quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A FUNÇÃO DO BRINQUEDO NA INFÂNCIA


A infância é o período em que a pessoa tem seu primeiro contato estabelecido com o mundo, acontecem suas primeiras relações objetais, descobertas e experiências significativas. A Psicanálise afirma que são estas relações primárias que irão determinar a estruturação psíquica, ou seja, dar sustentabilidade a personalidade do sujeito.
A palavra infância deriva do latim “fari", tendo assim a significação de “aquele que não fala”. Este “não falar”, não se limita apenas ao sentido estrito da frase, mas engloba a questão de não ter voz ativa diante do contexto que se está inserido, devido a não ser considerada uma pessoa completa.
Na idade média as crianças eram concebidas como pequenos homens, ou melhor, de acordo com Philippe Ariès, um adulto em miniatura. Não existiam atividades destinadas exclusivamente ás crianças, elas participavam exatamente das mesmas ocupações que os adultos. A partir do século XVII houve uma incitação a abordar a temática infância pela literatura, e a partir daí, começaram a surgir guias de conduta dirigida aos pais, incentivo a diferenciar a vivência das crianças da dos adultos e, juntamente, o incentivo ao brincar.
O brinquedo é um mediador entre a criança e sua realidade, serve para simbolizar o que se passa no interior desta, os desejos insatisfeitos podem ser realizáveis no mundo da imaginação. Brincar é uma maneira de comunicar-se com o mundo, conhecer, provar, é uma espécie de ensaio acerta de como a criança virá a se comportar no futuro.
Quando a criança brinca, ela está exteriorizando o que se passa em sua mente, demonstra o que ela está entendendo das questões experimentadas em sua vida, da dinâmica familiar a que pertence, bem como, seus conteúdos intrínsecos.  Aquilo que é percebido ao redor a criança imita através do lúdico, tudo o que ela vê em seu cotidiano tende a reproduzir durante brincadeiras.
Em toda brincadeira a criança faz a projeção de uma realidade psíquica. Desta forma, ao ver uma criança brincar pode-se perceber seu mundo psíquico onde os objetos utilizados na realidade são correspondentes aos do mundo interior. É claro que todos estes conteúdos são compostos pelo real, pelo simbólico e pelo imaginário, o que quer dizer que nem tudo que ela expressa são verdades em se tratando de fatos, mas sempre representam a veracidade da criança, do que ela interpretou dos fatos vivenciados. Através do brincar a criança expressa conteúdo que os adultos expressarão com palavras.
Há diferença entre as crianças que brincam e as que não brincam. As primeiras terão mais confiança em si mesmas, traquejo social, desenvolverão empatia, terão mais habilidades cognitivas e comportamentais. Já as que são privadas ou limitadas no brincar, terão um déficit na questão de expressão, o repertório será mais restrito e tenderão a insegurança social, por não terem trabalhado, testado, ou aprendido estas habilidades de maneira lúdica.
Isto posto, fica indiscutível a importância do brincar na infância, sendo que é uma maneira tanto de expressão como de treino para desenvolvimento de habilidades sociais e repertórios comportamentais.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 24-03-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)


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