quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A ESCOLHA AMOROSA


A feminilidade e masculinidade são construídas socialmente durante os primeiros anos de vida e através dos contatos de proximidade com as pessoas. A partir daí que se originam as formas de escolher o objeto de amor e se relacionar com ele. A escolha do objeto amado é baseada num movimento pulsional de encontrar um objeto perdido e desejado. Desta forma, toda escolha amorosa parte de um objeto original desejado e impedido, tendo suas origens no complexo de Édipo e norteia-se pela busca de satisfação. Todavia, a plena satisfação é algo inalcançável e ao longo da vida surgem objetos substitutos.
Em um relacionamento amoroso há duas posições, uma passiva e outra ativa. A primeira é representada pelas características femininas e a segunda pelas masculinas. Não significa que seja feminino e masculino no sentido do gênero sexual, fala-se aqui da posição ao relacionar-se, que em cada relacionamento há as duas partes que buscam a completude, uma representada por características de atividade e uma por passividade. Como expresso entre várias filosofias, entre elas, a filosofia chinesa que representa a dualidade ativo-passivo com o símbolo yin e yang, onde dois opostos se complementam.
Em geral, vê-se o amor como uma possibilidade de fazer de dois um só. Nos relacionamentos amorosos as pessoas buscam a simbiose para desfrutar do gozo desta relação. Os casais se organizam de forma a perpetuar uma fantasia de união absoluta que proporcione satisfação para ambas as partes e, o vínculo se rompe caso esta tentativa falhe.
O amor conjugal é vivido em sua impossibilidade. E isso é facilmente percebido nos romances clássicos onde se encontram pares famosos como Tristão e Isolda e Romeu e Julieta, os quais demonstram a impossibilidade do amor ser vivido na “prática”. Estes clássicos apresentam a tragédia, as dificuldades e o desejo humano de amar e ser amado. No entanto, na literatura não existe prova de que o amor seja justo porque homem e mulher amam de forma diferente, então, não é possível encontrar a justa posição entre os que se amam.
O ser humano busca no companheiro a completude, a unicidade, a simbiose. Ou seja, o que um casal faz é buscar no outro aquilo que lhe falta, que se acredita que o outro tem, que deseja dar e pode dar. Mas isto é uma ilusão. E o que se percebe é que a ilusão mantém a busca do amor, mantém o desejo de ser amado.
As pessoas se apaixonam por acreditarem que a pessoa pela qual estão apaixonadas são a melhor disponível, o objeto mais vantajoso ao seu alcance e levam em consideração os valores cambiais. Se apaixonam pelo o que o outro significa, ou seja, pelo valor que atribui ao outro, achando que com isso podem satisfazer-se.
É ilusão, pois, o ser humano, por ser insatisfeito, não pode encontrar nada no mundo que o satisfaça totalmente, porque isso equivaleria à perda do desejo, seria a própria morte. No entanto, é justamente isso que perpetua a busca constante por satisfação, principalmente nos relacionamentos amorosos.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 05-05-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

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