sábado, 22 de dezembro de 2012

A DIVERSIDADE NOSSA DE CADA DIA


O mundo gira em torno de questões abstratas. A verdade nunca é plena. O que é considerado abominável pode passar a se tornar aceitável, ou até mesmo correto, em pouca fração de tempo, bem como, o rotulado de ideal pode perder sua virtude culturalmente. Todas as questões que nos permeiam se resumem a uma opinião comungada por um grupo de pessoas e as opiniões mudam, ora para melhor ora pra pior, porém nunca permanecem estáticas.
Opinião é algo subjetivo, singular, que é meu e ninguém tira, mas por influência externa (ou interna) pode mudar. Cada ser é único e exclusivo, e tem sua forma de enxergar o mundo como ninguém mais tem. Algumas opiniões nos fazem ter mais vinculações com algumas pessoas que selecionamos como semelhantes a nós e repelir outras por serem contrárias, e nos engajarmos em projetos sociais em busca da conquista da aceitação de nossa ideia.
Cada um busca defender com garra seus ideais e somente através disto os grandes progressos da humanidade se fizeram possíveis. Mas o que seria este defender com garra? É simplesmente utilizar-se de inúmeros meios disponíveis, ou criar meios, os quais venham a convencer a massa da comunidade a que pertencemos, de que a ideia que defendemos é melhor para o grupo do que as opositivas.  O que emerge como uma proposta de “bem maior” da nação pode se manifestar contrário a isso, quando feita por via de violências.
O que tem tomado espaço na mídia negativamente nas exposições atuais são os atentados violentos contra homossexuais, os torcedores de alguns times de futebol ferindo torcedores de outros times, mulheres agredidas por homens (por inúmeros motivos), atentados raciais, religiosos tem se tornado “comum” em nosso meio, junto a mais uma infinidade de exemplos do uso de violência em prol de uma opinião ou “causa social”.
Temos que lutar pelo que acreditamos, mas isso não inclui fazer mal às pessoas. Geralmente quem julga a escolha de outra pessoa como inconveniente usa o argumento de que ela é ruim, repugnante, prejudicial à sociedade. E entretanto não estaremos sendo piores ainda diante desta cometendo maldade contra seres humanos? Uma pessoa não tem a obrigação de concordar com as escolhas que as pessoas a seu redor optaram, ela não precisa aceitar, mas tem que ter a integridade de respeitar.
Posso ser contra o aborto, o achar errado, o condenar, é meu direito de ter minha opinião sobre ele, mas nada no mundo me outorga o direito de violentar quem não comungue do mesmo pensamento que eu. O mesmo para a homossexualidade: eu posso achar errado, pecado ou coisa de gênero, é meu direito me posicionar tanto contra quanto a favor, de sustentar minhas convicções, mas o que nunca será direito de uma pessoa é causar danos físicos, psicológicos e morais a outra pessoa.
Raças, times, religiões, partidos políticos, opções pessoais, só existem para serem preferidos por uns e preteridos por outros. Sempre consideramos nossas verdades como absoluta, mas os outros também consideram as verdades delas assim o sendo. Todos querem um melhor para todos, mas esse “melhor pra todos” não será possível se parte do “todo” for violentada.
Percebemos o grau de evolução de uma pessoa pela maneira com que ela posiciona suas opiniões, verdades, saberes, sem causar danos a outros que sustentem opiniões divergentes. Eu tenho a liberdade de ser o que eu considerar certo, mas tenho que ter dignidade de dar ao outro a possibilidade de deixar que ele seja o que ele quiser, sem menosprezá-lo por isso.
Você não precisa achar certo ser lésbica, nem gay, nem heterossexual, nem pai de santo, nem evangélico, nem abortar, nem pedir esmola, nem torcer para o São Paulo, nem mulher usar vestido curto, nem usar piercing ou tatuagens etc. Você pode ser contra todas estas coisas, mas não pode ir contra o direito de outro ser humano, como você, fazer as próprias escolhas dele. Assim como você tem direitos todos os outros a seu redor também o tem. A opinião ou causa correta é aquela que não vitimiza ninguém.
Psicóloga katree Zuanazzi
CRP 08/170170

Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 22-12-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998) 



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