sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

ESTRESSE INFANTIL E SEUS DISPARATES


Por vezes, chamado de mal do século devido a alcançar proporções epidêmicas de pessoas, o estresse tem como desencadeador fatos do cotidiano, entre eles as responsabilidades, os trabalhos excessivos ou qualquer atividade que deixe o sujeito sobrecarregado. Normalmente é uma patologia associada a adultos, mas isto não exclui a possibilidade de que ocorra com crianças. Estima-se que treze por cento das crianças e adolescentes vivenciem o estresse.
A criança é vulgarmente descrita como aquela que vive uma fase de pleno laser por não aparentar responsabilidades, mas não é bem assim. Não é congruente avaliar a dificuldade infantil comparando-a as adultas, já que cada idade ou etapa da vida carrega consigo suas dificuldades, e superando-as emergirão outras que farão as anteriores parecerem triviais. O que é banal para um adulto pode proporcionar intenso sofrimento psíquico para uma criança, sendo que o adulto já elaborou as trepidações de sua infância.
A palavra estresse carrega em si o significado de perturbação provocada por estímulos externos vacilantes, ou melhor, uma reação do organismo quando se depara com situações de certo grau de dificuldade e involuntariamente começa a procurar maneiras de lidar com a excitação que a eventualidade provocou. As reações físicas que emergem são uma tentativa de adaptar-se. Não é a toa que a palavra estresse primeiramente foi chamada de Síndrome de Adaptação Geral, como o nome já explica, busca acostumar-se com as situações novas. Pode acontecer com todas as pessoas, de qualquer faixa etária, etnia, sexualidade ou posição socioeconômica.
A gama de eventos desencadeadores de estresse em crianças geralmente perpassa por acidentes, doenças, eventos traumáticos, mudanças repentinas, escola, fome, brigas, timidez, preocupações, pais fraudulentos, maneira de educar confusa usada pelos responsáveis, críticas demasiadas, agressão física, violência psicológica e contingências de gênero. Alguns estudiosos como Gonzáles apontam o aumento de adrenalina e cortisol (hormônios neurotransmissores que sinalizam o estresse) principalmente em crianças que frequentam creches e hospitais.
            A sintomatologia do estresse infantil engloba o choro não usual, problemas de dicção e comunicação, irritabilidade, sono demasiado ou escasso, manifestação de comportamentos infantilizados, agressividade, isolamento social, diarreia, náusea, medo e temor, enurese (xixi na cama), bruxismo (ranger os dentes durante o sono), distúrbio de apetite, pesadelos e hipersensibilidade.
            Se mantida por um longo período de tempo nas situações conflitantes o desenvolvimento intelectual, afetivo e emocional da criança pode ser comprometido. Geralmente crianças que permanecem em estresse sem ter uma ajuda para superá-lo se tornam adultos fragilizados, ansiosos e angustiados.
            Os pais ou responsáveis tem uma atuação essencial para evitar que o estresse acometa seus filhos, devem estar atentos a qualquer alteração de comportamento e manter um diálogo aberto com eles. Ter um ambiente acolhedor em casa é a base para saúde mental de qualquer pessoa, principalmente crianças. Caso isto não seja suficiente, a psicoterapia se faz necessária.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 18-08-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

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