sábado, 8 de dezembro de 2012

O QUE A VIDA FEZ DA NOSSA VIDA


Ao refletirmos sobre a vida é impossível não nos lembrarmos das ilusões que sustentávamos na infância, de que a vida seria bem melhor quando crescêssemos. Não que esta crença esteja estritamente errada, mas obviamente a vida adulta não é exatamente como planejamos na infância. Sonhos, desejos, anseios, ora realizados, ora obrigados a serem esquecidos, mas são estas vicissitudes que constroem quem realmente somos.
Estamos em constante mudança e a nostalgia do passado se faz presente, ainda que ele não contenha lá as melhores lembranças. Sempre há o que sentir. Mesmo tendo indesejados, teve suas alegrias. O passado se faz presente muitas vezes e são estes flashes do que se foi que nos tornam reflexivos. O tempo e a experiência nos instigam a pensar sobre nossos avessos.
Um dia a gente acorda e tem a plena consciência do significado da frase “a vida não é um conto de fadas”. Apesar de termos certeza que não o é, não temos muita clareza do que implica isso e a ideia de um final feliz persegue até os mais incrédulos. Logo, passamos acreditar que há, quem sabe, alguma semelhança com os contos. Tomamos o conhecimento que eternas historinhas vão começando e findando em nossa vida, e que há vezes em que somos vilões e outras, mocinhos.
Nossos atos nem sempre são compreensíveis por nós mesmos, apesar de ter um nexo causal isso pode se manter inconsciente. Fazemos o que não queríamos fazer, dizemos o que não queríamos dizer e, muitas vezes, nos arrependemos, mas nada pode mudar o que se foi. “Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre. Tudo quanto vive perpetuamente se torna outra coisa, constantemente se nega, se furta à vida”, disse Fernando pessoa. O que foi jamais nos dará uma oportunidade de tornar a ser. 
Sonhos, sonhos, sonhos! Muitos se tornaram pesadelo, muitos se foram ser ter a oportunidade de se realizar e muitas das realizações não foram sonhadas. O que mensura então nossa realização pessoal? Subjetividade, talvez seja a melhor resposta. Somos o que somos, estamos onde estamos devido a um aglomerado de ocorrências só nossas. As pessoas a nossa volta, o meio circundante, o contexto histórico, as ocorrências inusitadas, nossa constituição biológica e mais nossa reação a isso tudo nos constitui enquanto pessoa. Erros e acertos, ganhos e perdas, alegrias e tristezas, compõe a melodia da nossa vida, cada uma com sua singularidade.
Damo-nos conta, mais cedo ou mais tarde, que somos totalmente atuantes em nossa vida. Tudo parte de escolhas e nem sempre elas são condizentes com o que desejamos, mas se optamos por ela haverá um resultado. E é exatamente este resultado que simboliza nossa vida. O que a vida fez da nossa vida não é nada mais e nada a menos do que nós próprios escolhemos para ela, independente de atualmente acharmos agradável ou não. Nada nos pertence sem nossa contribuição para tanto.
O que fazer então quando os anos passam e a decepção diante do que nos deparamos nos remete a pensar que foi uma má sorte ou coisa de gênero? Responsabilidade é a palavra mais cabível. Atribuir aos outros ou a fatores variados a responsabilidade pelos resultados que angariamos nos afasta ainda mais de fins desejados.
Quando algo fracassa, a possibilidade de um recomeço permanece. Estamos eternamente recomeçando porque os desejos mudam de objeto. Quando um plano finda abre margem para construção de um novo, e consequentemente melhor, por já termos experiência de projetos frustrados e bem sucedidos. A frase “Há males que vem para o bem” aparenta um tanto perversa, mas se for prestar atenção aos fatos ocorridos no decorrer da história, percebe-se que muitos dos feitos mais extraordinários da humanidade foram da autoria de pessoas que perpassaram por fracassos.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 01-12-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

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