sexta-feira, 30 de novembro de 2012

DOR: UM BICHO DE SETE CABEÇAS


Sendo um fenômeno subjetivo de sensação ruim, a dor pode ser expressa como uma experiência desagradável, tanto sensorialmente quanto emocionalmente, que decorre de uma lesão real ou potencial dos tecidos do organismo. É parte integrante da vida, pois está presente desde o nascimento até a morte, sendo essencial para a sobrevivência pela função que tem de proteger o organismo.
Por um longo período, a dor foi entendida a partir de ideias místicas como intrusão de fluidos mágicos, desequilíbrio de energia, paixão da alma, forma de iluminação. Dependendo da cultura, nos tempos mais primórdios, o sentir dor podia variar entre ser considerado um mérito, como forma de mártir, ou castigo divino. Por mais que pareça retrógrado este pensamento, ainda hoje é a cultura que determina o significado do sofrimento das pessoas, e esta questão de castigo está muito arraigada.
Os gregos antigos classificavam a dor como sendo uma emoção. A primeira grande contribuição ao estudo da dor foi feita por René Descartes no ano de 1664 que descreveu a dor como sendo uma sensação percebida no cérebro, oriunda da estimulação dos nervos sensoriais.
O fenômeno dor se inicia nos receptores especiais da dor que se localizam por todo o corpo, chamados “nociceptores”, sendo uma justaposição da palavra “nocivo”. Por via de um impulso elétrico a informação da dor é direcionada a medula espinhal e posteriormente chega ao cérebro onde é interpretada esta dor e a pessoa passa a dar conta dela, isto se chama percepção da dor. Em seguida há a reação da dor, que é uma resposta do individuo diante da sensação desagradável.
Existe a dor aguda, que se apresenta por lesões nos órgãos e permanece por um período relativamente pequeno (a dor do parto); A dor crônica, que dura um longo período por estar associada á uma doença (dor de uma patologia crônica) e; A dor recorrente, que ocorre intermitentemente, dói, para e retorna, mantendo este círculo por toda a vida do sujeito (a dor da enxaqueca).
O sentir dor é uma experiência subjetiva, pois engloba características fisiológicas concomitante às características individuais do sujeito, como histórico de vida e o contexto em que ela está sendo percebida e as implicações culturais. É desencadeada a partir de uma agressão feita ao organismo.
A dor pode variar para mesma pessoa a cada situação dolorosa e envolve o local onde a dor é manifesta, a qualidade e intensidade da dor, a freqüência, a natureza, a etiologia e a duração. A experiência dolorosa é resultante da interconexão entre a interpretação do sensorial com os integrantes afetivos, cognitivos, comportamentais com as reações fisiológicas do estimulo ou agressão do sistema nociceptivo. Tem uma característica singular sendo que o sujeito que a sente lhe atribui significados idiossincráticos ao fenômeno sensorial que ela representa.
Quem manifestou um pensamento bem congruente sobre a dor foi Lance Armstrong afirmando que “A dor é temporária. Ela pode durar um minuto, ou uma hora, ou um dia, ou um ano, mas finalmente ela acabará e alguma outra coisa tomará seu lugar. Se eu paro, no entanto, ela dura para sempre".
Katree Zuanazzi

Artigo publicado no Jornal de Notícias impresso “A Folha de Saltinho” no dia 08-10-2011. 

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