quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

ESTIGMA E EXCLUSÃO SOCIAL


A palavra estigma tem sua vertente na Grécia antiga onde o termo era utilizado para designar pessoas que, através de sinais corporais, eram preteridas em relação ao restante da população. Os ladrões, os escravos e demais pessoas condenadas perante a sociedade, eram marcados no corpo para serem ridicularizadas em público e assim separadas da classe “sã”.
Na atualidade, sofrer estigma tem o mesmo significado de sentir-se marcado, excluído, deixado de lado em relação a um grupo que realmente ou aparentemente representa um domínio sobre a sociedade em geral, mas não necessariamente tendo um sinal corporal.
A pessoa dita estigmatizada é assim descrita por optar por um estilo, crença, filosofia de vida que é condenada, desconhecida, pouco aceita ou que vai contra as normas culturais, ou ainda, por apresentar algum traço físico que a caracterize como diferencial ou minoria.
Quando o indivíduo é estigmatizado, incorpora modelos de identidade que lhe foram atribuídos por outras pessoas ou até pelo julgamento que ele mesmo se imputa. Pessoas estigmatizadas apresentam ambivalência de identidade na tentativa de normificar seus grupos sociais, pois ao mesmo tempo em que não há aceitação mútua, há necessidade de convivência.
Normalmente, cada indivíduo busca ter relações interpessoais com quem julga ter características similares a ele próprio. As pessoas têm mais facilidade de manter vínculos afetivos ao perceber afinidade em algum âmbito da vida, seja classe social, preferência de estilo, interesses em comum, aparência física, religião, grau de instrução intelectual ou outros. No caso dos estigmatizados, se agrupam mediante a exclusão feita pelos preconceituosos. Não significa que a exclusão emane apenas do social, há casos em que é a própria pessoa com algum interesse exótico ou algum diferencial que procura se excluir, optando por associação apenas com pessoas semelhantes a ela.
Não há possibilidade de negar que existe muito preconceito, mas também não há como fechar os olhos ao fato de que o preconceito há de ambas as partes, tanto de quem se considera o normal, quanto de quem se considera o anormal.  
A sociedade também se apresenta de forma incongruente frente ao estigmatizado, pois concomitante a afirmar a normalidade, não nega à desigualdade. Fala-se muito em liberdade, há o incentivo a “aceitação” de determinados grupos sociais, mas o que não percebem é que este próprio movimento de apologia é uma forma de preconceito. Cria-se um alvoroço sobre classes como a dos homossexuais, deficientes, mulheres, negros e demais “divisões”, como se estivessem anulando o fato de serem todos simplesmente pessoas. Sem contar os benefícios, bolsas e cotas em Universidades, que só fomentam a discriminação.
Mesmo que existam diferenças físicas, psicológicas e comportamentais entre as pessoas, não as tornam menos humanas ou vitimas de uma má-sorte. Na verdade, é extremamente natural que isto ocorra porque ninguém é igual. Somos seres únicos, singulares, cada um com suas virtudes e defeitos, ou seja, cada um com seu estigma ou marca subjetiva, não há necessidade de transformar isso num fenômeno espetaculoso.
A sabedoria de Bob Marley disse que “Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra”.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 03-03-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

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