sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O BEM E O MAL QUE POSSUI CADA UM


 “De médico e de louco todo mundo tem um pouco”, recita a expressão popular, deixando em evidência que ninguém é apenas médico e ninguém é apenas louco, ambos os extremos não podem ser vividos puramente. Cada momento da vida se faz um episódio singular e único que não nos permite ser somente uma coisa, o estático se torna inexistente quando se trata do comportamento humano.
As vicissitudes da vida evidenciam que o agir humano não pode ser domesticado e categorizado como sugere o comportamentalismo, apesar de ser lógico o fato de que comportamentos podem ser moldados, todos estes moldes podem cair por terra diante do “determinismo” da vida. Paradigmas fortemente arraigados podem ser quebrados diante de uma situação que implique em desequilíbrio e aquilo que julgamos que nunca faríamos na vida podemos o fazer sem nos darmos conta disso.
Bondade e maldade é uma dualidade ensinada desde a infância para uma pessoa, e comportamentos são discriminados entre o que é, e o que não é aceitável. Conceitos são implantados em nosso ser de maneira a fazer-nos pensar que são a verdade absoluta, mas um dia eles são repensados e reestruturados diante das adversidades que a vida impõe.
Nas divagações acerca das certezas da vida fica a evidência que nenhuma verdade é valida. Nada é pleno, nunca se alcança o céu, ele é apenas um estado imaginário, fantasioso e irreal. A busca da plenitude talvez motive os comportamentos do dia-a-dia, mesmo sem a esperança de que os resultados deles sejam satisfatórios.
Quantas crianças desejaram um doce que nunca puderam ter. Quantos adultos sofreram com a ausência de um amor intencionado. Quantos doentes sonharam com a cura milagrosa. Quantas pessoas esperam em vão coisas que sabem que nunca irão acontecer. Diante destes “maus” vivenciados nenhuma pessoa sai ilesa, o mal já a possuiu, já faz parte de sua realidade, não há como negá-lo.
“Sofro, desde a epigênesis da infância a influência má dos signos do zodíaco”, disse Augusto dos Anjos, como quem justifica os infortúnios vividos. A alguma “coisa” deve ser atribuído a culpa pelos maus ocorridos evitando assim a desilusão eterna. Algo é então responsável pela impossibilidade humana de ser puritano, o bem e o mal sempre irão o possuir.
A vida é norteada, então, pelas esferas misteriosas do desejo humano, que nem sempre pode ser saciado, mas que é permeado pela ideia de realização. O bem e o mal apesar de serem paradoxos, são também paralelos, andam lado a lado. Em busca de conquistar o que consideramos bom podemos adotar atitudes que condenamos como ruim.
Ninguém nasce forte, mas é estabelecido como forte. Como um diamante que nasce carvão, mas diante das lapidações do meio em que vive se torna uma joia rara e preciosa, as pessoas são formadas na sisudez da vida. Ninguém fica musculoso levantando pouco peso em uma academia. Assim o bem e o mal são criados dentro das pessoas em uma mistura da sua singularidade com a objetividade que o meio propiciou. Ninguém é totalmente bom e ninguém é totalmente ruim, as pessoas são o que no momento presente se fez a melhor alternativa, motivadas pelo instinto de autopreservação.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070


Artigo publicado no jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 29-09-2012. Também disponível nos sites www.saltinhoweb.com e www.afsaltinho.com.br

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