quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O DILEMA DA ESCOLHA PROFISSIONAL


Desde pequenos somos orientados a nos posicionar frente à escolha profissional que iremos seguir na idade adulta. A pergunta “o que você vai ser quando crescer?”, popularmente empregada, já impõe certa obrigatoriedade em refletir acerca do aspecto de trabalho futuro enquanto obtenção de sustento, bem como, deixa enfatizada a importância da resposta dela.
Não há como negar que a atitude de escolher é demasiadamente angustiante e, na verdade, a escolha é uma obrigação, pois não tem como fugir dela. Talvez por isso seja tão sofrido optar. Em se tratando da escolha profissional é um pouco mais complicado, pois é uma seleção que nos acompanha por um longo período, por isso deve ser bem pensada. Passa-se grande tempo da vida no trabalho, é justo aderir à uma profissão que não seja agradável?
Decidir por uma profissão é o mesmo que fazer uma tenção, um desígnio traçando um planejamento futuro, e essa escolha profissional passa a fazer parte do projeto de vida de uma pessoa. É muito mais do que simplesmente perceber a vocação que se tem, mas juntamente fazer uma análise do passado, considerando os aspectos pessoais, conhecer as profissões condizentes com as habilidades apresentadas e, ainda, averiguar a realidade socio-política e econômico-cultural que dá subsídio a essa escolha.
A primeira ideia que se formula acerca do trabalho é que este fornecerá condições financeiras, mesmo que básicas, para o esteio das necessidades. No entanto, a palavra trabalho carrega algo a mais que o simples sustento, imputa toda uma construção subjetiva e imagem construída ao longo da vida a respeito de quem se é. Não existem maneiras de esquivar-se de optar por uma profissão (em algum momento da vida alguma forma de trabalho será desempenhada), já que é ela que norteará quem pretendemos ser, o que se pretendemos com isso e que mundo iremos ou pretendemos construir.
O trabalho representa um dos caminhos de orientação vital e de definição pessoal, e a ocupação está intimamente ligada à personalidade, embora nem sempre possamos distinguir que características biopsíquicas foram responsáveis pela escolha profissional e quais resultaram da adaptação do indivíduo a mesma.
A escolha profissional reflete o desenvolvimento e integração da personalidade, assim, se a mesma influencia na escolha profissional, a profissão influi nas pessoas que a exercem consideravelmente. A partir disto, fica evidenciado que muitos traços da personalidade, valores, opiniões e crenças podem ser criados ou modificados durante o exercício de uma profissão, o qual tornará um ponto fundamental para o rumo que seguirá a personalidade na continuação do seu desenvolvimento.
            A escolha da profissão não é algo estático, já que há possibilidade de mudar de opção a qualquer momento na vida, levando em consideração os esforços necessários para tanto. Abrir mão de um emprego e dedicar-se a outro é sinônimo de novas relações que trazem junto novas exigências e também novas expectativas. O que consola no fato de termos que escolher algo de inestimável importância é justamente esta abertura para recomeçarmos em outra área de atuação, caso aquela que julgamos melhor em determinada ocasião não se faça mais pertinente.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 30-06-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

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