quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

MULHERES EMANCIPADAS: NOVA POSIÇÃO DE UMA ANTIGA CLASSE


Digna de méritos e admiração, a classe feminina comemora sua emancipação frente à sociedade. Esta mesma que outrora lhe desfavoreceu, privando de algumas possibilidades, agora lhe permite a total e plena consolidação de seus desejos mais extraordinários.
Progressivamente a mulher tem angariado mais espaço socialmente e com esta aquisição acarretou uma infinidade de papéis a serem desempenhados de maneira simultânea. A cultura mais primitiva que pregava que a mulher devia manter submissão ao homem e aguentar calada situações desagradáveis (quase) não existe mais. Nunca na história a mulher teve tanta autonomia e liberdade para fazer o que bem quer como hoje em dia.
Os tempos mudaram e as situações também, a humanidade evoluiu, um leque de direitos se tornou acessível, tudo isso graça às mulheres “super poderosas”. Não há como negar que esta emancipação conquistada, à força, está sendo muito saboreada pela classe feminina, todavia percebe-se que simboliza um paradoxo: ao mesmo tempo em que representa conquista muito ansiada, implica em uma sobrecarga de tarefas a encargo da classe feminina.
Profissão, desenvolvimento intelectual, relacionamento amoroso, criação de filhos, cuidado com a casa, vaidade são as principais atribuições que ocupam os dias corridos das mulheres na atualidade. A liberdade de escolha e de expressão é anunciada como conquistada, mas na verdade foi fundida com as atribuições primárias, já que a mulher não se desfez do seu antigo papel na sociedade, apenas acoplou mais funções a ele. Ao mesmo tempo em que são responsabilizadas pelas funções ditas “domésticas”, se sentem responsáveis por assumir uma identidade profissional.
Isto deixa explícito que a mulher não conseguiu consolidar com afinco o que desejava, até porque, quando emergiram os movimentos feministas não estava delineado exatamente como seria esta nova condição da mulher, ficou-se apenas focado na questão de poder trabalhar fora de casa e receber um salário a altura do destinado ao trabalho masculino.
É nítida a confusão de papéis sofrida na época presente e isto implica em muito desgaste psíquico para a mulher contemporânea, devido a múltiplas funcionalidades que deve representar encontra-se perdida e, muitas vezes, até insatisfeita. Conseguir ser bem sucedida profissionalmente é visto quase como uma obrigação, é mais do que receber um salário bom, é também ter uma carreira satisfatória. A competição tem se acirrado não somente em relação ao masculino, mas principalmente entre as próprias mulheres.
Concomitante a festejar uma vitória, a classe feminina se lança a um novo confronto, o confronto pelo sucesso profissional. Vive-se a dualidade que abre margem para questionar se era isso mesmo o desejado pela classe. E, independente do que achamos a respeito do assunto, é isso o que possuímos agora, posterior a tanto protesto! Direito conquistado e, novas conquistas a lutar.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 21-07-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

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