quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ABUSO PSICOLÓGICO: UM VIÉS DA VIOLÊNCIA INFANTIL


Violência psicológica pode ser descrita como qualquer eventualidade que exponha a criança a situações aversivas, bem como, a depreciação da mesma em forma de insultos, ameaças e atividades de gênero, enfim, qualquer ato que lhe cause sofrimento psíquico.
Estes atos geralmente ocorrem de forma verbal e remetem um alto nível de estresse para a criança. As crianças negligenciadas emocionalmente além de vivenciar o sofrimento emocional oriundo do abandono, hostilidade e agressividade imposto pelos responsáveis, têm uma grande probabilidade de ter sofrimentos complementares em função de viverem em constantes situações de risco em que não contam com um responsável que desempenhe a função de cuidador. Assim como todos os tipos de violência, o abuso psicológico repercute em toda a vida da criança, uma vez que ocorre bem na etapa de sua constituição enquanto sujeito.
Desde o período de gestação a criança já vai introjetando os vários papéis que atribuem, designam a ela, e com o passar dos anos vai vivenciando e fortalecendo as ideias que lhe foram impostas pelos pais ou por quem desempenha a função destes. Esta socialização primária das crianças, que ocorre no seio familiar, são eventos fundamentais na constituição e integração da personalidade adulta. As rejeições a que a criança está submetida ou experiencia ao longo da infância trazem consequências que repercutem em vários âmbitos do seu existir. A família, que deveria zelar pelo bem-estar físico e emocional dos seus integrantes, tem agido de forma arbitrária, aniquilando o outro, independente do tipo de violência que a criança estiver exposta.
A vitimização psicológica pode assumir duas formas básicas: a de negligência afetiva, que consiste na falta de responsabilidade e interesse nas manifestações da criança, e a de rejeição afetiva, manifestação onde ocorre a depreciação e agressividade com a mesma. 
Mais do que os outros tipos de violência, está em demasia presente nas relações de pais/responsáveis e filhos, principalmente por eclodir de uma maneira mascarada. Geralmente é apresentada em forma de chantagens emocionais, coerção psicológica, com a desculpa de educar e principalmente através da imposição do querer do adulto subestimando a vontade da criança.
Segundo o Ministério da Saúde, o abuso ou violência psicológica é concebido como um evento no qual uma criança ou um adolescente é submetido a situações em que suas capacidades e potencialidades são desqualificadas ou, quando passam por situações de intensas cobranças feitas pelas pessoas significativas, durante o período de crescimento e desenvolvimento.
Além de comprometer a integração psíquica da criança, proporcionando uma defasagem na constituição dela enquanto sujeito, a violência psicológica implica em danos na aprendizagem, cognição, vida social e principalmente na saúde física e mental. A conduta dos pais irá influenciar positivamente ou negativamente a constituição subjetiva, pois fornecem uma base que a criança se desenvolva psicologicamente.
 Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08\17070

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 14-01-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

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