sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

DEIXAR DE SER MENINA PARA SER MULHER


Aos 15 anos me contentava com bijuterias. Hoje não. Hoje eu só quero jóias. A maturidade nos torna perita em distinguir entre o que presta e o que não presta. Porcarias, sejam elas materializadas em coisas ou pessoas, definitivamente, não interessam. Cheguei a esta conclusão há alguns dias e muito pensei em quantas mulheres comungam deste pensamento.
Não há uma idade certa, algumas aos 20, outras aos 30, ou 40, 50 anos, mas há uma época da vida que passamos a selecionar melhor o que queremos que faça parte dela e o que devemos rejeitar. Talvez mais extremista, exigente, seletiva, a mulher madura não se sente na obrigação de agradar ao outro ou aceitar coisas que não são desejáveis, ela se dá o luxo de escolher o que quer e o que não quer com veemência.
Chega uma época na vida da mulher que o “morrer de amor” deixa de fazer sentido, que percebemos que tendo ou não certas pessoas ao nosso lado, nossa vida vai continuar, boa ou ruim, e que nada na vida é incurável. Chico Xavier disse “Isto também passa”, se referindo a tudo que venhamos experimentar, sejam coisas boas ou ruins. Mais tarde ou menos tarde aprendemos a manter a calma diante das peripécias da vida porque tomamos entendimento de que nada é pra sempre. Este é o marco que assinala a maturidade.
O que difere uma menina de uma mulher é a maneira de lidar com a vida, com as pessoas, consigo mesma, com os sentimentos e principalmente com as incertezas da vida causadoras do medo. O medo, o vilão que nos rouba de nós mesmos.
O medo faz uma pessoa ser quem ela não é verdadeiramente, aprisiona em um corpo que não condiz com a mente que o possui, nos distrai, tira o foco de atenção da realidade e direciona à fantasias ridículas. Não me refiro ao sentir medo, pois este é um sentimento natural, mas às atitudes covardes. A mulher madura não fica mais impotente diante do sentimento de temor, ela o enfrenta, o combate, o supera com invejável serenidade. "A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura", disse Lya Luft.
A menina e a mulher choram, mas há diferença. A menina chora e se desespera. A mulher chora e pensa na solução, porque é vivida, é provada, já passou por muitos infortúnios e aprendeu que o desespero não contribui para nada. A menina sabe que o mundo não vai acabar por causa de uma desgraça, mas não consegue assimilar isso na prática e muito menos lidar com o pós caus. A mulher sente a angústia da dor, mas sabe que ela ira embora, assim como inúmeros risos foram. A menina é imediatista, a mulher é engenhosa. A menina é medrosa, a mulher é valente. A menina é frágil, a mulher é forte. A menina é aluna, a mulher é especialista.
Tanto a menina quanto o menino para se tornarem, respectivamente, mulher e homem irão perpassar por situações que contribuam para tanto. Sem a adversidade é impossível se superar, se sobressair, crescer. A calosidade da vida não poupa ninguém, mas você tem a opção de escolha: aprender com a vida e se tornar um sábio, ou viver repetindo os mesmos erros e rejeitar a sabedoria. A maturidade carrega consigo a responsabilidade pela vida que se tem.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 13-10-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 


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