sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

ESMOLA FINANCIA A MISÉRIA


Recentemente um amigo me relatou um episódio que me incitou a reflexão: Um moço apareceu em frente o seu estabelecimento comercial dizendo que estava com muita fome e não possuía dinheiro para comprar a alimentação, pedindo então que piedosamente lhe fosse fornecido o valor para tanto ou lhe providenciado um prato de comida. Comovido com o aparente sofrimento alheio, pensou em ajudar, em fornecer um dinheiro para que ele pudesse fazer uma refeição adequada. Então falou para o pedinte que iria o atender, apenas queria que ele fizesse um favor, o ajudasse a levar uns pacotes de embalagens até o lixeiro em frente à loja, pois estavam ocupando espaço em seu recinto. O ser humano que antes se mostrava digno de pena, simplesmente respondeu “Estou lhe pedindo dinheiro ou comida, não trabalho!”, virou as costas e saiu.
Com uma aparência indecorosa, um tanto sórdida, ostentando sofrimento, emerge em nossa frente, consecutivamente, mendigos implorando por dinheiro para se alimentar, alimentar a família ou para comprar passagem para retornar a cidade de onde vieram. Ao focar a decadência que uma pessoa é capaz de chegar, o expectador é invadido pela piedade, dó, pena, misericórdia e sentimentos relacionados, que o incitam a fornecer o que eles pedem, como se fossem responsáveis pela vida alheia. Mas a fome não acaba pra sempre.
           Há quem defenda o ato de dar esmolas, afirmando que é sim uma forma de ajuda, que a pessoa não teve sorte na vida, que nasceu em um ambiente desfavorável e outras justificativas de gênero. Negando o fato de que este ato promove o ócio do meliante e que não vai resolver o problema da pessoa de fato. As pessoas sentem fome todo dia, várias vezes por dia, e cabe a cada um se esforçar para saná-la. É justo você trabalhar, se gastar, acordar cedo para sustentar quem quer apenas sombra e água fresca? A esmola não ajuda ninguém! As ruas são prova disto. 
É impossível não se referir às pessoas que nasceram pobres e se tornaram bem sucedidas por mérito próprio, entre eles: Silvio Santos, Zezé Di Camargo e Luciano, Alexandre Pires, Fábio Junior, Luiza Brunet, e os estrangeiros Tom Cruise, Wal Mart, Michael Jackson, Leonardo DiCaprio, Julia Robert, Demi Moore, Sarah Jessica Parker entre inúmeros outros.
       Se você quer ajudar um "menos favorecido" lhe forneça um meio de sustento ou incentive o ato de ele conseguir manter-se por mérito próprio, como comprar os produtos que ele tenha a oferecer, mesmo que sejam modestos, disponibilizar serviços ou indicar seus serviços para alguém. Existem inúmeras formas de ajudar uma pessoa a “andar com as próprias pernas”. Quando você da esmola, você não esta fazendo um bem, você esta fazendo um mal, tanto para a pessoa a quem se destina a esmola quanto para a sociedade, você esta financiando a vadiagem.
Vadiagem, palavra que choca por ser direta demais, carrega um significado pesado, não tão pesado quanto enxergá-la na prática. Deixa de ser condenada pela Lei dia 8 de agosto, quando deputados aprovaram um projeto descriminalizando-a. Se foi a melhor atitude a tomar ou não, só o tempo dirá.

Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 01-09-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

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