continuar no cargo que ocupava no mandato passado, tudo isso graças a que? Aos prostitutos que trocam um voto por um tanque de gasolina, um apoio eleitoral por uns favores ou um cargo de confiança.
    O político, já que obtém vantagens grandiosas para “se sujar”, até é mais compreensível entender a desonestidade. Mas um sujeito trocar sua moralidade por uma esmola chega a ser ridículo, baixo, desprezível, um escárnio. O problema de uma nação não são seus governantes, mas o povo, pois estes estabelecem os líderes. Uma pessoa que vende algo para outra não pode requerer nada além do pagamento pelo produto, ou seja, quem vendeu um voto nunca poderá exigir nada do governante com o qual ele negociou. Negócio é negócio.
   Em um país onde bolsas “cala-a-boca” num valor miserável já elegem presidentes, o que dizer de uma vantagenzinha a mais para eleger um prefeito, vereador... Simplesmente prostituição!
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 11-08-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)


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