quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A ALEGRIA E A TRISTEZA DE VIVER EM COLETIVIDADE


O grupo de organismos vivos que fazem parte de um mesmo ecossistema é denominado comunidade. Pode ser dividida em psicossocial ou geográfica e faz referência ao espaço onde a maior parte do cotidiano é vivida. É uma construção sociológica onde existe a partilha de uma concepção de saberes e de um conjunto de ações. É totalmente mutante e atuante.
O primeiro contato com a vivência em união que nos deparamos é a família, já que involuntariamente somos introduzidos nela. Aqui há o principal grupo de contato contínuo com troca de valores e que subsidiará o engajamento de seus integrantes na vida em comunidade, conduzindo os papéis que cada um desempenhará dentro desta.
A relação entre o indivíduo e a coletividade é sustentada pelo compartilhamento de algo, ou de um ideal, em comum que resulta em benefícios para todo o grupo. Há uma interdependência entre os membros, fator que os mantém interligados em comunidade.
A formação de uma comunidade se dá através de um conteúdo, que é um interesse em comum, algo que envolta todos os integrantes do grupo igualmente, havendo um contexto para que se ocorra o agrupamento com uma espécie de contrato informal entre estas pessoas, delimitando, desta maneira, as características em comum. Uma mesma pessoa ao longo da vida participa de vários grupos sociais ao mesmo tempo. Frequentar uma igreja, ter um grupo de estudo, participar de um esporte, trabalhar e ir a um clube são exemplos disto.
As grandes conquistas da humanidade só se tornaram concretas por via da existência de grupos que trabalharam para tanto. Mesmo antes da existência das grandes organizações mundiais, em tempos primitivos, o homem já estabeleceu pequenas organizações informais onde várias pessoas buscaram e conseguiram melhoria na qualidade de vida na época.    
Viver junto seja a dois, a três, em agrupamento pequeno ou grande, é e sempre será dificultoso, pois toda vivência em comum exige um espaço de respeito múltiplo onde há vezes em que se abre mão de vontades individuais para não invadir o querer do outro e respeitar o espaço alheio. Somente desta maneira se faz possível o ajustamento entre sujeitos que partilham de algo em comum, mas que possuem muitas divergências.
Criam-se limites por via de leis e regras e, juntamente com estas, multas, punições caso sejam infringidas. Garante-se, desta maneira, um domínio sobre a sociedade com a nivelação de indivíduos e exclusão de quem se nega a comungar das normas. Se por um lado esta normatização pareça usurpar a liberdade, somente através dela se faz possível que um grupo possa coexistir coletivamente.
Em qualquer relacionamento interpessoal existem conflitos, então seria utopia dizer que uma comunidade não. Viver coletivamente é concomitante concordar e divergir, doar e receber, ganhar e perder, somar e dividir. Mesmo que implique em sofrimentos, desgostos e frustrações são por via destas vivencias coletivas que as pessoas se constroem. Ninguém se torna humano sozinho, é preciso o contagio social para se existir, seja ele com dores e alegrias.
Psicóloga Katree Zuanazzi
CRP 08/17070
Publicado no Jornal de Notícias "A Folha de Saltinho" dia 14-04-2012
Pode ser reproduzido citando a fonte e a autora. (Lei 9.610/1998)

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